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Cyrela (CYRE3): Ações recuam 5% após balanço do 1T26; o que desagradou o mercado, segundo analistas

15 maio 2026, 11:36 - atualizado em 15 maio 2026, 11:36
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Cyrela (CYRE3): Ações recuam forte após balanço do 1T26; o que desagradou o mercado, segundo analistas (Foto: Flávya Pereira/Money Times)

As ações da Cyrela (CYRE3) operam em forte queda nesta sexta-feira (15) em reação ao balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26), publicado pela construtora na noite anterior (14). Entre analistas, a leitura majoritária é de que os números vieram “mistos” e “aquém das expectativas”.

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Por volta das 10h40 (de Brasília), os papéis recuavam 5,4% na bolsa de valores, negociados a R$ 20,70. O Ibovespa, principal índice da B3, caía 1,5% no mesmo horário. Acompanhe o tempo real.



O 1T26 da Cyrela

Entre janeiro e março, a incorporadora registrou lucro líquido de R$ 297 milhões, queda de 9% em relação a igual intervalo de 2025.

A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 2,02 bilhões, crescimento de 4% na mesma base de comparação anual.

Em média, analistas esperavam lucro líquido de R$ 394 milhões e receita líquida de R$ 2,2 bilhões, de acordo com previsões compiladas pela LSEG.

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“Números mistos”

Para Caio Nabuco de Araujo, analista da Empiricus Research, o balanço veio “misto” e “ligeiramente abaixo das expectativas”.

Segundo ele, a principal pressão sobre o lucro ocorreu do aumento de 38% nas despesas comerciais, impactadas por custos relacionados a estandes de vendas.

Do lado da receita, o crescimento mais moderado, de somente 4%, refletiu o reconhecimento limitado de receitas (PoC) no período.

“A continuidade de um cenário de custos pressionados e o menor reconhecimento de receitas podem promover uma revisão de projeções pelo mercado, impactando o papel no curto prazo”, afirmou Araujo, destacando, porém, que a margem bruta reportada foi uma boa notícia.

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“O resultado a apropriar permaneceu em nível elevado, com margem de 36%, praticamente estável em relação aos períodos anteriores, reforçando a resiliência da rentabilidade futura da companhia”, disse.

Geração de caixa

Outro destaque foi a geração de caixa, que voltou ao campo positivo entre janeiro e março, somando R$ 134 milhões e revertendo o consumo observado no trimestre anterior.

O desempenho, de acordo com o analista, foi impulsionado pela venda de estoque pronto e pelo menor ritmo de aquisição de terrenos.

Quanto ao endividamento, Araujo afirmou que, ao final de março, a dívida líquida ajustada da construtora representava 19,6% do patrimônio líquido ajustado, abaixo do nível observado no 4T25 e indicando manutenção de uma estrutura de capital “administrável”.

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“De forma geral, os resultados apresentaram um diagnóstico misto, com destaque positivo para a margem bruta e a geração de caixa”, ressaltou.

Desempenho operacional

Do lado operacional, os lançamentos da Cyrela no 1T26 totalizaram R$ 1,75 bilhão em valor geral de vendas (VGV), retração de 48% em relação ao 1T25 e de 47% frente ao 4T25.

Na avaliação do analista, o desempenho foi segurado principalmente pela comercialização de estoque em construção e pela continuidade da boa dinâmica do segmento econômico.

A velocidade de vendas (VSO) consolidada em 12 meses encerrou o período em 45,8%, abaixo dos 52,6% apurados no 1T25, refletindo uma base comparativa mais forte e um ambiente mais desafiador para média e alta renda, especialmente em São Paulo.

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“No âmbito estrutural, a Cyrela segue demonstrando elevada disciplina operacional e comercial, com desempenho acima dos pares”, afirmou Araujo.

Negociando próximo de 0,9 vez o múltiplo P/B, os papéis CYRE3 permanecem entre as recomendações da Empiricus.

O que diz o Safra

Na mesma linha, o Safra apontou que os resultados do 1T26 da construtora ficaram “aquém das estimativas”, apesar de pontos positivos relevantes.

De acordo com o banco, embora a margem bruta ajustada tenha atingido um sólido nível de 36,1%, alta de 1,8 ponto percentual face ao ano anterior, o número foi compensado por uma tímida expansão de 4% na receita após o reconhecimento de todas as vendas fora do balanço no 4T25 e do menor volume de lançamentos no primeiro trimestre.

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Por outro lado, a casa elogiou a geração de caixa, de R$ 134 milhões, que superou projeções e implicou um fluxo de caixa livre (FCF) anualizado de cerca de 7%.

“A Cyrela apresentou resultados trimestrais mais fracos, ficando aquém das estimativas de consenso da Safra e da Bloomberg. Ainda assim, a diferença nos lucros foi explicada principalmente pelas maiores despesas comerciais, que acreditamos refletirem uma discrepância entre trimestres e que deverão se normalizar daqui para a frente”, disse o banco.

“Por outro lado, a empresa também reportou um fluxo de caixa melhor do que o esperado e, apesar dos ventos contrários da inflação, apresentou uma sólida margem bruta ajustada de 36%, impulsionada por uma expansão na sua marca voltada ao Minha Casa, Minha Vida”, prosseguiu.

O Safra mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para CYRE3, a empresa preferida da casa no segmento, apoiada pela “execução irrepreensível, crescente exposição a MCMV e múltiplo P/L (preço/lucro) atrativo de 5 vezes para 2026”.

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O preço-alvo é de R$ 41, o que indica potencial de valorização de 98% frente à cotação atual.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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