Cyrela (CYRE3): Ações recuam 5% após balanço do 1T26; o que desagradou o mercado, segundo analistas
As ações da Cyrela (CYRE3) operam em forte queda nesta sexta-feira (15) em reação ao balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26), publicado pela construtora na noite anterior (14). Entre analistas, a leitura majoritária é de que os números vieram “mistos” e “aquém das expectativas”.
Por volta das 10h40 (de Brasília), os papéis recuavam 5,4% na bolsa de valores, negociados a R$ 20,70. O Ibovespa, principal índice da B3, caía 1,5% no mesmo horário. Acompanhe o tempo real.
O 1T26 da Cyrela
Entre janeiro e março, a incorporadora registrou lucro líquido de R$ 297 milhões, queda de 9% em relação a igual intervalo de 2025.
A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 2,02 bilhões, crescimento de 4% na mesma base de comparação anual.
Em média, analistas esperavam lucro líquido de R$ 394 milhões e receita líquida de R$ 2,2 bilhões, de acordo com previsões compiladas pela LSEG.
“Números mistos”
Para Caio Nabuco de Araujo, analista da Empiricus Research, o balanço veio “misto” e “ligeiramente abaixo das expectativas”.
Segundo ele, a principal pressão sobre o lucro ocorreu do aumento de 38% nas despesas comerciais, impactadas por custos relacionados a estandes de vendas.
Do lado da receita, o crescimento mais moderado, de somente 4%, refletiu o reconhecimento limitado de receitas (PoC) no período.
“A continuidade de um cenário de custos pressionados e o menor reconhecimento de receitas podem promover uma revisão de projeções pelo mercado, impactando o papel no curto prazo”, afirmou Araujo, destacando, porém, que a margem bruta reportada foi uma boa notícia.
“O resultado a apropriar permaneceu em nível elevado, com margem de 36%, praticamente estável em relação aos períodos anteriores, reforçando a resiliência da rentabilidade futura da companhia”, disse.
Geração de caixa
Outro destaque foi a geração de caixa, que voltou ao campo positivo entre janeiro e março, somando R$ 134 milhões e revertendo o consumo observado no trimestre anterior.
O desempenho, de acordo com o analista, foi impulsionado pela venda de estoque pronto e pelo menor ritmo de aquisição de terrenos.
Quanto ao endividamento, Araujo afirmou que, ao final de março, a dívida líquida ajustada da construtora representava 19,6% do patrimônio líquido ajustado, abaixo do nível observado no 4T25 e indicando manutenção de uma estrutura de capital “administrável”.
“De forma geral, os resultados apresentaram um diagnóstico misto, com destaque positivo para a margem bruta e a geração de caixa”, ressaltou.
Desempenho operacional
Do lado operacional, os lançamentos da Cyrela no 1T26 totalizaram R$ 1,75 bilhão em valor geral de vendas (VGV), retração de 48% em relação ao 1T25 e de 47% frente ao 4T25.
Na avaliação do analista, o desempenho foi segurado principalmente pela comercialização de estoque em construção e pela continuidade da boa dinâmica do segmento econômico.
A velocidade de vendas (VSO) consolidada em 12 meses encerrou o período em 45,8%, abaixo dos 52,6% apurados no 1T25, refletindo uma base comparativa mais forte e um ambiente mais desafiador para média e alta renda, especialmente em São Paulo.
“No âmbito estrutural, a Cyrela segue demonstrando elevada disciplina operacional e comercial, com desempenho acima dos pares”, afirmou Araujo.
Negociando próximo de 0,9 vez o múltiplo P/B, os papéis CYRE3 permanecem entre as recomendações da Empiricus.
O que diz o Safra
Na mesma linha, o Safra apontou que os resultados do 1T26 da construtora ficaram “aquém das estimativas”, apesar de pontos positivos relevantes.
De acordo com o banco, embora a margem bruta ajustada tenha atingido um sólido nível de 36,1%, alta de 1,8 ponto percentual face ao ano anterior, o número foi compensado por uma tímida expansão de 4% na receita após o reconhecimento de todas as vendas fora do balanço no 4T25 e do menor volume de lançamentos no primeiro trimestre.
Por outro lado, a casa elogiou a geração de caixa, de R$ 134 milhões, que superou projeções e implicou um fluxo de caixa livre (FCF) anualizado de cerca de 7%.
“A Cyrela apresentou resultados trimestrais mais fracos, ficando aquém das estimativas de consenso da Safra e da Bloomberg. Ainda assim, a diferença nos lucros foi explicada principalmente pelas maiores despesas comerciais, que acreditamos refletirem uma discrepância entre trimestres e que deverão se normalizar daqui para a frente”, disse o banco.
“Por outro lado, a empresa também reportou um fluxo de caixa melhor do que o esperado e, apesar dos ventos contrários da inflação, apresentou uma sólida margem bruta ajustada de 36%, impulsionada por uma expansão na sua marca voltada ao Minha Casa, Minha Vida”, prosseguiu.
O Safra mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para CYRE3, a empresa preferida da casa no segmento, apoiada pela “execução irrepreensível, crescente exposição a MCMV e múltiplo P/L (preço/lucro) atrativo de 5 vezes para 2026”.
O preço-alvo é de R$ 41, o que indica potencial de valorização de 98% frente à cotação atual.