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5 motivos para investir em bitcoin ainda em 2020

29/08/2020 - 13:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Bitcoin aumentou 64% desde o início do ano, mas é o desafiador desempenho do mercado acionário que está atraindo a atenção de investidores. Porém, ainda existem bons motivos para investir na criptomoeda em 2020. A “bull run” está apenas começando? (Imagem: Pixabay/TheDigitalArtist)

Em 2017, o bitcoin teve um ano incrível, como uma “bull run” que deu aos investidores um rendimento de 1.350% e uma alta recorde de US$ 20 mil como presentes de Natal.

Porém, em 2018, o contexto foi diferente. O bitcoin perdeu 70% de seu valor, caindo de US$ 14 mil em 1º de janeiro para US$ 4 mil no fim do ano.

O mercado de baixa se estendeu por 2018 e 2019 e muitas empresas do setor não sobreviveram ao extenso “inverno cripto”.

No início de 2020, investidores começaram o ano com otimismo.

A pior parte do mercado de baixa pareceu ter acontecido enquanto comentadores cripto esperavam pelo terceiro halving da rede Bitcoin — que automaticamente reduziu pela metade a recompensa por bloco, de 12,5 BTC para 6,25 BTC — em maio deste ano para servir de catálise para uma nova “bull run”.

A pandemia da COVID-19 foi um evento de cisne negro que logo tirou as esperanças de um “bull market”. Em março, o bitcoin despencou abaixo de US$ 4 mil, uma queda de mais de 50% conforme investidores em todos os mercados se desesperaram por conta da realidade da pandemia.

Apesar dos prejuízos em março, a resposta caótica à pandemia pelos governos em todo o mundo, mercados globais se recuperaram bem desde então. Tanto o mercado para ouro como o de ações nos EUA atingiram novas altas este mês e os investidores cripto esperam que o bitcoin seja o próximo.

Se você está se perguntando “devo investir em bitcoin?”, aqui vão cinco motivos para te convencer…

Se você está se perguntando “devo investir em bitcoin?”, aqui vão cinco motivos para te convencer (Imagem: Unsplash/@ewankennedy19)

1. Adesão do bitcoin está crescendo em todo o mundo

A adesão global do bitcoin está lenta, mas está acontecendo. Por exemplo, o número de usuários da popular carteira Blockchain aumentou de forma estável ao longo de 2020. Dados da empresa mostram um aumento de 41 milhões para mais de 52 milhões de carteiras nos últimos doze meses.

Números de carteiras não apenas uma parte da história. O número de pessoas que detêm bitcoin em suas carteiras é pouco por investidores de varejo felizes em manter seus bitcoins com custodiantes como Coinbase ou Cash App da Square.

Square promove investimento em bitcoin equivalente a um investimento em ações.

O número de pessoas que compra bitcoin por meio do Cash App, por exemplo, continua a crescer. Square relatou um grande aumento em receita de bitcoin no segundo trimestre de 2020.

A empresa afirma que seu Cash App gerou US$ 875 milhões em receita, um aumento de 600% em relação ao ano anterior. O lucro bruto da empresa disparou 711% — um claro sinal do rápido crescimento da base de usuários que são compradores de bitcoin.

Enquanto isso, o volume de negociações na corretora cripto de ponto a ponto LocalBitcoins sugere que a adesão do bitcoin está crescendo em mercados emergentes.

Países como Quênia, México, Peru, África do Sul e Venezuela mostraram um aumento nos volumes de negociação em bitcoin ao longo de 2020.

80% dos investidores institucionais reconhecem
o potencial das cripto, afirma Fidelity

2. A proposta de valor do bitcoin é perfeitamente adequada ao ambiente macro

Existe uma crescente conscientização, tanto para pessoas como para empresas, da proposta única de valor do bitcoin e onde o bitcoin está em um ambiente macro incerto.

O grande macroinvestidor Paul Tudor Jones afirmou que bitcoin, em 2020, o lembra do papel que o ouro teve na década de 1970. Em um relatório intitulado A Grande Inflação Monetária, ele explica por que seu fundo Tudor BVI investiu entre 1 e 2% de seus ativos em contratos futuros de bitcoin.

A pandemia do coronavírus pegou a todos de surpresa, mas muitos ativos se recuperaram após drásticas quedas; o bitcoin é um deles(Imagem Freepik/geralt)

“COVID-19 é um vírus único que desencadeou uma resposta política em todo o mundo”, afirma Tudor Jones.

Aconteceu com tanta velocidade que até um veterano como eu ficou sem palavras. Desde fevereiro, um total global de US$ 3,9 trilhões (6,6% do PIB global) foi magicamente criado por meio do afrouxamento quantitativo.

Estamos vivenciando a Grande Inflação Monetária (GMI) — uma expansão sem precedentes de cada forma de dinheiro diferente de qualquer coisa que o mundo desenvolvido já viu.

