Economia perde força em março, mas fiscal deve evitar freada brusca, avalia BofA
A atividade econômica brasileira perdeu força em março, mas o Bank of America avalia que a desaceleração não deve se transformar em uma freada brusca da economia. Para o banco, parte da resiliência da atividade tende a ser sustentada nos próximos meses por uma política fiscal mais expansionista.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,7% em março na comparação mensal com ajuste sazonal, resultado pior do que o esperado pelo mercado. Segundo o BofA, o desempenho negativo foi amplificado pelo choque do petróleo, que pressionou principalmente o setor de serviços.
“A forte contração dos serviços esteve relacionada aos preços elevados dos combustíveis”, escreveram os analistas no relatório. O impacto foi mais sentido nos serviços de transporte, afetados pela disparada do petróleo em meio às tensões envolvendo o Irã.
Apesar disso, o banco destaca que o primeiro trimestre ainda mostrou uma economia aquecida. Entre janeiro e março, a atividade acelerou para 1,3% na comparação trimestral dessazonalizada, ante alta de 0,4% no trimestre anterior.
Para os economistas do BofA, o principal fator de sustentação da atividade no curto prazo deve vir do lado fiscal. O relatório aponta que as despesas do governo cresceram 18,3% em termos reais na comparação anual, impulsionadas pelo pagamento adicional de R$ 35 bilhões em precatórios e de R$ 12,3 bilhões em despesas discricionárias.
Embora veja esse movimento mais como uma antecipação de gastos do que como uma expansão fiscal estrutural, o banco afirma que o impulso pode dar “algum fôlego” para a economia nos próximos meses.
Na visão da instituição, a combinação entre um dado mensal mais fraco e um crescimento trimestral ainda sólido reforça o cenário de desaceleração gradual da economia brasileira.
“Em abril, a confiança do consumidor melhorou, enquanto a confiança empresarial piorou, ambas na comparação com março. Olhando à frente, o nosso indicador coincidente de atividade aponta expansão da atividade em abril na comparação anual, estimado em 14 pontos, mas já sinaliza alguma desaceleração, após marcar 39 pontos em março”, ponderaram os analistas no documento.
Com isso, o BofA mantém a expectativa de crescimento do PIB de 2,3% em 2026 e de 2% em 2027, além da continuidade dos cortes graduais da taxa Selic pelo Banco Central. Para o BofA, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve fazer mais um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.