Economia

BC vê expectativa desancorada até 2028 e inflação pressionada por economia aquecida, diz Galípolo

19 maio 2026, 11:41 - atualizado em 19 maio 2026, 11:42
Gabriel Galípolo banco central
(Imagem: Roque de Sá/Agência Senado)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que o avanço das expectativas de inflação para 2028 tem aumentado a complexidade do trabalho da autoridade monetária e sinaliza uma persistência maior das pressões inflacionárias no país.

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Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo disse que a desancoragem em horizontes mais longos “não é simples de explicar”, especialmente porque os choques recentes já deveriam ter perdido força até lá.

“2028 deveria ser um horizonte onde esse choque de oferta já deveria ter se propagado”, afirmou o presidente do BC. Segundo ele, a deterioração adicional das projeções para aquele período mostra que parte do mercado ainda vê dificuldades para a inflação convergir de forma consistente para a meta de 3%.

Galípolo ressaltou que o cenário atual combina dois fatores que tornam o ambiente mais desafiador para a política monetária: choques externos de oferta e uma economia doméstica ainda bastante aquecida. O presidente do BC citou como exemplos recentes a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, o tarifaço global e, mais recentemente, o conflito envolvendo os Estados Unidos e Irã.

Na avaliação do presidente da autoridade monetária, esses episódios elevaram o nível geral de preços globalmente e dificultaram o processo de desinflação observado pelos bancos centrais. “As pessoas convivem com o nível de preço, não com a inflação”, disse.

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Galípolo também destacou que a atividade econômica brasileira segue resiliente, mesmo diante do ciclo prolongado de juros elevados. Segundo ele, a inflação de serviços continua pressionada, refletindo uma economia aquecida, com desemprego em mínimas históricas e renda em crescimento.

“A inflação de serviços também está bastante pressionada, denunciando uma economia bastante aquecida”, afirmou.

O presidente do BC ainda reconheceu que o Brasil convive historicamente com uma situação incomum para outros países que são juros elevados por períodos prolongados sem desaceleração significativa do mercado de trabalho. Segundo ele, isso reforça a existência de fatores estruturais que reduzem a potência da política monetária no país.

“Não é simples explicar como o Brasil sustenta uma taxa de juros tão alta durante um período tão prolongado e ainda assim tem a menor taxa de desemprego da série histórica. […] é um pouco dissonante para aquilo que se espera dos mecanismos de transmissão da política monetária” disse.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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