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O que muda para o agro com Flávio Bolsonaro? Citi vê alívio para juros, mas alerta para um obstáculo

05 out 2026, 16:21
Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro 12 de maio de 2026 (REUTERS/Adriano Machado)

Uma eventual chegada de Flávio Bolsonaro à Presidência pode trazer alívio financeiro para as empresas do agro, mas também pressionar as receitas das exportadoras. Na avaliação do Citi, a perspectiva de juros mais baixos favorece um setor marcado pela elevada alavancagem, enquanto uma possível queda do dólar pode limitar esses benefícios.

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Em relatório divulgado nesta segunda-feira (5), após os resultados das eleições de domingo, o banco analisa os possíveis efeitos de uma mudança de governo sobre os setores sob sua cobertura. Quatro fatores orientam a avaliação: preços das commodities, juros, câmbio e fluxo de recursos.

Para o agro, a combinação de custos financeiros menores e um ambiente mais favorável para os preços dos produtos agrícolas pode ajudar as companhias. O Citi mantém uma visão positiva para essas commodities no curto prazo, diante de possíveis riscos à oferta.

O alívio nos juros seria especialmente relevante porque, segundo o banco, a maioria das empresas do setor enfrenta endividamento elevado, seja pelos investimentos recentes em expansão, seja pelo estreitamento das margens.

Dólar mais baixo é o contraponto no Brasil de Flávio Bolsonaro

A perspectiva de valorização do real, porém, aparece como um obstáculo. Como boa parte das companhias do agronegócio é exportadora, a queda da moeda americana pode pressionar os resultados ao reduzir o valor, em reais, das receitas vinculadas ao dólar.

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“Do lado negativo, destacamos que uma provável queda do dólar poderá pesar sobre a tese de investimento no agronegócio, uma vez que a maioria das empresas é exportadora”, afirma o Citi.

O banco também vê uma limitação para os papéis do setor aproveitarem uma eventual entrada de recursos na Bolsa.

Na avaliação dos analistas, empresas com maior liquidez e participação relevante no Ibovespa tendem a se beneficiar mais desse movimento — características menos presentes entre as companhias do agro.

Assim, mesmo que uma mudança de governo favoreça o mercado de ações brasileiro, o impulso para os papéis agrícolas poderá ser mais restrito.

El Niño também está no radar

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Além dos efeitos de juros e câmbio, o clima permanece como uma preocupação para os investidores.

O Citi destaca o receio com os possíveis impactos de um forte El Niño sobre as lavouras brasileiras, que poderia prejudicar a produtividade nesta safra.

O cenário reúne, portanto, forças distintas: juros menores podem aliviar o peso das dívidas, enquanto o dólar mais baixo e os riscos climáticos podem limitar a melhora dos resultados.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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