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MRV&Co (MRVE3): Os sinais mistos da prévia do 2T26, segundo analistas; ação salta 5%

10 jul 2026, 10:28 - atualizado em 10 jul 2026, 10:42
mrv (Imagem:Money Times/ Flávya Pereira)
MRV&Co (MRVE3): Os sinais mistos da prévia do 2T26, segundo analistas (Imagem: Money Times/ Flávya Pereira)

Negociadas dentro do Ibovespa, as ações da MRV&Co (MRVE3), conglomerado que reúne as marcas MRV, Resia, Urba e Luggo, operam em forte alta nesta sexta-feira (10), um dia após a companhia divulgar sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26). Entre analistas, a leitura sobre os números é mista.

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Por volta das 10h30 (de Brasília), os papéis do grupo avançavam aproximadamente 5,4% na bolsa de valores brasileira, negociados a R$ 5,23. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, apresentam desvalorização de 12%.

A título de comparação, no mesmo horário, o principal índice da B3 (IBOV) subia 1,85%, aos 175.942 pontos. Acompanhe o movimento em tempo real.



O 2T26 da MRV&Co, segundo o BBI

O Bradesco BBI avaliou como “ligeiramente positivos” os números da prévia. Em relatório, o banco destacou principalmente a retomada da geração de caixa operacional, que alcançou R$ 19,6 milhões na frente de incorporação — um dos principais pontos de atenção da tese de investimento da companhia nos últimos anos.

Considerando a venda de recebíveis, a geração de caixa da MRV Incorporação chegou a R$ 121 milhões entre abril e junho, contra a queima de R$ 55,1 milhões registrada no mesmo período do ano anterior.

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Segundo o BBI, a evolução dos negócios no Brasil reforça que a construtora segue avançando gradualmente em sua disciplina operacional e financeira.

Conforme a prévia, as vendas líquidas da divisão de incorporação somaram R$ 2,75 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,4% na comparação anual.

Em relação aos lançamentos, as unidades totalizaram valor geral de vendas (VGV) de R$ 2,95 bilhões, queda de 14,4%.

Resia segue como principal desafio

Por outro lado, o BBI destacou que a Resia, subsidiária da MRV&Co nos Estados Unidos (EUA), continua sendo o principal fator de incerteza para a tese de investimento.

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De acordo com o banco, o processo de venda de ativos e um eventual encerramento das operações ainda podem gerar volatilidade nos resultados e limitar a visibilidade dos resultados no curto prazo.

A prévia mostrou que a operação norte-americana apresentou geração de caixa de US$ 5,2 milhões entre abril e junho, queda de 87,1% na comparação anual.

No trimestre, cabe lembrar, a companhia assinou a venda dos empreendimentos legados Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos localizados no Texas, pelo valor de US$ 139 milhões (R$ 716 milhões).

“Apesar desses riscos [da Resia], a melhora gradual dos indicadores operacionais e financeiros sugere que a trajetória da empresa segue evoluindo na direção correta, enquanto o valuation das ações permanece bastante descontado frente ao seu valor patrimonial”, avaliou o BBI.

O que diz o Safra

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O Safra, por sua vez, afirmou que os resultados operacionais da MRV&Co ficaram “aquém das estimativas”.

Segundo o banco, embora o 2T26 tenha apresentado melhora sequencial nas vendas líquidas do segmento principal, os números ficaram 6% abaixo da expectativa.

No caso da geração de caixa, de R$ 19,6 milhões, o valor também ficou inferior à projeção da casa, de R$ 131 milhões.

Por outro lado, o Safra destacou que Resia alugou 149 novas unidades entre abril e junho, o que levou a uma taxa de ocupação melhorada de 80% em seus dois empreendimentos restantes, ante 63% no primeiro trimestre de 2026.

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“A MRV&Co apresentou resultados operacionais fracos, com a geração de caixa recorrente mostrando apenas uma tímida melhora sequencial, apesar da menor diferença entre o volume de transferências e as unidades construídas (1.100 unidades contra 1.500 unidades no 1T26)”, disse o banco.

“Esperamos que sua maior alavancagem continue sendo um fator crítico no curto prazo, enquanto o ambiente de custos mais elevados pode afetar a recuperação da margem bruta”, prosseguiu.

“Também temos uma visão mais cautelosa sobre as vendas futuras de recebíveis, visto que o aumento do endividamento do consumidor, combinado com a redução da renda disponível devido ao aumento das deduções de empréstimos consignados, pode pressionar os níveis de inadimplência pró-soluto.”

O Safra mantém recomendação neutra para MRVE3.

O que diz o JP Morgan

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Já o JP Morgan ponderou que, no geral, a MRV&Co teve um 2T26 “misto”, pois, apesar de lançamentos e pré-vendas praticamente em linha com o esperado, a diferença entre unidades produzidas e repassadas permaneceu elevada, em 1,1 mil unidades, contra 1,5 mil no 1T26.

Além disso, o banco norte-americano apontou que, ao ajustar a geração de caixa do segmento principal pela venda de recebíveis, o resultado foi de R$ 20 milhões, praticamente estável em relação aos R$ 22 milhões registrados no primeiro trimestre, limitando uma leitura mais positiva dos números diante da recente fraqueza das ações, que caíram 8% no último mês.

Ainda assim, a casa disse esperar uma reação neutra do mercado, já que os dados operacionais ficaram próximos das projeções internas.

“Vemos MRVE3 sendo negociada a um múltiplo P/L estimado de 3,8 vezes para 2027, contra 6,8 vezes da Cury, 6,2 vezes da Direcional e 5 vezes da Tenda”, afirmou o JP Morgan, que também mantém recomendação neutra para o papel.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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