Oncoclínicas (ONCO3) dispara mais de 20% com liminar contra vencimento de dívidas
As ações da Oncoclínicas do Brasil (ONCO3) disparam na manhã desta sexta-feira (17), comalta superior a 25%.
Por volta de 11h30, ONCO3 registrava alta de 23,36%, a R$ 1,69, figurando como a ação com melhor desempenho da B3. Na máxima intradia, o papel subiu 25,55% (R$ 1,72). Acompanhe o Tempo Real.
Pela manhã, a companhia anunciou que obteve uma decisão provisória (liminar) no Tribunal de Justiça de São Paulo para suspender os efeitos de toda e qualquer cláusula contratual que imponha o vencimento antecipado de dívidas.
Segundo comunicado divulgado ao mercado, a decisão da Justiça atende a pedidos feitos em uma ação de tutela cautelar em caráter antecedente formulada pela companhia e suas afiliadas.
A medida também interrompe a exigibilidade de obrigações relacionadas a instrumentos financeiros e instituições credoras envolvidas.
Na prática, com a liminar, que funciona como uma espécie de “pausa”, dando tempo para a empresa reorganizar sua estrutura de capital, a Oncoclínicas evita, ao menos por ora, um possível efeito cascata de cobranças.
Injeção de capital
Na véspera (16), a empresa já havia comunicado que seu conselho de administração aprovou uma proposta apresentada pela MAK Capital e pela Lumina Capital para dar fôlego financeiro às operações.
Em meio a problemas para a compra de medicamentos e atrasos no tratamento de pacientes, a rede de tratamentos oncológicos irá obter um financiamento entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões.
Com esse dinheiro, a companhia poderá realizar a compra de medicamentos da OncoProd, sua principal fornecedora, que vinha limitando as vendas em meio aos problemas de caixa enfrentados pela Oncoclínicas.
A operação será garantida por meio de cessão fiduciária de recebíveis de contratos com operadoras de planos de saúde, hospitais ou seguradoras.
Para atender às condições impostas por MAK e Lumina, o conselho aceitou a renúncia imediata de Bruno Ferrari como membro e vice-presidente do colegiado, e nomeou o indicado pela MAK, Mateus Affonso Bandeira, e o CEO Carlos Gil Ferreira para ocupar as vagas abertas no conselho até a assembleia de acionistas de 30 de abril de 2026.
Na leitura do JP Morgan, embora o custo da dívida dessa operação possa ser elevado (termos não divulgados), ela ainda indica uma potencial capitalização no nível da ONCO3, juntamente com uma reestruturação adicional.
“Além disso, a saída de Bruno Ferrari tende a ser bem recebida pelo mercado, pois promove renovação no conselho e melhorias de governança, especialmente no contexto de um possível novo investidor financeiro, que deve trazer mudanças estratégicas e maior disciplina de capital”, avaliaram os analistas
O banco norte-americano tem recomendação underweight (equivalente à venda) para as ações ONCO3.
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