Varejo

Copa do Mundo 2026: Dia e horário dos jogos serão decisivos para o varejo, vê BTG Pactual; veja o que esperar

18 maio 2026, 16:25 - atualizado em 18 maio 2026, 16:26
Copa do Mundo varejo
(Imagem: Pixabay)

A Copa do Mundo 2026 está próxima de começar e já é mencionada por executivos de diversos segmentos do varejo como um catalisador para junho e para o segundo semestre do ano. O BTG Pactual avalia que o evento deve funcionar como um fato estrutural que impulsiona o comportamento do consumidor.

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Estudo recente da Scanntech aponta um envolvimento de 95% dos brasileiros com o futebol, ainda que apenas durante a Copa do Mundo a cada quatro anos.

É justamente a conexão emocional com o evento que cria piscos de consumo previsíveis atrelados aos dias dos jogos, diz o banco em relatório. A equipe de analistas formada por Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon constata que o consumo deve atingir seu pico antes das partidas e não durante o jogo.

Diferente de 2022, o cenário macroeconômico é de inflação mais baixa (cerca de 4,1% contra 5,8%), mas de taxa de juros mais elevada, além de maior incerteza global.

“Apesar das condições financeiras mais restritivas, o estudo sugere que o aumento da renda real e a dinâmica do consumo em casa (65% planejam assistir aos jogos de casa) devem impulsionar a atividade do varejo”, diz o BTG.

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Do lado macro, ventos favoráveis, mas desiguais

O BTG Pactual observa que o formato expandido da edição de 2026 do torneio, com 104 partidas em 39 dias, aumenta a duração e frequência dos momentos de consumo, com uma ampliação estrutural das oportunidades de demandas.

“A mudança para mais jogos noturnos (43% entre 19h e 23h) também favorece encontros em casa, reforçando categorias ligadas ao consumo social. No geral, embora os riscos macroeconômicos persistam — particularmente devido à volatilidade geopolítica —, a combinação de maior duração do evento e melhoria da renda real cria um cenário líquido positivo para o consumo”, pondera a equipe de analistas do banco.

Esse cenário sugere que a demanda da Copa do Mundo pode conseguir se desvincular parcialmente da fragilidade econômica de curto prazo e atuar como um estímulo temporário para algumas categorias.

A pesquisa da Scanntech aponta para um incremento de 6,7% no fluxo de clientes nas lojas no dia anterior, o ponto mais alto do ciclo, à medida que os consumidores se preparam para evitar compras durante o jogo.

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“Esse comportamento antecipatório é ainda mais pronunciado na dinâmica de ingressos, com as transações aumentando 19,1% nas duas horas que antecedem o início da partida e caindo 15,4% durante o jogo, confirmando uma forte concentração temporal da demanda. Em grandes torneios como a Copa do Mundo, esse efeito se intensifica significativamente (por exemplo, 69,2% antes do jogo, 61,3% durante a partida)”, ponderam os analistas.

Além disso, o valor médio das compras nas categorias relevantes aumenta cerca de 24% no primeiro dia de jogo, juntamente com maior penetração das categorias e mix de produtos.

Os fatores decisivos: dia e hora dos jogos

O dia e a hora dos jogos alteram significativamente o desempenho do varejo, diz o BTG, sendo que jogos disputados nos fins de semana, especialmente aos sábados, geram o maior aumento, com incrementos de até 18,8% no fluxo de clientes no dia anterior, já que as compras se alinham aos ciclos naturais de reposição do fim de semana.

“Em contrapartida, jogos durante a semana diluem o impacto, pois as rotinas de trabalho restringem os momentos de consumo. O calendário de 2026 é particularmente favorável, com jogos importantes posicionados para maximizar os picos de fluxo de clientes, incluindo o jogo de abertura, que acontece em um sábado”, pondera o banco.

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Na visão dos analistas, uma das descobertas mais surpreendentes do estudo é a mudança na composição da cesta de compras.

O estudo aponta que os dias de jogos desencadeiam uma migração do consumo cotidiano para produtos associados a encontros sociais e experiências compartilhadas. Categorias como carnes, salgadinhos e bebidas apresentam um crescimento expressivo, com exemplos como churrasqueiras (+227%), pipoca de micro-ondas (+120%) e amendoim salgado (+86%).

As cestas de bebidas também se expandem significativamente como, por exemplo, bebidas destiladas e premium, enquanto os produtos tradicionais geralmente têm um desempenho inferior.

“Olhando para 2026, novas tendências emergem, incluindo a premiumização, alternativas mais saudáveis (por exemplo, bebidas sem açúcar e com baixas calorias) e integração do consumo digital”, diz o banco.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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