Plano&Plano (PLPL3) e Eztec (EZTC3): O que chamou atenção dos analistas no 1T26
Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações das construtoras Plano&Plano e Eztec reagem de forma positiva, embora em ritmos diferentes, aos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), divulgados pelas companhias na véspera.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), os papéis PLPL3 avançavam 5,67%, cotados a R$ 10,62, enquanto EZTC3 subia 0,1%, a R$ 14,06, na bolsa de valores (B3).
O 1T26 da Plano&Plano
Entre janeiro e março, a Plano&Plano, uma das principais construtoras focadas no segmento econômico e no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), registrou lucro líquido de R$ 44,1 milhões, queda de 45,4% frente ao mesmo período de 2025.
Já a receita líquida total da companhia atingiu R$ 738,3 milhões, valor 21,4% maior que o reportado um ano antes.
O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 91,6 milhões, retração de 16% na mesma base de comparação. A margem Ebitda ajustada ficou em 12,4%, recuo de 5,5 pontos percentuais.
Apesar da reação positiva das ações, o BTG Pactual avaliou que os resultados da construtora “foram fracos”, principalmente devido às margens reduzidas nos projetos do programa “Pode Entrar”, que estão atualmente em fase de entrega e com alguns estouros de custos.
O ‘Pode Entrar”, cabe ressaltar, é um benefício habitacional da Prefeitura de São Paulo voltado à produção de moradias populares para famílias de baixa renda. Empresas como a Plano&Plano atuam nesses empreendimentos.
Queima de caixa
No 1T26, a companhia reportou uma queima de caixa de R$ 101 milhões, refletindo, segundo o BTG, o forte crescimento operacional, ou seja, maiores desembolsos para construção, uma vez que os lançamentos aumentaram significativamente nos últimos 12 meses.
Como resultado, a empresa encerrou março com uma dívida líquida de R$ 146 milhões, equivalente a um indicador de dívida líquida sobre patrimônio líquido de 12%, ainda considerado pela casa em “nível confortável”.
“Os resultados foram fracos, refletindo uma combinação de margens pressionadas. A margem bruta caiu 4,55 pontos percentuais na comparação anual, para 29,4%. Mas, mais importante, após um trimestre fraco, vemos riscos de revisões negativas nas estimativas de lucro por ação para 2026”, avaliou o BTG.
Ainda assim, o banco manteve recomendação de compra para a companhia, destacando que as ações acumulam queda de 27% no ano e que o segmento do Minha Casa, Minha Vida segue resiliente.
O preço-alvo é de R$ 23, o que representa potencial de valorização de cerca de 116% frente à cotação atual.
‘Efeito não recorrente’
A Eleven Financial também classificou o resultado como “fraco”, dizendo que foi pressionado pela contração das margens do programa Pode Entrar.
A casa, no entanto, avalia que o impacto tende a ser não recorrente, já que decorreu do esforço para garantir a entrega das unidades dentro do prazo previsto, o que ajuda a explicar a reação positiva das ações.
“Adicionalmente, a conclusão dessas entregas destrava o pagamento das últimas parcelas do programa, estimadas em aproximadamente R$ 50 milhões para o segundo trimestre. Diante disso, reiteramos nossa recomendação de compra para PLPL3”, afirmou a instituição.
O preço-alvo da Eleven é de R$ 26, o que indica potencial de valorização de cerca de 159%.
O 1T26 da Eztec
A Eztec, por sua vez, apresentou “números mistos” no 1T26, com lucro líquido 15% acima das expectativas, segundo análise da XP Investimentos.
Entre janeiro e março, a incorporadora voltada ao segmento de alto padrão registrou lucro líquido de R$ 119,7 milhões, avanço de 27,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
A melhora do resultado veio, principalmente, de um aumento importante na receita com juros dos financiamentos concedidos a clientes, venda de um terreno, além do reconhecimento de receitas originadas em projetos feito com construtoras parceiras.
Já a receita líquida somou R$ 323 milhões no 1T26, alta anual de 4%, mas 10% abaixo das estimativas da XP e 13% inferior ao consenso de mercado.
O desempenho foi explicado principalmente pela superação de cláusulas suspensivas em projetos como o Metropolitan by Lindenberg, que já está 70% vendido, e pela venda de estoque performado, que totalizou R$ 102 milhões no trimestre.
Além disso, a companhia reconheceu R$ 23 milhões referentes a um reembolso de aquisição de terreno na SPE Ypê.
“Avaliamos os resultados da Eztec como mistos. A receita ficou abaixo das nossas expectativas, mesmo considerando o reembolso de venda de terreno. Já as margens brutas foram o principal destaque positivo, superando nossa projeção conservadora”, afirmou a XP.
“Não esperamos reação relevante das ações e mantemos postura neutra para o papel, justificada por um ROE ainda inferior ao dos pares.”