Wall Street recua com derrocada das ações de tecnologia à espera de Nvidia
Os índices de Wall Street iniciaram a sessão desta terça-feira (19) em queda com cautela com o setor de tecnologia à espera do balanço trimestral de Nvidia (NVDA). As tensões geopolíticas seguem no radar.
Confira o desempenho dos índices logo após a abertura das negociações:
- Dow Jones: -0,80%, aos 49.313,20 pontos;
- S&P 500: -0,41%, aos 7.372,08 pontos;
- Nasdaq: -0,28%, aos 26.014,549 pontos.
O que mexe com Wall Street hoje?
O cenário geopolítico segue no centro das atenções dos investidores, ainda que com um breve alívio entre Estados Unidos e Irã.
Após notícias controvérsias sobre o avanço das negociações de paz entre os dois países, o presidente norte-americano Donald Trump novo ataque militar contra o Irã, que estava previsto para hoje (19), a pedido de autoridades do Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
“Fui solicitado pelo Emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, pelo Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman Al Saud, e pelo Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, a adiar o nosso planejado ataque militar contra a República Islâmica do Irã, que estava agendado para amanhã”, escreveu Trump em uma nova publicação na Truth Social.
Segundo ele, os líderes acreditam que um acordo será firmado em breve.
“Não realizaremos o ataque ao Irã programado para amanhã, mas os instruí ainda a estarem preparados para prosseguir com um ataque em grande escala, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado”, acrescentou o presidente norte-americano citando o secretário da Guerra, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, General Daniel Caine e as Forças Armadas do país.
Com o breve alívio, os preços do petróleo operam em leve queda, mas ainda acima de US$ 100 o barril. Por volta de 10h30 (horário de Brasília), o contrato mais líquido do Brent, referência para o mercado internacional, para julho caía 1,12%, a US$ 108,01 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já o contrato futuro do West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, para junho tinha queda de 1,17%, a US$ 99,84 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, no mesmo horário.
No cenário doméstico, os investidores continuam cautelosos com o setor de chips. Ontem (18), as as ações da Seagate (STX) caíram mais de 10% durante o pregão após o CEO afirmar que as construção de novas fábricas ”levaria muito tempo”, em uma conferência do JP Morgan. Os papéis da companhia terminaram a sessão com queda de 6,87% (US$ 740,84).
O comentário exacerbou as preocupações de que a indústria de chips não tenha capacidade para atender à crescente demanda.
Em reação, as ações da concorrente Micron Technology (MU) também amargaram perdas com queda de 5,95% (US$ 681,54). Os papéis da Nvidia terminaram o dia com baixa de 1,33% (US$ 222,32).
Agora a expectativa é pelo balanço trimestral da Nvidia, que será divulgado amanhã (19) após o fechamento dos mercados.
Em segundo plano
Os investidores também ficam à espera da ata da última decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA). O documento será divulgado amanhã (20).
Em abril, o Fomc manteve os juros inalterados pela terceira vez consecutiva, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em uma decisão não unânime. Stephen Miran foi o único voto dissidente, para um corte de 0,25 ponto percentual.
Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.
No comunicado, o Fomc afirmou que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e acrescentou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”.