Dólar avança e volta ao nível próximo de R$ 5,20: confira os quatro motivos que explicam o movimento
O dólar à vista ganha força nesta segunda-feira (14) com uma combinação de fatores domésticos e externos. Por volta de 11h50 (horário de Brasília), a divisa avançava 5,1680% (+0,83%). Mais cedo, a moeda chegou a ser cotada em R$ 5,1830 (+1,12%).
Parte do movimento acompanha o exterior. No mesmo horário, o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes como euro e libra, subia 0,47%, aos 99,588 pontos.
Os motivos por trás da alta
A pressão doméstica vem do ‘trade eleitoral‘. Os recentes desdobramentos do Caso Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) concentram as atenções dos investidores com possíveis informações sobre o escândalo envolvendo o filme ‘Dark Horse’ e o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
O senador tem ganhado o favoritismo no mercado financeiro. Casas como Mar Asset, Ace Capital, Ibiuna Investimentos e Ativa Investimentos têm apontado Flávio como o possível vencedor das eleições à Presidência da República, reforçando o otimismo por uma mudança de governo.
Hoje, as pesquisas continuaram a mostrar uma disputa acirrada. A BTG Pactual/Nexus mostrou Lula voltando a superar numericamente o senador, com 47% a 46% em um eventual segundo turno.
A Quaest também mostrou um avanço de Flávio no segundo turno. Lula tem 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 42% O presidente perdeu 1 ponto ante levantamento anterior, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro cresceu 1 ponto nas intenções de voto registradas há uma semana, quanto ambos tinham 41%.
Há também a pressão externa com a disparada dos preços do petróleo e a busca por proteção em dólares por meio de título do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.
O barril do Brent, referência para o mercado internacional, opera próximo a US$ 110 por barril após novos ataques do Irã atingirem um oleoduto da Arábia Saudita no Estreito de Ormuz e resultar na interrupção do escoamento do óleo e o adiamento de uma reunião entre países do Golfo Pérsico para discutir a rota temporária da via marítima.
Já o rendimento do Treasury de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, superou a marca psicológica de 5% nesta manhã, no maior nível desde meados de 2023.
O mercado também consolidou a aposta de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) na próxima quarta-feira (16), depois de dados de inflação mais fortes do que o esperado. Hoje, o mercado precifica quase 90% de chance de um ajuste de 0,25 ponto percentual para cima no Fed Funds, levando os juros para a faixa de 3,75% para 4,00%.
Quanto mais o Fed sobe os juros, melhor para o dólar, que se torna comparativamente mais atrativo à medida que os rendimentos dos Treasuries avança, reduzindo o apetite por risco em outros mercados como o Brasil.
“Uma mensagem de rigor na política monetária por parte do Fed na quarta-feira pode ajudar a reconstruir gradualmente a correlação positiva entre o dólar e os rendimentos dos Treasuries, permitindo que a moeda americana funcione de maneira mais eficiente como ativo de proteção”, avalia Francesco Pesole, estrategista de câmbio do ING.
Para ele, o DXY deve se manter na faixa de 99,50 a 100 pontos no curto prazo.
“A moeda ainda tem espaço para acompanhar a elevação das taxas na ponta curta da curva, enquanto o Fed pode manter um tom hawkish diante da demanda do mercado de títulos por credibilidade da política monetária e da recente alta dos preços de energia”, acrescenta Pesole.
Bolsas em queda
Os fatores que dão fôlego ao dólar no mercado à vista também são os que pressionam os principais índices acionários. O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, tinha recuo de 1,13%. aos 185.088,16 pontos, por volta de 11h55.
O iShares MSCI Brazil (EWZ), que é um fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro — e que também opera influenciado por fatores externos –, também opera com alta de queda de quase 2% desde o início do pregão com piora do humor global.
Em Wall Street, o S&P 500 caía 0,83% ( 7.595,91 pontos), Dow Jones tinha baixa de 0,52% ( 52.306,10 pontos) e Nasdaq recuava 1,04% ( 26.062,579 pontos). Por lá, a pressão também é dada pela renovação de cautela com o setor de tecnologia focada em inteligência artificial (IA).