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Fim da taxa das blusinhas é ‘incentivo chinês dentro do mercado brasileiro’, avalia CEO da Riachuelo (RIAA3)

15 maio 2026, 15:38 - atualizado em 15 maio 2026, 15:38
André Farber Riachuelo
André Farber, CEO da Riachuelo (Imagem: Divulgação)

O fim da “taxa das blusinhas” acendeu o alerta de analistas do mercado para o impacto nas varejistas nacionais, especialmente no segmento de vestuário. André Farber, CEO da Riachuelo (RIAA3) — apontada como um dos nomes impactados —, argumenta que a discussão está longe de ser um sobre um simples fim da taxação.

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“Na prática, é um incentivo chinês dentro do mercado brasileiro, enquanto a indústria nacional continua em clara desvantagem. O Brasil é a única cadeia têxtil completa do Ocidente, não podemos tratar isso como algo descartável”, disse em nota enviada ao Money Times.

Na visão do executivo, é impossível falar em competição justa quando o Brasil impõe custos cada vez maiores para quem produz, emprega e investe localmente, enquanto amplia espaço para uma concorrência subsidiada pelo governo chinês dentro do próprio mercado brasileiro.

“As empresas instaladas aqui pagam 35% de imposto de importação, além de 11,25% de PIS/Cofins e toda a carga tributária e trabalhista local, enquanto operações de cross border seguem acessando o mercado brasileiro em condições muito mais favoráveis”, defende.

Farber argumenta que se trata uma cadeia geradora de cerca de 18 milhões de empregos e com 1,9 milhão de CNPJs, em sua maioria micro e pequenas empresas, “sem qualquer condição de competir em uma lógica tão desigual”.

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Na leitura do CEO, o Brasil está dificultando a sobrevivência da própria indústria nacional dentro do seu mercado. “Entendemos que o consumidor busca preços acessíveis, mas sem emprego e renda não existe consumo sustentável”, diz.

Isonomia tributária

Em nota, a Lojas Renner (LREN3) diz que a medida amplia ainda mais o desequilíbrio tributário entre empresas que atuam no Brasil e empresas que operam de fora, enviando produtos diretamente para os consumidores, impactando a competitividade da indústria nacional e a geração de empregos no país e dando benefício fiscais para geração de emprego e renda no exterior.

“Entendemos ser fundamental que todos os agentes que atuam no mercado brasileiro estejam submetidos às mesmas regras tributárias e regulatórias, garantindo condições isonômicas de concorrência”, defende a varejista.

Para a varejista, se o benefício de isenção tributária de impostos federais passa a existir para quem opera fora do Brasil, no mínimo a mesma condição deve se aplicar para as empresas que operam no Brasil.

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O impacto da taxa das blusinhas

A taxa das blusinhas voltou com tudo para o radar do mercado, após o governo federal anunciar o fim da cobrança do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.

O ganho de espaço de nomes como Shein, Shopee, Temu e AliExpress no Brasil acendeu um alerta no varejo local, que passou a defender enfaticamente a necessidade de isonomia tributária para viabilizar a operação de negócios brasileiros.

Os preços atrativos de compras em marketplaces de fora atraíam consumidores, que usufruíam da isenção do imposto sobre essas compras. O início da discussão sobre o encerramento dessa isenção gerou um alvoroço há três anos, logo no início do governo Lula 3. Desde 2024, vigorava a taxação.

Pelo modelo anterior, compras internacionais estavam sujeitas a um imposto de importação de 20% somado ao ICMS, o que levava a uma carga tributária efetiva final próxima de 40% a 50%, variando conforme o estado e da categoria do produto.

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Na leitura do BTG Pactual, a decisão reabre de forma relevante o debate sobre a assimetria competitiva entre varejistas domésticos e marketplaces asiáticos.

“Antes da tributação original, encomendas importadas de baixo valor teriam superado 18 milhões de remessas por mês entrando no Brasil. Após a implementação da taxação, estimativas de mercado indicaram que esse volume caiu temporariamente para cerca de 11 milhões por mês no fim de 2024, antes de se recuperar gradualmente para a faixa de 15 milhões a 17 milhões, à medida que as plataformas ampliaram subsídios e melhoraram a eficiência logística”, ponderam os analistas.

Para o banco, a retirada da tarifa pode novamente acelerar essa expansão, especialmente nos segmentos de vestuário, acessórios, beleza e itens para o lar.

Do ponto de vista de preços, a reversão da taxação provavelmente restabelece parte da vantagem estrutural historicamente desfrutada pelos nomes de comércio transfronteiriço.

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Apesar dos desafios que as plataformas estrangeiras ainda enfrentam no Brasil — incluindo complexidade logística, volatilidade cambial e prazos de entrega — os analistas veem empresas expostas ao consumidor de renda média e baixa enfrentando uma concorrência estruturalmente mais difícil e menor poder de repasse de preços.

Essa dinâmica segue particularmente relevante para empresas como Lojas Renner, C&A e Riachuelo, na visão do BTG.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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