Banco do Brasil (BBAS3): Pressão de crédito não está mais restrita ao agro, aponta XP
Para a XP Investimentos, o Banco do Brasil (BBAS3) reportou mais um trimestre “fraco”, ainda que em linha com o esperado pela casa. Os analistas destacaram que a principal preocupação migrou do resultado em si para a piora do cenário.
“A pressão de crédito não está mais restrita ao Agronegócio“, afirmaram os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, em relatório.
A visão do trio considera que os NPLs iniciais (Non-Performing Loan: Crédito Não Produtivo, em inglês) – considerado uma métrica de inadimplência – de Pessoa Física (PF) aumentaram quase 90 pontos-base no trimestre a trimestre e subiram 200 pontos-base na comparação anual, “sugerindo pressão adicional à frente”.
“Além de o NPL 90+ seguir em trajetória de piora (+26bps T/T; +170bps A/A), observamos um aumento significativo da inadimplência em estágio inicial, de aproximadamente +90bps T/T (+200bps A/A), o que deverá pressionar ainda mais o NPL 90+ nos próximos trimestres”, diz o relatório.
Segundo os analistas, ao avaliar a composição da inadimplência por produto, fica claro que os empréstimos consignados têm sido a principal fonte de pressão, provavelmente refletindo a maturação das carteiras mais recentes, especialmente no consignado privado.
“Essa dinâmica é preocupante, já que esse era o único portfólio em que o banco vinha crescendo sem comprometer muito a qualidade de crédito”, avaliaram os analistas.
“Agora, esse segmento também apresenta sinais de deterioração, possivelmente impulsionados por efeitos de mix, um ambiente macro mais desafiador e até algum contágio vindo do agro”, acrescentaram.
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Agronegócio
A divisão de Agronegócios segue como um dos principais focos de atenção do mercados nos últimos trimestres.
Em relatório, os analistas da XP avaliaram que a preocupação com o segmento de Agronegócio vai além dos números fracos atuais, com indicadores antecedentes piorando.
“No portfólio de Agronegócio, os sinais parecem mais preocupantes do que o próprio dado negativo de qualidade de crédito — um movimento que, vale notar, já era em grande parte esperado”, destacaram.
O principal ponto de atenção, na visão da XP, é a intensificação do ritmo de recuperações judiciais (RJs).
“As RJs estão reacelerando e a safra 26/27 aponta para uma assimetria de risco negativa, mantendo não desprezível o risco de deterioração adicional. Esse cenário é agravado por recuperações fracas no trimestre”, destacaram.
Apenas em abril, que marca o início da temporada anual de vencimentos, o volume financeiro de RJs atingiu cerca de R$ 650 milhões, quase metade do observado em todo o segundo trimestre de 2025 (2T25), “sinalizando uma dinâmica de crédito mais desafiadora à frente”.
Corte no Guidance
Os analistas da XP também destacaram a nova revisão de guidance do banco, que já era esperada pelo mercado.
A principal mudança diz respeito ao lucro. Se antes o banco projetava lucrar de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões, agora projeta lucrar de R$ 18 a R$ 22 bilhões. Ou seja, o teto virou piso.
Nas contas da casa, BBSA3 está negociando a aproximadamente 6 vezes o preço sobre lucro no novo ponto médio do guidance, com espaço para novas revisões para baixo dada o baixo nível de visibilidade e a assimetria de riscos negativa.
A XP tem recomendação neutra para o papel.
Nesta quinta-feira (14), os papéis do BB operaram sem direção única. Por volta de 12h (horário de Brasília), BBAS3 subia 0,48%, a R$ 20,86. Mais cedo, as ações chegaram a recuar 4,91% (R$ 19,74), na mínima intradia. Acompanhe o Tempo Real.