Economia

BTG revisa projeções, mas ainda vê Selic em 13%; entenda a visão do banco

08 maio 2026, 11:43 - atualizado em 08 maio 2026, 11:44

O BTG Pactual manteve sua projeção de taxa Selic terminal em 13% ao ano, mesmo diante de uma deterioração do cenário inflacionário e de um ambiente global mais pressionado pelo choque do petróleo.

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Em relatório macro divulgado nesta sexta-feira (8), o banco reconhece que o risco para os juros “ficou para cima”, mas avalia que o Banco Central ainda deve optar por um ciclo gradual de cortes, com reduções de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Segundo os economistas da instituição, a comunicação recente do BC “não trouxe uma pausa iminente para a mesa”, embora a função de reação da autoridade monetária tenha ficado “menos clara” em meio ao avanço das pressões inflacionárias.

O relatório pondera que, caso o BC passe a perseguir de forma mais rígida a meta de inflação de 3% no horizonte relevante, a Selic poderia terminar o ciclo acima do cenário-base projetado atualmente.

Ainda assim, o BTG entende que há espaço para alguma tolerância temporária com a inflação, preservando a estimativa de juros em 13% ao fim do ciclo. “As projeções perderam poder informacional sobre a extensão do ciclo”, afirmam os economistas.

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Inflação mais alta no horizonte

O principal ponto de revisão do relatório veio justamente na inflação. O banco elevou sua projeção para o IPCA de 2026 de 4,7% para 4,9%, enquanto a estimativa para 2027 passou de 4,1% para 4,2%.

De acordo com o BTG, a piora reflete uma combinação de fatores: aceleração disseminada dos núcleos de inflação, resiliência dos serviços subjacentes e pressão maior sobre bens industriais desde dezembro.

Além disso, o banco chama atenção para a defasagem ainda elevada nos combustíveis, estimada em cerca de 45% para gasolina e diesel antes de eventuais subsídios, o que mantém o balanço de riscos “assimétrico para cima”.

No cenário externo, o relatório aponta que o conflito no Oriente Médio continua sendo o principal vetor de pressão inflacionária global. Mesmo após um cessar-fogo entre Irã e EUA, o fluxo no Estreito de Ormuz segue comprometido, mantendo o petróleo acima de US$ 100 por barril.

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Com isso, bancos centrais ao redor do mundo passaram a adotar um tom mais duro. O BTG destaca que o Federal Reserve perdeu espaço para novos cortes de juros, enquanto o Banco Central Europeu já se aproxima de um cenário de alta adicional de juros em junho.

Dólar em R$ 4,90

Para o Brasil, porém, o choque do petróleo tem um efeito ambíguo. Embora pressione a inflação doméstica, melhora as contas externas do país.

O banco revisou sua projeção para o dólar no fim de 2026 de R$ 5,20 para R$ 4,90, sustentado pelo aumento das exportações de petróleo, melhora dos termos de troca e diferencial elevado de juros.

O BTG também elevou sua projeção de superávit comercial para US$ 90 bilhões em 2026, destacando que o Brasil aparece como um dos emergentes mais beneficiados pelo atual choque energético global.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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