Satoshi Nakamoto parece ter criado o bitcoin como uma possível solução a esse cenário. Em 2009, logo após o lançamento do whitepaper do Bitcoin, o criador pseudonímico do Bitcoin publicou em um fórum de internet:

O problema principal do dinheiro convencional é toda a confiança  necessária para fazê-lo funcionar. Deve-se confiar que o banco central não deprecie a moeda, mas a história das moedas fiduciárias é cheia de brechas dessa confiança.

Devemos confiar que bancos retenham nosso dinheiro e o transfiram eletronicamente, mas eles o emprestam em ondas de bolhas de crédito com praticamente uma fração de reservas.

De forma parecida, Raoul Pal, CEO da Real Vision, afirma que, conforme bancos centrais aderem ao afrouxamento quantitativo, o cenário está pronto para ativos sonantes como o bitcoin e o ouro terem ótimo desempenho:

Um enorme afrouxamento quantitativo de fiduciárias se encontra com o dinheiro mais sonante que é automaticamente afrouxado quantitativamente. O bitcoin vence. Esse é um dos melhores cenários em qualquer classe de ativos que eu já vivenciei… técnico, fundamental, fluxo de fundos e canalização.

E não são apenas macroinvestidores que estão dando atenção ao papel do bitcoin como uma possível proteção à economia tradicional.

Pequenas empresas também estão recorrendo ao bitcoin para sobreviverem. Este mês, Snappa, uma empresa de software de Ottawa, no Canadá, afirmou ter investido uma quantia significativa de suas reservas de dinheiro em bitcoin.

Em uma publicação, Christopher Gimmer, cofundador da Snappa, explicou por que acha que o bitcoin é um bom investimento:

Você prefere poupar dinheiro em uma moeda cujo fornecimento é inflacionado a cada ano? Ou você prefere poupar em uma moeda cujo fornecimento terminal é programadamente fixo?

Essa é uma pergunta que começamos a levar a sério conforme Snappa continua a escalar e produzir crescentes quantias de fluxo de ‘dinheiro livre’. Ficou ainda mais importante quando nosso banco reduziu nova conta-poupança de ‘altos juros’ para 0,45% este ano.

Isso significa que o poder de aquisição dos dólares canadenses e americanos está diminuindo logo após do ajuste de inflação. Felizmente, eu acredito que agora temos uma tecnologia de poupança bem mais superior. Essa tecnologia é o bitcoin.

“Estoque” representa o fornecimento total em circulação e “fluxo” representa a quantia do novo fornecimento por ano (Imagem: Unsplash/@cliffordgatewood)

3. E se o modelo de estoque-sobre-fluxo do bitcoin permanecer?

Um conceito de investimento chamado estoque-sobre-fluxo (do inglês “stock-to-flow” ou S2F) pode ser usado para quantificar a escassez de um bem. “Estoque” representa o fornecimento total em circulação e “fluxo” representa a quantia do novo fornecimento por ano.

Já que o Bitcoin é um software de código aberto com um cronograma fixo de fornecimento, é possível medir com 100% de precisão o S2F do bitcoin.

Após o terceiro halving do Bitcoin em maio, o atual S2F do Bitcoin é de 56, que é quase o mesmo do ouro. Porém, após o próximo halving, o bitcoin será duas vezes mais escasso que o ouro.

A escassez do bitcoin e sua proposta de valor

Um pseudônimo investidor chamado PlanB criou o modelo de S2F do bitcoin. Ele argumenta que a escassez no crescimento do bitcoin irá aumentar seu valor. Desde então, PlanB atualizou seu modelo original para um modelo de preço entre ativos.

Em termos de uma previsão de preço do bitcoin, esse modelo afirma que o preço do bitcoin pode atingir US$ 288 mil nesse ciclo se o modelo continuar a se sustentar.

Apesar de ninguém saber se irá se sustentar, dada a possibilidade de altos rendimentos, não seria bom ter uma pequena quantia investida em bitcoin, só para garantir?

Modelo do S2F de bitcoin entre ativos (S2FX) (Imagem: PlanBTC.com)

Embora existam críticos a esse modelo, outros investidores de alto nível prestaram atenção.

Em um relatório da Fidelity publicado em julho de 2020, a empresa americana de investimentos disse: “historicamente, commodities [com um alto S2F] serviram como reservas superiores de valor. O estoque-sobre-fluxo do bitcoin irá ultrapassar o do ouro após o próximo halving (em 2024)”.

De forma parecida, a americana Grayscale publicou um relatório afirmando que “commodities com altas proporção de estoque-sobre-fluxo como o bitcoin, ouro e prata foram historicamente usadas como reservas de valor”.

