Bradesco (BBDC4): Por que ação cai forte, apesar de resultados acima do esperado
O Bradesco (BBDC4) dava sinais de que teria uma sessão de gala após entregar resultados acima do esperado.
As ADRs negociadas em Nova York chegaram a subir mais de 3% no after-market depois da divulgação dos números. Porém, o mercado virou nesta sessão, e os papéis passaram a cair 3,53% por volta das 11h41.
Mesmo com a alta do lucro, da rentabilidade e das margens, um ponto chamou atenção: a disparada das provisões. A linha avançou 26,5% em um ano e 9,5% no trimestre, para R$ 9,6 bilhões, acendendo um sinal de alerta em parte do mercado.
A XP Investimentos, por exemplo, afirmou que a qualidade dos ativos merece monitoramento mais atento, já que as provisões aceleraram.
Segundo a casa, o custo do risco subiu 3,5%, pressionado por um caso específico no atacado e pela normalização do segmento massificado, embora os índices de inadimplência e cobertura sigam amplamente sob controle.
O CEO do banco, Marcelo Noronha, tratou de minimizar a piora das provisões. Segundo ele, o movimento está ligado a um caso específico no atacado.
“Não posso comentar individualmente sobre operações, mas trata-se de um caso em recuperação no qual, por uma postura mais conservadora, decidimos elevar o nível de provisão”.
Índice de capital
Um gestor que conversou com o Money Times afirmou ter se surpreendido com a reação negativa do mercado.
“No geral, o resultado veio bom”. Segundo ele, porém, algumas métricas geraram preocupação, como o índice de capital. “O índice antes da ajuda da Bradesco Saúde caiu mais do que se esperava”.
No atacado, a PDD expandida somou R$ 800 milhões, de R$ 300 milhões no trimestre anterior. No caso do massificado, a PDD expandida somou R$ 8,8 bilhões, de R$ 8,5 bilhões no quarto trimestre de 2025.
Bradesco: Exagero?
Para Flavio Conde, da Levante Investimentos, a reação do mercado foi exagerada.
“Se a provisão aumentou R$ 900 milhões, houve recuperação de R$ 400 milhões. Ou seja, o montante provisionado líquido seria de R$ 450 milhões”.
Segundo ele, o Bradesco conseguiu compensar o aumento das provisões com crescimento de margem, diferentemente do Itaú (ITUB4).
“Eu acho que as ações deveriam estar subindo, e não caindo. O resultado foi melhor que o esperado. Entre os balanços de Santander (SANB11) e Itaú, foi o melhor”.
A Levante mantém recomendação de compra para o banco, com preço-alvo de R$ 23 para as ações.