Brasil troca EUA por China, Vietnã e Indonésia e repõe perdas do tarifaço, diz ministro
O Brasil conseguiu recuperar parte das perdas nas exportações provocadas pelo tarifaço aplicado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, com outros parceiros comerciais, segundo Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em evento promovido nesta segunda-feira (14) pela Esfera Brasil, em São Paulo, Rosa afirmou que as exportações brasileiras para 57 países cresceram 10,5% de um ano para cá – período marcado pelas taxações.
“É lamentável que tenhamos perdido [exportações] porque os EUA são o principal parceiro aqui no hemisfério. É ele quem importa, por exemplo, bens de valor agregado”, disse o ministro.
“Mas aquilo que perdemos com os Estados Unidos, conseguimos repor com outros parceiros comerciais”, prosseguiu.
De acordo com Rosa, a recuperação não ocorreu apenas por meio da China, mas também com outras economias asiáticas, além de nações da própria América do Sul.
“O Brasil soube se posicionar muito bem nesse contexto geopolítico, e eu estou me referindo à crise com os Estados Unidos sobretudo, porque conseguiu buscar e realizar diversificação de mercados”, afirmou.
“Não [houve reposição] apenas com a China, mas com Vietnã, Indonésia e todos os países da Ásia. Houve um pouco na América do Sul também”, acrescentou.
O ministro do MDIC também ponderou que a defesa comercial tem caminhado na direção da formação de blocos, citando como exemplo o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE).
“O mundo está se reorganizando. Acho que China e Estados Unidos ou voltam a praticar regras do multilateralismo ou correm o risco de se isolar.”
Minerais críticos
Rosa também afirmou que, embora tenha uma das maiores reservas de terras raras, minerais críticos e estratégicos do mundo, o Brasil não conseguirá dominar sozinho toda a cadeia produtiva — da mineração à transformação do insumo em produto final.
Para o ministro, será necessário estabelecer parcerias com outras economias, como a própria China e os Estados Unidos, para aproveitar a posição brasileira na oferta desses recursos e, ao mesmo tempo, ampliar a geração de valor dentro do país.
“O Brasil não vai ser capaz de realizar da mineração à transformação no insumo final, no produto final. Mas nós não podemos tratá-lo apenas como commoditie”, disse.
“O país precisa ter parceiros. E a opção do governo do presidente Lula é exatamente essa. O acordo que nós podemos fazer sobre minerais críticos com a China é o mesmo que nós podemos fazer com os Estados Unidos”, acrescentou.
Minerais críticos e tecnologia
A discussão sobre minerais críticos está diretamente ligada à corrida global por novas tecnologias, especialmente inteligência artificial (IA), semicondutores e infraestrutura de dados.
Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a América Latina, que também participou do evento, afirmou que a disputa tecnológica entre países não envolve apenas a capacidade de desenvolver produtos, mas também a busca por produtividade e competitividade.
“Se a gente está falando de briga geopolítica hoje, não é só por alimento, mas é para quem vai definir e quem vai dominar o lado tecnológico”, ponderou.
Para o executivo, o Brasil precisa avançar em três frentes principais: formação de profissionais qualificados, desenvolvimento do mercado de capitais e investimentos em infraestrutura.
“Você precisa ter gente, e gente qualificada para você criar as tecnologias corretas. Depois, você tem que pensar no mercado de capital, porque investimento em tecnologia demanda muito recurso”, afirmou.
Apesar da necessidade de desenvolver capacidade própria, Tonisi afirmou que não seria realista esperar que o Brasil consiga produzir sozinho todos os componentes necessários para a nova economia digital.
O executivo citou a fabricação de chips avançados como exemplo. Segundo ele, a produção está concentrada em empresas como TSMC e Samsung, o que torna necessária a cooperação internacional.