SLC Agrícola (SLCE3): 1T26 vem abaixo das expectativas dos analistas, mas BTG ainda acredita em perspectiva positiva para ações
A SLC Agrícola (SLCE3) apresentou resultados considerados mistos no primeiro trimestre de 2026 (1T26), com números operacionais pressionados por menores volumes vendidos, consumo elevado de capital de giro e despesas financeiras maiores, mas mantendo uma leitura relativamente construtiva entre os analistas para o restante do ano.
O Ebitda ajustado ficou abaixo das expectativas das principais casas, refletindo principalmente margens mais fracas em soja, maiores despesas operacionais e efeitos financeiros. Ainda assim, tanto BTG Pactual
quanto XP Investimentos e Bradesco BBI destacaram que o trimestre, isoladamente, não muda a visão para 2026, especialmente após a revisão positiva do guidance agrícola.
O Bradesco BBI classificou o trimestre como “misto”, mas ressaltou que a execução operacional segue consistente. A receita líquida caiu 3% na comparação anual, para R$ 2,3 bilhões, impactada por menores volumes comercializados, enquanto o EBITDA ajustado recuou 26%, para R$ 776 milhões. A casa destacou como ponto positivo a margem bruta acima do esperado, sustentada por desempenho melhor do que o previsto em soja e algodão.
Por outro lado, os analistas chamaram atenção para o avanço de 38% das despesas gerais e administrativas, além da pressão contínua nos custos de fertilizantes nitrogenados, que ainda limita revisões mais otimistas para os resultados. O banco manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 20 para a ação.
Na visão da XP, os números operacionais fracos já eram amplamente esperados pelo mercado. A corretora destacou que parte relevante das vendas de soja no trimestre veio de fazendas impactadas pelo excesso de chuvas durante a colheita, pressionando margens temporariamente. Ainda assim, a gestão indicou melhora gradual da rentabilidade ao longo dos próximos trimestres, conforme o mix de vendas normalize.
A XP também apontou o fluxo de caixa livre como principal surpresa negativa do trimestre. O consumo de caixa, excluindo aquisição de terras, ficou próximo de R$ 830 milhões, muito acima da projeção da casa, principalmente por necessidade maior de capital de giro.
Mesmo assim, a corretora entende que o guidance revisado para a safra 2025/26 pode elevar em cerca de 3% suas estimativas de Ebitda para 2026, impulsionado principalmente pela revisão positiva de produtividade da soja. A casa conta com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 16,40.
SLCE3 pode continuar avançando na B3, segundo o BTG
Já o BTG Pactual adotou um tom mais construtivo para a tese de investimento. Embora tenha reconhecido que receita e Ebitda vieram abaixo do esperado, o banco afirmou que os menores volumes vendidos devem apenas ser deslocados para os próximos trimestres, sem impacto relevante sobre as projeções anuais.
O principal destaque, segundo o BTG, foi a revisão positiva do guidance, com aumento de 2,7% na produção esperada de soja e melhora também nas projeções para algodão, compensando parcialmente a redução de área da segunda safra de milho e algodão. Em uma “conta rápida”, o banco estima potencial de alta de cerca de 4% no Ebitda anual após a atualização das premissas operacionais.
O BTG também chamou atenção para um cenário mais favorável para commodities agrícolas nos próximos anos.
Segundo o banco, a combinação entre revisão dos fundamentos globais de oferta e demanda, possível impacto do conflito no Oriente Médio sobre fertilizantes e petróleo, além da defasagem entre a alta do Brent e os preços agrícolas, pode abrir espaço para uma nova tendência de valorização das commodities.
Na avaliação da casa, esse ambiente tende a continuar sustentando o desempenho das ações da SLC Agrícola, mesmo após a valorização acumulada de 23% no ano. O BTG manteve recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 24.