Kepler Weber (KEPL3) atinge mínimas desde janeiro de 2022; o que dizem os analistas?
As ações da Kepler Weber (KEPL3) negocia em torno de R$ 5,78 a R$ 5,80 por volta de 12h28 desta quinta-feira (20). A cotação representa os menores patamares para a ação desde janeiro de 2022.
Ontem (19), a Trígono Capital, que tinha 15,3% das ações da Kepler, reduziu sua posição na companhia.
Na semana passada, a empresa reportou um lucro líquido de R$ 6,3 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), queda de 56,1% em relação aos R$ 14,4 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
KEPL3: o que a XP disse sobre o 2T26?
Na avaliação da XP Investimentos, o resultado da Kepler Weber no segundo trimestre refletiu um ambiente ainda desafiador para a cadeia do agronegócio brasileiro, marcado pela rentabilidade pressionada dos produtores rurais, condições restritivas de financiamento e menor disposição para novos investimentos.
A casa reiterou recomendação neutra para KEPL3, com preço-alvo de R$ 7.
O Ebitda (métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa) somou R$ 26 milhões, queda de 32% na comparação anual, enquanto a receita líquida recuou 4%, para R$ 299 milhões.
A margem Ebitda caiu 3,5 pontos percentuais, para 8,7%, permanecendo distante dos níveis superiores a 20% observados durante o ciclo de alta do agronegócio.
Segundo os analistas, a menor alavancagem operacional, um mix menos favorável e a pressão sobre preços em um ambiente mais competitivo pesaram sobre a rentabilidade.
O segmento de Fazendas foi novamente o principal ponto fraco, com queda de 13% na receita na comparação anual, diante do menor volume de projetos e do crédito rural mais restrito. Em contrapartida, Agronegócios avançou 18% e Reposição & Serviços cresceu 5%.
A carteira de pedidos também mantém a XP cautelosa. O backlog aumentou 9% frente ao trimestre anterior, mas caiu 14% em relação a um ano antes. Apesar de a melhora sequencial acompanhar a sazonalidade, a queda anual reforça as preocupações da casa com a demanda no segundo semestre de 2026.
Para a XP, as iniciativas de diversificação e a disciplina de custos ajudam a amortecer esse cenário, mas não são suficientes para compensar integralmente a demanda mais fraca. A corretora vê um ciclo de baixa do agronegócio mais longo e profundo, com visibilidade limitada para uma recuperação mais significativa enquanto as condições macroeconômicas e de financiamento não melhorarem.