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CEO do GPA (PCAR3) vê dívida cair até 75% após recuperação extrajudicial e foca em geração de caixa

15 maio 2026, 11:44 - atualizado em 15 maio 2026, 11:45
CEO GPA
Alexandre Santoro, CEO do GPA (Imagem: Divulgação GPA)

O atual CEO do GPA (PCAR3) Alexandre Santoro, afirmou nesta sexta-feira (15) que a conclusão do plano de recuperação extrajudicial pode reduzir a dívida líquida financeira da companhia em até 75%, em meio aos esforços da varejista para reorganizar o balanço e recuperar a geração de caixa.

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“Esse acordo tem o potencial de reduzir a dívida líquida em até 75% de maneira proforma”, afirmou o executivo durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026.

Santoro, que assumiu o comando do GPA em janeiro deste ano, reforçou diversas vezes ao longo da conferência que a prioridade da companhia agora é estabilizar a operação, simplificar estruturas e melhorar a execução nas lojas.

“O lema aqui nosso é fazer o básico bem feito”, disse.

Segundo o CFO, Pedro Albuquerque, quando a atual gestão chegou à companhia, o GPA estimava desembolsos de aproximadamente R$ 5,2 bilhões nos próximos dois anos. Com a conclusão da recuperação extrajudicial, esse valor deve cair para cerca de R$ 700 milhões.

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A companhia também estima que o prazo médio da dívida avance de 2,1 para 6,4 anos, enquanto o custo médio deve cair de CDI +1,8% para CDI +0,5% ao ano.

Além disso, o GPA projeta reduzir a dívida líquida financeira para R$ 822 milhões em base proforma após a conclusão da recuperação extrajudicial, o equivalente a uma alavancagem de 0,9 vez.

GPA reduz estrutura e mira eficiência

Durante a teleconferência, a gestão detalhou uma série de medidas para cortar custos e adaptar a operação ao novo tamanho da companhia. Segundo Santoro, o GPA reduziu entre 20% e 25% da estrutura corporativa desde o início do ano.

O executivo também indicou que a companhia ainda carrega estruturas herdadas de um período em que o grupo operava um negócio muito maior, especialmente na época dos hipermercados.

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“A companhia montou sua estrutura logística para uma realidade que hoje não é mais a nossa”, disse.

A gestão ainda mencionou custos elevados em tecnologia e sistemas antigos. “O GPA deve ser uma das únicas empresas que ainda existe um mainframe aqui dentro”, comentou Santoro.

Segundo a companhia, a estratégia atual passa por revisão de contratos, simplificação logística, redução de despesas e priorização de operações mais rentáveis.

“A gente parou de fazer algumas vendas que não tinham resultado”, afirmou o CEO ao comentar a decisão de reduzir operações menos rentáveis no e-commerce.

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O GPA também informou que capturou cerca de R$ 99 milhões em ganhos de eficiência no trimestre e reduziu o capex em 54,8%, para R$ 87 milhões.

“Esse resultado reflete principalmente a redução no quadro de funcionários, a revisão de contratos relevantes, ganhos de eficiência operacionais em fretes, redução de consumo de utilities e estabelecendo novas políticas de gastos”, explicou.

Como resultado desse conjunto de iniciativas, a margem Ebtida ajustado cresceu para 10,5%, com expansão de 190 base points contra o ano passado, informou Albuquerque.

Consumidor mais seletivo pressiona varejo

A administração também destacou um ambiente de consumo mais difícil, com clientes mais atentos a preço, qualidade e conveniência.

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“O consumidor está cada vez mais seletivo e mais atento à relação entre valor, qualidade e experiência”, afirmou Santoro.

Segundo ele, o GPA vê espaço para reforçar o posicionamento do Pão de Açúcar em categorias premium, perecíveis e conveniência, enquanto o Extra ainda passa por ajustes operacionais e comerciais.

A companhia também afirmou enxergar mudanças importantes no padrão de consumo, incluindo maior foco em “saudabilidade” e alterações de comportamento em categorias alimentares.

GPA amplia prejuízo no 1T26

O GPA registrou prejuízo líquido de R$ 1,347 bilhão no primeiro trimestre de 2026, ante perdas de R$ 93 milhões no mesmo período do ano anterior.

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Segundo a companhia, o resultado foi pressionado principalmente por efeitos não recorrentes e sem impacto no caixa, que somaram R$ 1,014 bilhão no trimestre.

Entre os principais impactos estão:

  • baixa de crédito no exterior de R$ 588 milhões;
  • impairment e baixas de ativos;
  • baixas de softwares e fundo de comércio.

Desconsiderando esses efeitos extraordinários, o prejuízo ajustado teria sido de R$ 333 milhões.

A receita líquida caiu 8,2% na comparação anual, para R$ 4,3 bilhões, refletindo a descontinuação do formato Aliados, impactos no portfólio de lojas e a estratégia de priorização de canais mais rentáveis no e-commerce.

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O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 458 milhões no trimestre, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda ajustada avançou 1,9 ponto percentual, para 10,5%.

Já o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 382 milhões, pressionado principalmente pela alta da Selic e pelos custos relacionados a garantias vinculadas a contingências tributárias.

Recuperação extrajudicial e mudanças na gestão marcaram novo capítulo do GPA

O GPA entrou em recuperação extrajudicial em março deste ano após protocolar um pedido para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas, em meio à forte pressão de caixa e ao elevado volume de vencimentos de curto prazo.

Na época, a companhia acumulava cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo em 2026, além de capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão, indicando mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis em caixa. A maior parte dos vencimentos estava concentrada em debêntures.

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Em 11 de março, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo deferiu o processamento da recuperação extrajudicial. Diferentemente da recuperação judicial, o modelo permite negociações diretas com determinados credores para alongar prazos e reorganizar o perfil da dívida.

Poucos dias depois, em 17 de março, as ações PCAR3 foram excluídas do Ibovespa e de outros 19 índices da B3, conforme as regras da bolsa para empresas em recuperação extrajudicial.

O processo aconteceu em meio a uma forte reorganização interna e societária. A família mineira Coelho Diniz elevou sua participação para 24,6% do capital do GPA e se tornou a principal acionista da varejista, substituindo o grupo francês Casino.

Desde então, a companhia passou por uma série de mudanças na diretoria. Alexandre Santoro assumiu como CEO em janeiro deste ano, em meio a uma sequência de trocas de comando. Pouco depois, Rafael Russowsky deixou os cargos de CFO e diretor de relações com investidores.

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Em fevereiro, Pedro Albuquerque foi anunciado como novo diretor financeiro da companhia. Já em abril, o GPA reforçou a diretoria executiva com novos nomes para áreas como comercial, supply chain, recursos humanos, digital e marketing, dentro da estratégia de turnaround.

A crise financeira veio após anos de reestruturações e venda de ativos relevantes do grupo. O GPA já controlou operações como Extra, Assaí, Drogaria Extra e participação na Via Varejo, mas passou por sucessivas alienações de ativos em meio às dificuldades financeiras do Casino, antigo controlador da companhia.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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