Moura Dubeux (MDNE3) sobe 2% após lucro recorde no 1T26; é hora de comprar?
Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações da Moura Dubeux (MDNE3) operam em alta nesta quinta-feira (7), um dia após a empresa divulgar que teve lucro líquido de R$ 155,5 milhões nos primeiros três meses de 2026 (1T26), o maior resultado já registrado pela incorporadora em um único trimestre.
Os papéis chegaram a subir mais de 2% na abertura do pregão, cotados a R$ 31,29 na máxima. Porém, perderam força ao longo da manhã, e, por volta das 11h26 (horário de Brasília), avançavam perto de 1%, a R$ 31,09. Acompanhe o tempo real.
De acordo com o balanço divulgado na noite quarta-feira (6), a receita líquida da incorporadora recifense somou R$ 627 milhões entre janeiro e março, expansão de 43% frente aos R$ 438 milhões apurados um ano antes.
Já o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 168,4 milhões, avanço de 89% na mesma base de comparação.
Para o analista Caio Nabuco de Araujo, da Empiricus Research, os números vieram acima das expectativas do mercado e mostraram continuidade do forte ciclo operacional da companhia observado nos últimos trimestres.
Segundo ele, o avanço da receita foi impulsionado principalmente pelo modelo de condomínio, com destaque para o reconhecimento de receitas ligadas à comercialização e urbanização de terrenos.
Esse fator, na visão de Araujo, ajudou a elevar a rentabilidade da incorporadora: a margem bruta ajustada alcançou 41,9%, avanço de 6,3 pontos percentuais na comparação anual e de 8,2 pontos frente ao trimestre anterior.
“De forma geral, os resultados reforçam o bom momento da empresa, sustentado pelo modelo de condomínio, elevada eficiência operacional e boa dinâmica comercial [vendas] no Nordeste”, escreveu o analista, em relatório.
O modelo de condomínio da Moura Dubeux, cabe ressaltar, funciona no regime de construção a preço de custo, em que os compradores financiam diretamente a obra.
Na prática, diferentemente da incorporação tradicional, o formato reduz a necessidade de capital próprio e a exposição do caixa da companhia.
Desempenho operacional
Em termos operacionais, a empresa lançou oito projetos no 1T26, que somaram R$ 1,3 bilhão em valor geral de vendas (VGV) líquido — mais que o triplo do volume registrado no mesmo período de 2025.
Os distratos (cancelamentos), por sua vez, totalizaram R$ 44,5 milhões, uma queda de 22,5% frente aos R$ 57,4 milhões apurados um ano antes — níveis considerados “reduzidos” por Araujo.
Já o índice de velocidade de vendas (VSO) líquido ficou em 21,5% no trimestre e em 52,4% na janela de 12 meses, indicando, segundo o analista, “boa velocidade de absorção, mesmo diante do maior volume de lançamentos”.
O 1T26 também marcou a entrada da Ún1ca, marca da Moura Dubeux voltada ao segmento econômico, em duas SPEs ligadas à joint venture com a Direcional (DIRR3), ampliando a presença da companhia no Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
De acordo com Araujo, negociando a um múltiplo preço/lucro (P/L) de 5 vezes para 2026, os papéis MDNE3 permanecem entre as recomendações da Empiricus.
O que diz o BTG Pactual
Na mesma linha, o BTG Pactual avaliou que a Moura Dubeux entregou “fortes resultados em todos os aspectos”.
Segundo o banco, a receita líquida ficou 5% acima das projeções, enquanto a margem bruta ajustada superou as estimativas em 420 pontos-base, impulsionada pelo reconhecimento das taxas de comercialização de terrenos.
A casa também destacou que o lucro por ação (LPA) totalizou R$ 1,66 entre janeiro e março, alta anual de 99% e 13% acima das projeções.
Queima de caixa e alavancagem
A Moura Dubeux reportou queima de caixa de R$ 124 milhões no primeiro trimestre, o que, segundo o BTG, era esperado uma vez que a empresa tem expandido suas operações, o que exige mais capital para a compra de terrenos.
Ao final de março, a incorporadora apresentava dívida líquida de R$ 83,6 milhões, recuo de 74,2% em relação ao 4T25, quando estava em R$ 324 milhões.
Vale destacar que, no início deste ano, a companhia concluiu sua oferta pública primária de ações, com preço de R$ 25 por papel e captação total de R$ 482,6 milhões.
“Considerando dividendos, recompras de ações e a oferta concluída em fevereiro, a dívida líquida encerrou o trimestre em um nível baixo, implicando uma alavancagem de apenas 4%”, avaliou o banco.
“Os resultados do 1T26 foram fortes, com margens robustas e LPA acima das estimativas do consenso. Por isso, esperamos uma reação positiva do mercado hoje”, acrescentou.
“Mantemos visão positiva para MDNE3, pois o segmento dos condomínios está apresentando um bom desempenho, a empresa está aumentando sua exposição ao segmento MCMV, mantendo uma estrutura de capital enxuta, além de estar sendo negociada a apenas 5,5 vezes o múltiplo P/L estimado para 2026.”
A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 44, o que indica potencial valorização de cerca de 43%.
O que diz a XP
Na mesma linha, a XP Investimentos classificou os resultados da Moura Dubeux como “sólidos”, destacando surpresa positiva no lucro líquido, que ficou 20,2% superior às projeções.
Além disso, segundo a corretora, a receita líquida ficou 5,8% acima das estimativas, impulsionada pela forte expansão das receitas brutas do segmento de condomínios, que avançaram 153,1% em um ano, compensando a queda no nicho de desenvolvimento, que foi de -18,2%.
A casa também manteve recomendação de compra para as ações MDNE3, com preço-alvo de R$ 38, o que representa potencial alta de 23% frente à cotação atual.