O que muda para o agro com Flávio Bolsonaro? Citi vê alívio para juros, mas alerta para um obstáculo
Uma eventual chegada de Flávio Bolsonaro à Presidência pode trazer alívio financeiro para as empresas do agro, mas também pressionar as receitas das exportadoras. Na avaliação do Citi, a perspectiva de juros mais baixos favorece um setor marcado pela elevada alavancagem, enquanto uma possível queda do dólar pode limitar esses benefícios.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (5), após os resultados das eleições de domingo, o banco analisa os possíveis efeitos de uma mudança de governo sobre os setores sob sua cobertura. Quatro fatores orientam a avaliação: preços das commodities, juros, câmbio e fluxo de recursos.
Para o agro, a combinação de custos financeiros menores e um ambiente mais favorável para os preços dos produtos agrícolas pode ajudar as companhias. O Citi mantém uma visão positiva para essas commodities no curto prazo, diante de possíveis riscos à oferta.
O alívio nos juros seria especialmente relevante porque, segundo o banco, a maioria das empresas do setor enfrenta endividamento elevado, seja pelos investimentos recentes em expansão, seja pelo estreitamento das margens.
Dólar mais baixo é o contraponto no Brasil de Flávio Bolsonaro
A perspectiva de valorização do real, porém, aparece como um obstáculo. Como boa parte das companhias do agronegócio é exportadora, a queda da moeda americana pode pressionar os resultados ao reduzir o valor, em reais, das receitas vinculadas ao dólar.
“Do lado negativo, destacamos que uma provável queda do dólar poderá pesar sobre a tese de investimento no agronegócio, uma vez que a maioria das empresas é exportadora”, afirma o Citi.
O banco também vê uma limitação para os papéis do setor aproveitarem uma eventual entrada de recursos na Bolsa.
Na avaliação dos analistas, empresas com maior liquidez e participação relevante no Ibovespa tendem a se beneficiar mais desse movimento — características menos presentes entre as companhias do agro.
Assim, mesmo que uma mudança de governo favoreça o mercado de ações brasileiro, o impulso para os papéis agrícolas poderá ser mais restrito.
El Niño também está no radar
Além dos efeitos de juros e câmbio, o clima permanece como uma preocupação para os investidores.
O Citi destaca o receio com os possíveis impactos de um forte El Niño sobre as lavouras brasileiras, que poderia prejudicar a produtividade nesta safra.
O cenário reúne, portanto, forças distintas: juros menores podem aliviar o peso das dívidas, enquanto o dólar mais baixo e os riscos climáticos podem limitar a melhora dos resultados.