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Na Agrishow, Zema mantém ataques contra STF e evita comentar sobre fim da escala 6×1 e vice-presidência

28 abr 2026, 12:52 - atualizado em 28 abr 2026, 12:52
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na Agrishow (Gustavo Porto/Money Times)

Na camiseta preta de mangas curtas, o recado, em letras maiúsculas, ao Supremo Tribunal Federal (STF). “CHEGA DE INTOCÁVEIS“. Praticamente monotemático, o pré-candidato a presidente da República Romeu Zema (Novo) reservou a maior parte do tempo da entrevista a jornalistas e de uma conversa informal com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para manter os tradicionais ataques à Corte e aos seus ministros, pauta principal de sua campanha ao Planalto.

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Em visita à Agrishow nesta terça-feira (28), Zema, um empresário do setor de comércio que se tornou governador de Minas Gerais em dois mandatos, não comentou fim da escala 6×1 e, na pauta econômica, criticou a taxa de juros que inviabilizam investimentos.

Sobre política, não revelou possíveis nomes sobre quem se estaria na vice-presidência de sua chapa. Repetiu, no entanto, que seguirá até o final na disputa presidencial, voltou a atacar o governo federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e poupou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), outro nome da direita na eleição.

Zema chegou à principal feira do agronegócio da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), por volta das 10h e reservou boa parte da conversa com jornalistas para falar sobre o Supremo e seus ministros. O alvo preferido foi Gilmar Mendes, seu principal desafeto e que o já criticou pelo linguajar típico do Triângulo Mineiro e por supostos erros de gramática.

Eu falo português, o ‘mineirês’, do Triângulo Mineiro, muito próximo aqui a Ribeirão Preto, e tenho orgulho do meu sotaque, que tem uma semelhança muito grande aqui com essa região de São Paulo”, afirmou Zema, que é de Araxá (MG). “O ministro é que está utilizando um português muito esnobe, até por estar isolado da sociedade brasileira, ele deveria comparecer a um evento igual esse aqui, porque ele iria perceber que eu converso a mesma língua do produtor rural.”

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O pré-candidato a presidente elevou o tom das críticas, afirmou que os ministros estão se isolando da sociedade e que “está claríssimo”, que o Supremo é a instituição pública que tem menos credibilidade no Brasil. “Precisamos mudar essa visão desses intocáveis, que fica muito claro nesse distanciamento deles”, afirmou

Sobre seu desempenho nas pesquisas eleitorais, nas quais não atinge 5% das intenções de votos, Zema disse que está “extremamente tranquilo”, relembrou que, em 2018, saiu de 1% das intenções de voto para ser eleito governador mineiro e que sua intenção é mostrar propostas para o Brasil. A primeira delas, obviamente, é a “reforma profunda no Judiciário”.

Querem que o Supremo continue sendo o Supremo Tribunal de Negócios como ele tem se transformado”, disse Zema, que defendeu também cortes em gastos públicos, redução nas taxas de juros e o combate à impunidade, sem dar detalhes.

Pressionado a revelar como faria a reforma do Judiciário e reestabeleceria a harmonia entre os poderes, já que, caso eleito, assumiria com os mesmos ministros do STF, Zema partiu para as críticas ao governo federal, sem reduzir os ataques ao Supremo e sem propostas específicas.

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“Precisamos de um líder com credibilidade e não de um líder com histórico criminoso. Já vasculharam minha vida de todas as formas, até hoje não encontraram nada. Temos um presidente que tem o rabo preso, que se resguardando junto a ministros do Supremo. Eu acho que nós precisamos é de ter também um Supremo sem o rabo preso”.

Já quando questionado se evitaria se aproximar de Flávio Bolsonaro, que foi envolvido no escândalo das “rachadinhas”, por exemplo, Zema desconversou. “Eu estou me referindo a mim, quem quiser olhar o meu passado, (…) minha vida foi pagar impostos, ser fiscalizado, por isso que eu sou tão indignado assim. Não estou preocupado com outros candidatos e vejo que nós temos polícia federal, que nós temos instituições para investigar”, afirmou.

Ainda sobre Flávio Bolsonaro, Zema disse que ambos estarão juntos em um eventual segundo turno. Por fim, o ex-governador considerou “prematuro” o anúncio de quem será candidato ou candidata a vice na chapa encabeçada por ele e que o nome será definido pelo Novo.

“Eu, como mandatário, candidato, fico um pouco mais distante, então vamos perguntar isso aí para o Eduardo Ribeiro, que é o presidente do partido. Vou estar participando, mas o partido é que define“, disse.

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Prestou a atenção, Tarcísio?

Após a entrevista, Zema se deslocou até um evento no qual o governador Tarcísio de Freitas se reuniria com prefeitos paulistas. Chegou antes de Tarcísio, foi abordado por políticos para fotos e deixou o auditório para um breve encontro com seu ex-colega de governo estadual.

Na conversa entre ambos, Zema voltou a falar sobre sua missão contra o STF. Tarcísio até tentou mudar de assunto e, ao lado de representantes da indústria de máquinas e equipamentos, falou sobre as dificuldades para crédito e dos juros elevados ao produtor.

Ao se despedirem, Zema reforçou: “você prestou bem a atenção no que eu disse, né?”

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
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