Podemos entrar em uma não linearidade do preço do petróleo e conviver com racionamentos, diz gestor da BTG Asset
As tensões geopolíticas no Oriente Médio e o consumo acelerado de estoques globais podem levar o mercado de petróleo a um comportamento abrupto de preços, segundo Ricardo Kazan, sócio e gestor da BTG Asset, durante o evento ETF Day 2026, realizado nesta quarta-feira (6).
De acordo com o executivo, o mercado já opera em déficit — com demanda superior à oferta —, mas ainda não houve uma disparada mais intensa de preços devido ao uso de estoques acumulados ao longo dos últimos anos. Esse amortecedor, porém, tem limite.
“O que pode acontecer é entrarmos em um regime de não linearidade de preços. Entramos em um preço de petróleo em que boa parte da população vai ser obrigada a racionar. Já vemos isso em países da Ásia, mas não aqui no Ocidente. Existe esse cenário caso o conflito não seja resolvido”, afirmou Kazan.
O gestor destacou que cerca de 20% da oferta global de petróleo foi perdida recentemente com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, o que vem pressionando ainda mais o equilíbrio do mercado. Com isso, o consumo de estoques ocorre em ritmo acelerado — especialmente para derivados mais sensíveis, como querosene de aviação e nafta.
Segundo Kazan, o ajuste final pode vir por meio da chamada destruição de demanda — quando os preços sobem a níveis tão elevados que forçam a redução do consumo.
Europa já começa a sentir os efeitos da escassez do petróleo
Na Europa, por exemplo, os estoques de combustível para aviação giram em torno de apenas 20 dias, o que já começa a impactar o setor aéreo. Companhias têm reduzido voos, e a tendência é de intensificação caso o cenário persista.
“A parte mais crítica da cadeia é o querosene de aviação na Ásia e na Europa, além da petroquímica, com a nafta. Na Europa, há apenas 20 dias de estoque de querosene de aviação. Em um ou dois meses, com o Estreito fechado, companhias como Lufthansa e Ryanair terão que cortar voos. A Lufthansa já anunciou reduções”, disse.
Kazan também alertou que decisões em contextos de guerra não seguem lógica econômica, o que aumenta a imprevisibilidade. “O mercado assume uma resolução racional, mas conflitos podem escalar por motivos estratégicos ou até irracionais.”