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Nubank (NU; ROXO34) é ‘pimentinha’ da carteira? Potencial supera os 80%, mas é preciso ter estômago; entenda

15 maio 2026, 14:12 - atualizado em 15 maio 2026, 14:12
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Por mais que os analistas tenham reafirmado seu otimismo em relação ao papel, eles alertam: o curto prazo deve permanecer desafiador (Imagem: Divulgação/Nubank)

O Nubank (NU; ROXO34) entrou em campo na safra de resultados do primeiro trimestre com o desafio de lucrar sem comprometer a qualidade dos resultados.

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Isso porque, entre os investidores, cresceu o temor de que a piora do cenário macroeconômico impacte a inadimplência. Mais do que isso: o cenário azedou em meio à guerra no Irã, que já mexe com as expectativas de juros no Brasil e no mundo.

Pois bem, o roxinho até entregou um salto de 41% no lucro, para US$ 871 milhões, mas insuficiente para bater o consenso do mercado, que aguardava US$ 980 milhões. Houve piora também na inadimplência, que subiu para 5%, ante 4,1% no trimestre passado.

Com a carteira em alta, o roxinho também se viu obrigado a acelerar as provisões — dinheiro usado pelos bancos para se proteger dos calotes. A linha aumentou 38% em relação ao trimestre anterior e ficou cerca de 30% acima das expectativas.

Em Nova York, as ações reagiram de forma imediata, com queda de até 10% no after-market. Hoje, o papel caía 6,38%, ampliando a queda no ano para 28%. A US$ 12,10, a ação era negociada no menor valor desde maio de 2025.

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Fraco?

Entre os analistas, é quase unânime a visão de que o Nubank não entregou resultados tão ruins quanto o desempenho da bolsa levaria a crer. A qualidade do crédito piorou. Mas eles questionam até que ponto isso é algo estrutural ou apenas um “ajuste” em meio a um primeiro trimestre que costuma ser mais difícil?

O diretor financeiro, Guilherme Lago, disse à Reuters que o lucro sofreu impacto do crescimento mais acelerado do crédito, o que obrigou a empresa a reconhecer provisões antecipadamente. A carteira de crédito total do Nubank aumentou 40% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 37,2 bilhões.

Além disso, o executivo deixou claro que o aumento refletia a sazonalidade do primeiro trimestre, e não uma piora na qualidade dos ativos.

O Safra, por exemplo, afirma que as perdas esperadas de crédito (ECLs) aumentaram de forma mais natural do que excessivamente conservadora. “Analisar apenas os créditos inadimplentes (NPLs) ou o Estágio 3 como métricas de deterioração pode ser enganoso.”

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Os analistas sustentam que, quando se divide o provisionamento bruto pela formação dos Estágios 2 e 3 — “que acreditamos ter melhor correlação com as ECLs trimestrais” —, a proporção fica amplamente alinhada ao padrão histórico. Em bom português: para o Safra, o Nubank provisionou o necessário, e não mais do que isso.

A XP também afirma que a qualidade do crédito reportada veio mais fraca, mas permanece estruturalmente sólida, enquanto o Itaú BBA destacou que o banco inicia o ano com uma excelente estrutura de provisões para o crescimento previsto e para as melhorias usuais nos negócios após o primeiro trimestre.

Na visão do BBA, no fim, o resultado do primeiro trimestre superou as expectativas em 10%, enquanto uma alíquota de imposto de renda maior do que a esperada compensou os lucros em linha com as projeções.

Em resumo, o primeiro trimestre apresentou o aumento esperado nas provisões, compensado pelos volumes robustos, pela receita e pela eficiência.

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Segundo o Bradesco BBI, o Nubank apresentou um trimestre consistente com a sazonalidade, especialmente em termos de receita.

Houve ainda forte expansão da margem financeira e das tarifas. Já as despesas operacionais também superaram as expectativas, resultando em um índice de eficiência melhor do que o previsto.

Atire primeiro, pergunte depois?

Em relatório, o BTG fez uma provocação: estariam os investidores “atirando primeiro e perguntando depois”, ou seja, vendendo no impulso?

Para os analistas, o Nubank apresentou mais um trimestre de forte crescimento da carteira de empréstimos e resiliência, com alta rentabilidade.

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O banco vai além: afirma que o roxinho está bem posicionado para superar o mercado durante um ciclo de crédito mais desafiador no Brasil.

Observa ainda que a combinação de um crescimento mais forte da receita e a expectativa de uma alíquota efetiva de imposto muito menor no futuro levou muitos investidores brasileiros a elevarem suas expectativas de lucro.

“Como consequência, muitos agora veem as ações da Nu sendo negociadas a um múltiplo de 10 vezes o lucro por ação (P/L) projetado para 2027, ou até mesmo abaixo disso (nós o vemos em 12,2 vezes), e têm aumentado suas posições.”

O problema é que os americanos parecem céticos quanto à entrada da Nu nos EUA. A fintech, porém, pretende avançar com cautela em sua expansão, com investimentos limitados a menos de 100 pontos-base de seu índice de eficiência consolidado, tanto em 2026 quanto em 2027.

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“Não nos lembramos de ter visto uma divergência tão grande de opiniões em torno da tese desde o IPO, quando os investidores locais eram os céticos e os estrangeiros, os otimistas”, observa o banco.

Precisa ter estômago

Por mais que os analistas tenham reafirmado seu otimismo em relação ao papel, eles alertam: o curto prazo deve permanecer desafiador e incerto.

“Temos pouca ideia de como as ações se comportarão no curto prazo. Com base nas reações aos recentes resultados bancários no Brasil, os investidores parecem estar vendendo primeiro e perguntando depois. Vamos ver se as ações da Nu se comportarão de maneira diferente nos próximos dias”, destaca o BTG.

Ainda segundo o banco, a expansão internacional permanece um pilar fundamental da tese de investimento de longo prazo da Nu e a oportunidade nos EUA, embora ainda altamente incerta, oferece potencial relevante de valorização.

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A XP segue a mesma linha ao afirmar que, embora o aumento do custo de crédito deva gerar uma reação negativa no curto prazo, não vê o trimestre como um ponto de inflexão negativo.

Em vez disso, prefere enxergar o copo meio cheio: uma assimetria ainda atrativa, sustentada por avenidas de crescimento, métricas operacionais resilientes e um valuation que já incorpora espaço para revisões de curto prazo.

O Itaú vai além: afirma que as ações são negociadas a 16 vezes o lucro projetado para 2026 e a 13 vezes o lucro líquido, entre os níveis mais baixos da história do Nubank.

Veja as recomendações abaixo:

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CasaRecomendaçãoPreço-alvoPotencial
XPCompraUS$ 21+75,0%
BTGCompraUS$ 22+83,3%
CitiCompraUS$ 22+83,3%
SafraCompraUS$ 22+83,3%
Itaú BBACompraUS$ 20+66,7%

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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