PRIO3, PETR4, RECV3 e BRAV3 têm forte queda hoje (6): O que o Oriente Médio tem a ver com isso?
As ações das petroleiras operam em forte queda e lideram a ponta negativa do Ibovespa (IBOV) nesta quarta-feira (6), na esteira da derrocada do petróleo no mercado internacional.
Por volta de 13h20 (horário de Brasília), Prio (PRIO3) caía 4,63%, a R$ 66,28, sendo a segunda maior queda do IBOV e a maior queda entre as petroleiras.
A junior oil é a que tem maior exposição a preços mais altos de petróleo, por ter 100% da produção em óleo e menor nível de hedge, enquanto Petrobras (PETR3;PETR4), Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) apresentam menor sensibilidade devido a refino, hedge e maior participação de gás natural.
Os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4), considerados um dos pesos-pesados do Ibovespa, também despecam, figurando entre os papéis mais negociados na B3.
As ações ordinárias PETR3 registravam um queda de 3,34%, a R$ 51,75, e as preferenciais PETR4 tinham recuo de 2,84%, a R$ 47,28 — sendo a ação mais negociada do mercado acionário doméstico, com mais de 45,5 mil negócios e giro financeiro de R$ 1,683 bilhão, no mesmo horário.
Já PetroReconcavo (RECV3) caía 1,71%, a R$ 12,68, e Brava Energia (BRAV3) registrava recuo de 0,70%, a R$ 18,35.
Mesmo com o fraco desempenho das commodities, o CMDB11, ETF do BTG Pactual que segue uma cesta de ações de empresas do setor, opera com alta de 0,23%.
PRIO3: além do petróleo
Além do petróleo, parte do movimento também reflete realização — mesmo com a queda de hoje, as ações acumulam alta superior a 2% nos últimos cinco dias.
Ontem, a junior oil reportou resultados do primeiro trimestre (1T26).
Na visão da equipe do Citi, liderada por Andrés Cardona, a PRIO entregou um conjunto sólido de números, com receita próxima de US$ 1,1 bilhão, sustentada por maior volume de vendas e preços mais altos do petróleo.
O Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado de US$ 852 milhões refletiu essa melhora, impulsionado pela maior produção, redução do lifting cost — com destaque para ganhos em Peregrino — e despesas administrativas unitárias menores.
Petróleo abaixo de US$ 90
Considerado um dos “termômetros” do mercado para medir o apetite e aversão a risco dos investidores, o petróleo perde força em meio à redução das tensões geopolíticas com a expectativa de acordo entre Estados Unidos e Irã.
Mais cedo, o o contrato mais negociado do Brent, com vencimento em julho, chegou a cair mais de 7%, no nível de US$ 100 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã — sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo —, segue como o principal ponto de atenção do mercado.
O acordo, segundo fontes às agências de notícias, envolvem a liberação da região, entre outros termos.
Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo ‘corredor’, que conecta grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.