Natura (NATU3) recua após balanço do 1T26, em meio à resultados fracos e período de transição; o que dizem analistas?
Após resultados lidos como fracos por analistas, as ações da Natura (NATU3) operam na ponta negativa do Ibovespa (IBOV) no pregão desta terça-feira (12). A companhia ampliou o prejuízo líquido para R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante resultado negativo de R$ 152 milhões registrado no mesmo período em 2025.
A fabricante de cosméticos apurou resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente de R$ 346 milhões, queda de 55,7% na comparação anual.
A receita líquida somou R$ 4,75 bilhões de janeiro ao final de março, recuo de 7,7% na base anual.
Analistas, em média, esperavam Ebitda de R$ 430 milhões para a Natura no primeiro trimestre, com receita líquida de R$ 4,3 bilhões, segundo dados da LSEG.
De acordo com a administração, o resultado fraco do período marcou um trimestre transitório, ainda com forte impacto de condições macroeconômicas desafiadoras e pela limitada inovação da marca Avon.
As ações da Natura chegaram a tombar mais de 6% na primeira meia hora de pregão. Por volta de (horário de Brasília), o recuo arrefeceu para 1,62%, a R$ 10,33. Acompanhe o tempo real.
Na visão do BTG Pactual a Natura reportou resultados trimestrais fracos, abaixo das expectativas, com destaque para uma dinâmica de receita pressionada, com quedas tanto na divisão Brasil quanto na divisão Hispana.
Também se destaca a dinâmica de margens fraca, com a margem Ebitda recuando 330 pontos-base na comparação anual, desconsiderando itens não recorrentes, impactada pela pressão na margem bruta da divisão Hispana — principalmente pelas operações na Argentina — e por menor alavancagem operacional.
Somado a isso está o prejuízo líquido expressivo de R$ 224 milhões (excluindo itens não recorrentes relacionados a demissões), também pressionado por perdas com hedge da dívida em dólar e o aumento de R$ 565 milhões na dívida líquida, que já inclui pagamentos relacionados ao acordo judicial do caso Chapman litigation.
“Do lado positivo, o sell-out (faturamento real) da marca Natura tem crescido acima do mercado de cuidados pessoais, o relançamento da Avon em meados de março ficou acima das expectativas, e cerca de 75% da redução do quadro administrativo já foi implementada (com ganhos de eficiência previstos a partir do 2T)”, dizem os analistas.
Na leitura do banco, após navegar com sucesso por desafios estruturais, incluindo a venda da operação internacional da Avon International, uma reprecificação efetiva da ação agora depende da execução, ou seja, da entrega de alavancas de crescimento e da recuperação das margens.
No entanto, os resultados do primeiro trimestre ainda não dissipam essas incertezas. O banco tem recomendação neutra para Natura, com preço-alvo de R$ 12.
1T26 fraco na Natura
A XP Investimentos afirma que a apresentação de resultados fracos no período de janeiro a março deste ano já era esperado, tendo em vista a continuidade do macro como vento contrário, principalmente no Brasil e Argentina, o que demandou aumento nos investimentos em consultas para estímulo da atividade.
“A margem bruta abaixo do esperado, combinada à desalavancagem operacional e às despesas rescisórias relacionadas à reestruturação da companhia, levou a uma queda de 7,9 pontos percentuais em base anual na margem Ebitda”, dizem os analistas da casa.
Por fim, a XP avalia que os desembolsos de caixa pontuais relacionados ao acordo da Chapman e à reestruturação da companhia, combinados a resultados operacionais pressionados e sazonalidade fraca, levaram a uma queima de fluxo de caixa livre de R$ 430 milhões.
A expectativa da casa já era de uma reação negativa do mercado, embora a indicação de preço não vinculante da Advent deva fornecer um piso para as ações da NATU3 (em R$ 9,75/ação, na avaliação dos analistas).
“Embora estejamos construtivos com as perspectivas de médio prazo da companhia, esperamos que os investidores retornem a uma postura de esperar para ver em relação à NATU, em meio ao aumento dos riscos macro e de execução”, diz a XP.
Já o Itaú BBA afirma que o resultado da Natura veio abaixo em todas as linhas operacionais, com um desempenho recorrente pior do que aparenta.
“A receita da Natura Brasil (queda de 3% ao ano) não mostrou melhora em relação ao 4T (-2%), e o próprio discurso da administração para o segundo trimestre — descrito como um ‘período de transição’, com risco de execução ligado à implementação do sistema SAP em junho — empurra o nível de convicção para o segundo semestre de 2026”, dizem os analistas.
Com valuation atrativo, o suporte de preço em R$ 9,75 oferecido pela Advent International trazendo proteção para a tese, e cerca de R$ 500 milhões em economia anualizada de despesas administrativas começando a aparecer a partir do 2T, o cenário parece interessante, na visão da casa.
Ainda assim, a casa vê o gatilho para reprecificação da ação adiado para o segundo semestre.
“Com isso, a expectativa se desloca para o 3T, quando se espera que a operação brasileira da Natura mostre aceleração para crescimento de média casa de um dígito na comparação anual, validando a tese de recuperação”, diz o BBA, que tem classificação outperform para as ações NATU3 (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 14.
*Com Reuters