Safra: Os quatro motivos que fizeram o banco recomendar a compra desta empresa tech que pode saltar até 37%
O banco Safra iniciou a cobertura da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) com avaliação de outperform (o equivalente a compra) para os papéis da empresa.
Os analistas ainda estipulam um preço-alvo para o final de 2026 de 3.300 dólares taiwaneses, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 37% — equivalente a cerca de US$ 515 por ADR (potencial de alta de aproximadamente 18%) para as ações listadas na Bolsa de Nova York.
“A TSMC é a maior fundição independente de semicondutores do mundo, com cerca de 70% de participação no mercado global de fundição e aproximadamente 90% de participação nos nós tecnológicos mais avançados”, escrevem os analistas Guilherme Bellizzi Motta e Silvio Dória, que assinam o relatório.
Eles afirmam que a empresa foi pioneira no modelo de fundição pura (pure-play foundry), que separou o desenvolvimento dos chips de sua fabricação, tornando-se uma fornecedora essencial para setores como smartphones, computadores pessoais, data centers, automóveis, redes, sistemas industriais e aceleradores de inteligência artificial.
Os quatro pilares da TSMC
A recomendação está fundamentada em quatro pilares:
- A demanda por semicondutores deve crescer acima do PIB nominal global, impulsionada pela digitalização e pelo aumento da quantidade de chips incorporados aos produtos finais;
- O aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), capital e desenvolvimento de processos amplia as barreiras de entrada e favorece uma maior concentração da indústria;
- A TSMC transformou sua excelente execução operacional e sua política de reinvestimentos em liderança tecnológica, margens e retornos superiores aos da indústria, além de alinhar os planos de desenvolvimento de seus clientes aos seus próprios processos de fabricação;
- A inteligência artificial direciona a demanda incremental para chips de última geração e encapsulamento avançado, segmentos nos quais as fundições concorrentes têm enfrentado dificuldades para replicar a escala alcançada pela TSMC.
“Sua liderança tecnológica, elevados índices de rendimento da produção (yield), escala, confiabilidade e capacidade produtiva sustentam preços premium, altos custos de troca para os clientes e o maior retorno sobre o capital investido (ROIC) entre os principais fabricantes de semicondutores”, dizem os especialistas.
Principais riscos da tese do Safra
Por último, apesar do otimismo com relação à TSMC, os riscos da tese de investimento ainda são elevados, dado que o setor de tecnologia ainda é um ramo recente e, portanto, bastante volátil.
Um dos principais fatores de atenção está na natureza cíclica da indústria de chips e semicondutores, que tende a amplificar oscilações de receita e rentabilidade devido à elevada alavancagem operacional — que é uma característica desse tipo de negócio.
Em períodos de desaceleração da demanda, pequenas variações nas vendas podem ter um impacto multiplicado sobre os resultados financeiros.
Outro ponto importante é a possibilidade de um período de acomodação ou desaceleração dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Como parte relevante do crescimento recente do setor tem sido sustentada pela expansão acelerada de data centers e aplicações de IA, uma redução no ritmo desses investimentos poderia afetar a demanda por semicondutores avançados.
Ainda, a concentração da produção global de chips de ponta em Taiwan cria vulnerabilidades relacionadas a questões geopolíticas, como uma potencial invasão da China ou mesmo sanções dos Estados Unidos. Interrupções operacionais ou eventos que possam comprometer a cadeia de suprimentos podem afetar os resultados da TSMC.
Adicionalmente, o aumento da concorrência, sobretudo por parte de empresas apoiadas por governos e com acesso a subsídios relevantes, pode pressionar margens e participação de mercado nas áreas de lógica avançada e encapsulamento.
A concentração de fornecedores críticos representa outro ponto de atenção, uma vez que eventuais interrupções ou gargalos na oferta podem impactar a capacidade produtiva.
Por fim, a companhia permanece exposta a riscos cambiais, dado o caráter global de suas operações, receitas e custos. Movimentos adversos nas taxas de câmbio podem afetar tanto os resultados financeiros quanto a competitividade em diferentes mercados.