Tupy (TUPY3): XP vê ciclo de recuperação ganhar força e eleva recomendação para compra
A XP Investimentos elevou a Tupy (TUPY3) para a compra, de olho em uma recuperação na indústria sustentada no mercado norte-americano de caminhões pesados e maior confiança na trajetória de resultados, fatores que elevam a atratividade da tese.
A equipe de analistas liderada por Lucas Laghi pondera que, embora a visibilidade permaneça limitada, dados recentes e comentários da administração sugerem cada vez mais uma melhora das condições, apoiada por sinais mais fortes de demanda, melhora da dinâmica de fretes, mercados industriais finais resilientes e, potencialmente, uma contribuição incremental da EPA 2027 (Agência de Proteção Ambiental dos EUA).
“Considerando isso, juntamente com a inflexão de resultados esperada para a Tupy e sua trajetória de desalavancagem, elevamos a recomendação da ação para compra”, diz a XP.
A equipe de analistas pondera que os pedidos de caminhões Classe 8, de categoria mais pesada, na América do Norte atingiram 31 mil unidades em junho, alta de um avanço de 241% na comparação anual e o quinto mês consecutivo de crescimento de três dígitos, segundo dados da FTR.
Ao mesmo tempo, a fabricante de motores e sistemas de propulsão Cummins elevou sua projeção para o mercado norte-americano de caminhões pesados para 230-250 mil unidades (ante 220-240 mil anteriormente), enquanto a fabricante PACCAR indicou que a maior parte de sua capacidade de produção estimada para o segundo semestre de 2026 já está comprometida.
“Em nossa visão, a combinação de atividade mais forte de pedidos, revisões para cima das projeções e melhora da visibilidade de produção fornece evidências cada vez mais tangíveis de que o ciclo está ganhando tração”, diz a casa.
Um pano de fundo mais favorável
A XP Investimentos vê a dinâmica econômica das transportadoras se tornando mais favorável. Ainda que os volumes de frete permaneçam mistos, as condições de mercado melhoraram à medida que a oferta de capacidade se tornou mais restrita e as tarifas de frete avançaram.
Somado a isso, os analistas mencionam a atividade industrial como fator que segue apoiando a demanda por fretes e equipamentos. Além do próprio setor de transporte rodoviário, diversos mercados finais continuam oferecendo um pano de fundo construtivo.
A Caterpillar reportou carteira de pedidos recorde no primeiro trimestre deste ano, com alta de 79% em base anual, destacando também forte demanda nos mercados de construção e mineração.
Já a Volvo e Cummins apontaram de forma semelhante para atividade saudável nos mercados ligados à construção, apoiada por investimentos em infraestrutura, energia e data centers.
“Vemos isso como uma importante fonte de suporte tanto para a demanda por caminhões vocacionais quanto para a atividade de fretes de forma mais ampla”, dizem os analistas.
Para a XP, a EPA 2027 permanece como a cereja do bolo. A casa vê a futura regulamentação de emissões EPA 2027 como um vetor incremental positivo, e não como o principal pilar da tese de recuperação.
Embora os analistas esperem alguma antecipação de demanda, o efeito deve ser mais modesto do que em ciclos regulatórios anteriores devido aos seguintes fatores:
- A recuperação já parece apoiada por melhora dos pedidos, dinâmica de fretes e demanda de reposição;
- Os OEMs (fabricantes) têm consistentemente caracterizado qualquer efeito de pré-compra como “modesto”; e
- O aumento esperado do custo total de propriedade agora parece menos severo do que originalmente antecipado, reduzindo o benefício econômico de antecipar compras antes da nova regulamentação.
Ainda assim, com slots de produção se tornando cada vez mais escassos e a demanda já melhorando, a EPA 2027 pode fornecer uma fonte adicional de suporte à demanda por caminhões pesados nos próximos trimestres.
Ruídos na Tupy
A companhia do setor de metalurgia esteve nos holofotes do mercado com problemas na governança e resultados considerados fracos. Em junho, no entanto, a companhia recebeu algumas boas notícias, principalmente relacionadas à governança corporativa.
O ministro da Defesa do governo Lula, José Múcio, renunciou a posição de um conselheiro e a small cap iniciou um “projeto estruturado” para melhorar a governança corporativa, após vários ruídos que marcaram a empresa.
Múcio não foi o primeiro indicado pelo governo. Nomes como Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência, e Anielle Franco, que ocupou o cargo de ministra da Igualdade Racial, também passaram pelo conselho.