Construtora cai até 7% após prévia do 1T26, mas bancos mantêm compra e veem alta de quase 80% para as ações
Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações da construtora Plano&Plano (PLPL3) operam em forte queda nesta quarta-feira (15) em reação à prévia operacional do primeiro trimestre de 2026 (1T26), que foi divulgada na noite anterior (14). Entre analistas, a leitura é mista.
Por volta das 11h55 (horário de Brasília), os papéis da companhia recuavam aproximadamente 7% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 12,83. Acompanhe o movimento em tempo real.
Lançamentos e vendas abaixo do esperado, segundo o BTG
Entre janeiro e março, a Plano&Plano colocou no mercado quatro empreendimentos, que totalizaram 3.663 unidades e somaram um VGV (valor geral de vendas) de R$ 989,3 milhões.
O valor representou uma queda de 16% em relação ao mesmo intervalo de 2025, além de ter ficado 5% abaixo das estimativas do BTG Pactual.
No período, as vendas brutas da companhia totalizaram R$ 941 milhões, alta anual de 1%, enquanto os cancelamentos (distratos) foram de R$ 100 milhões, avanço de 35% na mesma base de comparação.
Com isso, as vendas líquidas somaram R$ 842 milhões, recuo de 2% frente ao 1T25 e 16% abaixo das projeções do banco.
Como resultado, a velocidade de comercialização, medida pelo indicador VSO, ficou em 17% no trimestre, contra 21% observados no ano anterior.
Pressão no caixa, mas melhora no radar
A Plano&Plano também reportou um consumo de caixa de aproximadamente R$ 80 milhões entre janeiro e março, bem acima dos cerca de R$ 50 milhões esperados pelo BTG.
“No geral, a construtora apresentou um primeiro trimestre fraco devido a uma velocidade de vendas lenta e a uma queixa de caixa maior do que o estimado”, avaliaram os analistas da instituição.
Apesar disso, o banco destacou que a companhia ainda tem R$ 50 milhões a receber de empreendimentos ligados ao programa “Pode Entrar”, da Prefeitura de São Paulo, ao longo dos próximos meses (2T26).
A Plano&Plano, cabe ressaltar, é uma das principais construtoras parceiras do projeto habitacional da Prefeitura da capital paulista.
Além disso, a casa pontuou que parte relevante das vendas feitas no 1T26 ocorreu via corretores terceirizados, cujas transferências de recebíveis costumam acontecer no trimestre seguinte — o que deve favorecer a geração de caixa mais à frente.
“Apesar dos resultados mais fracos, mantemos nossa recomendação de compra para PLPL3, dado ao forte momento do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com a boa acessibilidade impulsionando uma demanda sólida, e, mais importante, o fato de que as ações são negociadas a um valuation atrativo de 5 vezes o múltiplo P/L estimado para 2026”, disse o BTG.
O preço-alvo para os papéis é de R$ 23, o que implica potencial de valorização de cerca de 78% frente à cotação atual.
BBI vê resultado “equilibrado”
O Bradesco BBI, por sua vez, classificou a prévia como “neutra”. Para a casa, após um quarto trimestre forte, os números do 1T26 vieram mais “equilibrados”, com lançamentos e vendas praticamente estáveis na comparação anual, ainda que acompanhados por maior queima de caixa e avanço nos distratos.
De acordo com a instituição, a velocidade de vendas dos últimos 12 meses encerrou março em 51,1%, queda de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior e de 1,2 ponto frente ao trimestre passado, mas ainda em nível considerado saudável.
“O consumo de caixa foi de R$ 80 milhões, refletindo principalmente efeitos de timing em recebíveis, incluindo cerca de R$ 50 milhões relacionados a entregas do programa ‘Pode Entrar’, com expectativa de recebimento no 2T26, e R$ 16 milhões em distribuições de dividendos em sociedades de propósito específico (SPEs)”, disse o banco, em linha com a análise do BTG.
O BBI também destacou que o nível de estoques da construtora segue confortável, com R$ 3,9 bilhões em VGV (+19% em um ano), enquanto o landbank (banco de terrenos), que atingiu R$ 34,5 bilhões em potencial VGV, alta de 12%, está majoritariamente concentrado na cidade de São Paulo, “dando boa visibilidade para crescimento”.
“Mantemos a recomendação de compra para a Plano&Plano, sustentada pela expectativa de melhora gradual ao longo de 2026, pelos aperfeiçoamentos do Minha Casa, Minha Vida e por um valuation atrativo, com múltiplo P/L de 5,3 vezes estimado para 2026.”