Brava Energia (BRAV3): Dois bancos rebaixam recomendação após entrada de Ecopetrol; hora de vender a ação?
A Brava Energia (BRAV3) retornou aos holofotes dos investidores na semana passada após a Ecopetrol adquirir 26% de participação e anunciar a intenção de aumentar a fatia para 51% para assumir o controle da junior oil.
O movimento, que acontece em meio a escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, chamou a atenção dos analistas e resultados em várias revisões por parte dos bancos.
Nesta segunda-feira (27), o JP Morgan rebaixou a recomendação das ações da BRAV3 de compra para neutra com preço-alvo de R$ 20 em dezembro, o que ainda representa um potencial de valorização de 5,2% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira (24). O preço-alvo anterior era de R$ 23.
Além de JP Morgan, o Morgan Stanley também rebaixou a recomendação das ações BRAV3 para neutra, em relatório divulgado na última sexta-feira. O preço-alvo foi cortado de R$ 28 para R$ 23 – o que ainda implica em uma alta de 21% sobre o preço de fechamento anterior nos próximos oito meses.
Hoje, as ações operaram em alta com apoio do petróleo, mas zeraram os ganhos na reta final do pregão. BRAV3 encerrou com queda de 0,11%, a R$ 18,99.
Por que não é mais hora de comprar BRAV3?
Os analistas do JP Morgan consideram que no Oriente Médio alterou significativamente a dinâmica global de oferta e demanda, levando-os a revisar para cima as premissas de preço do petróleo, além de incorporar os relatórios mais recentes de certificação de reservas e os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25).
O banco agora projeta o barril do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, a US$ 85 o barril no final de 2026, ante a estimativa anterior de US$ 62.
“As estratégias de hedge de Brava limitaram sua capacidade de capturar todo o potencial de alta dos preços do petróleo, resultando em uma geração de valor ao acionista menos atrativa em comparação à Prio”, escreveram os analistas Milene Carvalho, Rodolfo Angele e Henrique Cunha em relatório.
O banco também rebaixou recomendação de PetroReconcâvo (RECV3) para neutra.
Eles também consideram que a proposta de OPA da Ecopetrol para adquirir 51% de participação na junior oil levanta preocupações quanto à governança e à direção estratégica para os acionistas minoritários.
Na mesma linha, o Morgan Stanley acredita que o preço de oferta da Ecopetrol, de R$ 23 por ação, deve atuar como uma âncora no curto prazo, limitando o potencial de valorização dos papéis.
“O racional da operação não é imediatamente evidente, especialmente em termos de ganhos operacionais, mesmo considerando o preço de entrada atrativo para a Ecopetrol”, escreveram Bruno Montanari, Thiago Casqueiro e Luiza Belém em relatório.
Os analistas do banco também avaliam que, além de potenciais benefícios financeiros, as sinergias estratégicas entre Ecopetrol e Brava permanecem incertas neste momento.
“Na nossa visão, há poucas sinergias incrementais ou melhorias operacionais sob a estrutura proposta, além de maior acesso a capital e possível melhora no rating de crédito”, acrescentaram.
- LEIA TAMBÉM: Controle sem 100%: por que a Ecopetrol não precisa fechar o capital da Brava Energia (BRAV3)