4. Wall Street está recorrendo a cripto

Em 2019, a Fidelity e a Intercontinental Exchange (ICE) lançaram, com sucesso, ofertas de negociação em criptoativos para investidores.

EUA Mercados Wall Street
Embora a relação entre os bancos americanos e a indústria blockchain sempre tenha sido difícil, parece que isso está mudando conforme os mercados cripto amadurecem (Imagem: REUTERS/Brendan McDermid)

Em maio, o maior banco de varejo dos EUA, JPMorgan (que têm um histórico de se opor ao bitcoin), anunciou que começou a processar transações em cripto e forneceu serviços bancários para as corretoras cripto americanas Gemini e Coinbase.

O banco também planeja criar JPM Coin, uma criptomoeda ligada ao dólar americano.

Também em maio, o departamento de Gestão de Riquezas do Goldman Sachs (GSWM) realizou uma conferência de consultoria de investimento chamada “Análise Econômica dos EUA e Implicações das Políticas Atuais para Inflação, Ouro e Bitcoin”.

Nessa conferência, o GSWM emitiu uma visão bem negativa sobre criptoativos. Grande parte das declarações ou eram imprecisas ou datadas e parece que essa postura não é de toda a empresa.

Criptomoedas como uma classe de ativos
e a falácia do espantalho do Goldman Sachs

Na verdade, desde então, dizem que Goldman está considerando emitir seu próprio criptoativo — provavelmente uma stablecoin (criptomoeda lastreada, por exemplo, em dólar).

A empresa também escolheu Matthew McDermott como novo chefe global de criptoativos, um sinal de que a empresa considera blockchain como uma parte importante da indústria financeira.

Embora a relação entre os bancos americanos e a indústria blockchain sempre tenha sido difícil, parece que isso está mudando conforme os mercados cripto amadurecem.

Em julho, o Escritório do Controlador da Moeda (OCC) afirmou, em uma carta interpretativa, de que bancos nacionais americanos e associações federais de poupança agora estão autorizadas a fornecer serviços de custódia de criptoativos para seus clientes.

bitcoin
O ouro já atingiu sua alta recorde, então o bitcoin ainda deve se provar como um grande ativo de proteção. Quanto tempo vai demorar para você entrar nessa? (Imagem: Pixabay/EivindPedersen)

5. O bitcoin sempre ultrapassou suas altas recordes após uma queda de preço

Por fim, para qualquer um que ainda estiver se perguntando “devo comprar bitcoin?”, nunca é demais analisar os dados históricos de preço.

O bitcoin teve muitos altos e baixos nos últimos dez anos e foi dado como “morto” mais de 380 vezes pela mídia tradicional. Porém, sempre conseguiu ultrapassar suas altas mais recentes, então não há motivos para pensar que isso não acontecerá novamente.

Em meados de 2011, o preço do bitcoin atingiu US$ 30 na corretora mais popular da época, Mt.Gox. Após o hack à corretora, o preço caiu para apenas US$ 2 em novembro de 2011 antes de se recuperar novamente em 2012.

Em abril de 2013, o bitcoin rapidamente ultrapassou a marca de US$ 260 antes de despencar em mais de 50% horas após a Mt.Gox não conseguir lidar com o aumento de volumes e ser atingida por um ataque de negação de serviço (DDoS).

O que podemos aprender com o fracasso
de 43 corretoras de criptoativos?

Apesar da queda na confiança de investidores no ecossistema de negociação do Bitcoin, só levou sete meses para o bitcoin novamente ultrapassar sua alta mais recente.

Por fim, para qualquer um que ainda estiver se perguntando “devo comprar bitcoin?”, nunca é demais analisar os dados históricos de preço (Imagem: Pixabay/EivindPedersen)

No fim de 2013, o bitcoin atingiu a marca simbólica de US$ 1 mil pela primeira vez, mas o preço gradualmente caiu para US$ 175 nos dois anos seguintes.

Dois anos depois, no início de 2017, o bitcoin atingiu novamente a marca de US$ 1 mil e ultrapassou sua alta recorde anterior para atingir sua alta recorde de US$ 20 mil em dezembro de 2017.

Dados históricos de preço sugerem que o bitcoin está apto para novamente exceder sua alta mais recente, apesar de isso poder levar alguns anos.

Se o modelo de estoque-sobre-fluxo continuar fazendo sentido não é o ponto principal, pois já existe interesse suficiente no bitcoin para sustentar um aumento lento e estável no preço.

Enquanto isso, o afrouxamento quantitativo e os crescentes níveis de dívida governamental irão contribuir para a inflação do preço de ativos e desvalorização da moeda.

O ouro já atingiu sua alta recorde, então o bitcoin ainda deve se provar como um grande ativo de proteção. Quanto tempo vai demorar para você entrar nessa?

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Última atualização por Gustavo Kahil - 29/08/2020 - 18:15