Casas Bahia (BHIA3) leva enquadra da B3 para ações; varejista também esclarece notícia sobre ‘fundo inflado’
A B3 enquadrou a Casas Bahia (BHIA3) para que divulgue um cronograma para o reenquadramento da cotação das ações, cuja regularização deverá ocorrer até 01 de março de 2027.
Desde 21 de julho, as ações da varejista operam abaixo de R$ 1. Norma da bolsa proíbe que os papéis, as chamadas penny stocks, fiquem abaixo de R$ 1 por mais de um mês.
Isso ocorre para evitar fortes volatilidades do papel.
Na bolsa, a Casas Bahia vive momento delicado, com a empresa em recuperação judicial. As ações despencaram de um pico acima de R$ 400 em 2020 para menos de R$ 1 em 2026.
Nesse período, a empresa acumulou perdas severas e dívidas estimadas em cerca de R$ 17,3 bilhões.
Casas Bahia esclarece notícia sobre fundo
A Casas Bahia também divulgou esclarecimentos sobre uma notícia publicada pela Veja a respeito do IBCB-AF01 Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC IBCB), após solicitação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A notícia, publicada em 14 de setembro, afirmava que a companhia havia colocado mais de R$ 1 bilhão em um fundo que possui relação com a empresa em recuperação judicial.
A Casas Bahia explicou que detinha, em 30 de junho de 2026, R$ 1,166 bilhão em cotas subordinadas do FIDC IBCB, equivalentes a 61,08% do patrimônio líquido do fundo. Essas cotas absorvem perdas antes das cotas seniores, que somavam R$ 743 milhões na mesma data.
A empresa, porém, destacou que não realizou aportes no FIDC durante o primeiro semestre de 2026.
O saldo das cotas subordinadas havia aumentado de R$ 780 milhões em dezembro de 2025 para R$ 1,166 bilhão em junho de 2026. De acordo com a companhia, o aumento de R$ 386 milhões ocorreu em razão do resultado das próprias cotas no período, e não pela entrada de novos recursos no fundo.
Diferença entre R$ 1,085 bilhão e R$ 1,913 bilhão
A Casas Bahia também esclareceu a diferença entre dois valores relacionados ao FIDC que aparecem em documentos distintos.
O montante de R$ 1,085 bilhão registrado na relação de credores corresponde às obrigações perante o fundo incluídas na recuperação judicial na data em que o pedido foi apresentado.
Já os R$ 1,913 bilhão correspondem às obrigações da companhia perante o FIDC registradas nas demonstrações financeiras individuais de 30 de junho de 2026, incluindo operações de risco sacado e nota comercial.
Segundo a empresa, a diferença de aproximadamente R$ 828 milhões decorre das movimentações ocorridas entre as duas datas, incluindo pagamentos e liquidações realizadas no curso normal dos negócios, além de obrigações que não fazem parte do processo de recuperação judicial.
A companhia explicou ainda que o FIDC é consolidado em suas demonstrações financeiras devido ao controle e à exposição aos riscos e benefícios do fundo. Na consolidação, os saldos entre a companhia e o FIDC são eliminados, permanecendo reconhecidas as obrigações perante terceiros.
Por fim, a administração afirmou que a notícia não representa um novo fato relevante pendente de divulgação, uma vez que os saldos e a estrutura do fundo já haviam sido apresentados nas informações financeiras da companhia, assim como as informações relacionadas à recuperação judicial.
A Casas Bahia disse que os esclarecimentos têm como objetivo contextualizar informações já divulgadas e que não houve nova operação ou novo aporte no fundo.