Impostos

Isenção tributária para sedes da Copa 2027 avança no Congresso e deve pressionar orçamentos municipais

24 abr 2026, 17:10 - atualizado em 24 abr 2026, 17:10
Logo da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2027, da Fifa (Press release/FIFA)

A inédita Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, no Brasil, deve movimentar cerca de US$ 1,2 bilhão, mas pressionará o caixa de prefeituras antes mesmo do apito inicial. A Câmara dos Deputados aprovou o PLP 55/2026, que autoriza municípios e o Distrito Federal a abrirem mão da arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS) em atividades ligadas ao torneio. O texto segue para o Senado.

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A medida tributária atende exigências assumidas pelo Brasil junto à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e destrava o modelo da competição. Situação semelhante ocorreu em 2014, quando a Copa do Mundo masculina foi realizada no País, cuja renúncia estimada à época foi de R$ 1 bilhão.

O impacto fiscal para orçamentos estaduais e da União é zero, pois o ISS é de competência municipal, e o valor de renúncia ainda deve ser estimado após a aprovação de leis municipais e distrital. O Brasil será o primeiro país da América do Sul a receber o torneio, entre 24 de junho e 25 de julho de 2027.

A Copa do Mundo de Futebol Feminino terá jogos em oito cidades: Fortaleza (CE), Salvador (BA), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Recife (PE) e Belo Horizonte (MG). A renúncia fiscal, portanto, vale somente para essas sedes do torneio.

A liberação do benefício não é automática. Após a aprovação no Senado e a sanção da lei específica, cada cidade-sede terá de aprovar uma legislação própria, o que cria cenários distintos de impacto fiscal.

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A renúncia alcança a cadeia operacional do torneio, incluindo serviços de infraestrutura, logística e transmissão. O acesso será restrito a empresas já enquadradas em incentivos federais, limitando o alcance da medida.

O retorno incerto via turismo e setor de serviços

O impacto no caixa é imediato. O ISS tem peso central na arrecadação municipal e a perda se materializa no curto prazo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o setor de serviços responde por mais de 60% do PIB.

Levantamentos da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e do Ministério do Turismo mostram que grandes eventos elevam a ocupação hoteleira, impulsionam bares e restaurantes e ampliam a circulação de renda. Capitais com forte base no setor, como Salvador, Rio de Janeiro e Brasília, tendem a concentrar maior exposição ao longo do evento.

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A conta não se equilibra de forma automática. Experiências anteriores indicam que a compensação tende a ser parcial, já que uma parcela relevante das isenções alcança empresas diretamente ligadas à organização do evento, enquanto o ganho fiscal depende do desempenho de setores indiretos.

Quem está pronto para absorver a renúncia

A dinâmica é direta. A renúncia chega primeiro e pressiona o caixa, enquanto a recuperação depende do ritmo da atividade econômica gerada pelo evento. Cidades com maior capacidade de absorver o impacto inicial e capturar o fluxo de consumo tendem a sair fortalecidas.

Já municípios com menor folga fiscal podem carregar os efeitos por mais tempo e precisam cativar o visitante para retorne em um período fora do evento, quando o tributo voltará a ser cobrado.

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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