Minerva (BEEF3): BTG aponta redução para ‘almofada de segurança’ após 1T26; hora de comprar?
A Minerva Foods (BEEF3) entregou um primeiro trimestre de 2026 (1T26) com execução operacional considerada sólida pelo BTG Pactual, mas o banco segue cauteloso com a tese da companhia por conta do elevado endividamento e da pressão sobre a geração de caixa. O banco mantém recomendação neutra para ação e preço-alvo de R$ 7.
Em relatório divulgado após os resultados, o BTG destacou que a empresa conseguiu navegar bem em um cenário marcado por alta do preço do gado, volatilidade cambial e desafios logísticos, usando sua diversificação geográfica para preservar margens.
Ainda assim, o ponto que mais chamou atenção dos analistas foi a redução da chamada “almofada de segurança” da companhia — referência ao elevado nível de caixa historicamente mantido pela Minerva.
No trimestre, a posição de caixa caiu R$ 4 bilhões, encerrando março em R$ 10,8 bilhões. Segundo o banco, cerca de R$ 3 bilhões desse montante foi utilizado para reduzir a dívida bruta.
“O grande volume de caixa sempre funcionou como uma espécie de seguro para a Minerva”, escreveram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla. Apesar de oferecer maior flexibilidade em momentos de estresse no setor, o BTG lembra que manter caixa elevado também tem custo, já que o rendimento financeiro desses recursos é inferior ao custo da dívida da empresa.
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A dívida líquida da Minerva avançou R$ 940 milhões no trimestre, principalmente por conta das necessidades de capital de giro. Ainda assim, o banco avaliou positivamente o movimento de redução da alavancagem bruta.
Além disso, a instituição ressaltou que a política mínima de caixa da companhia — equivalente a cerca de três meses de compras de gado — gira em torno de R$ 11 bilhões, praticamente o mesmo patamar reportado ao fim do trimestre.
BEEF3: Operação forte, mas valuation ainda limita tese
Do lado operacional, o BTG avaliou que a Minerva conseguiu preservar sua rentabilidade ao reduzir o ritmo de abates no Brasil, diante do encarecimento do boi, e ampliar operações em outros países da América do Sul.
O banco também chamou atenção para a queda da participação das exportações nas vendas brasileiras, que recuou para 58,7%, movimento atribuído à melhora dos preços domésticos da carne bovina no Brasil.
Apesar dos elogios à operação, o BTG manteve recomendação neutra para as ações da Minerva.
Na visão do banco, o principal problema segue sendo o custo implícito do endividamento, que consome grande parte da geração operacional de caixa e reduz o potencial de retorno ao acionista.
Os analistas afirmam que poderiam ter uma visão mais construtiva para o papel caso a companhia adotasse uma estratégia ainda mais conservadora de desalavancagem, mesmo que isso implique menor pagamento de dividendos e redução de investimentos no curto prazo.
O BTG também vê como sinais positivos a decisão da empresa de distribuir dividendos mínimos ao fim de 2025 e a percepção de que, após a transação com a Marfrig, a Minerva deve evitar grandes aquisições nos próximos anos.
Ainda assim, o valuation não convence totalmente. Segundo o banco, o fluxo de caixa livre estimado para o acionista em 2027 implica um “FCF yield” de apenas 9%, patamar considerado pouco atrativo no cenário atual.