Destaques da Bolsa

Ibovespa cai pela 6ª semana consecutiva, na maior sequência de perdas desde 2018, e Minerva (BEEF3) lidera ponta negativa

23 maio 2026, 10:06 - atualizado em 22 maio 2026, 18:45
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(Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli)

O Ibovespa (IBOV) engatou uma sexta semana consecutiva de perdas, a maior sequência desde 2018, com incertezas sobre os conflitos no Oriente Médio e risco político no cenário doméstico.

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O principal índice da bolsa brasileira acumulou perda de 0,61% na semana e encerrou a última sessão aos 176.209,61 pontos.

A última vez que houve uma série de seis quedas semanais foi de 14 de maio a 18 de junho de 2018. Uma sequência maior, com sete semanas de queda, ocorreu apenas entre abril e maio de 2004.

Já o dólar à vista terminou a R$ 5,028, com perda de 0,78% no acumulado da semana.

Por aqui, o cenário político continuou no centro das atenções dos investidores.

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Nesta sexta-feira (22), a primeira pesquisa presidencial do Datafolha divulgada após o vazamento dos pedidos de dinheiro de Flávio Bolsonaro (PL) para Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar ‘Dark Horse‘, cinebiografia de Jair Bolsonaro, apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou de três para nove pontos porcentuais sua vantagem no primeiro turno sobre o senador em uma semana.

Lula saiu de 38% para 40% entre levantamento divulgado no sábado passado (15) e a pesquisa desta sexta-feira (22). Flávio Bolsonaro recuou de 35% para 31% no período.

No cenário de segundo turno entre ambos, o empate 45% se transformou em uma vantagem numérica de 47% a 43% para o presidente, ainda um empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos porcentuais.

Datafolha entrevistou, entre quarta-feira (20) e quinta-feira (21), 2.004 pessoas em 139 cidades e 64% informaram ter conhecimento do caso. Também para 64% o senador agiu mal ao negociar dinheiro para o filme com o banqueiro preso pela Polícia Federal.

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Em segundo plano, o governo anunciou a ampliação do bloqueio nas verbas orçamentárias dos ministérios de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões para cumprir o limite de despesas do ano, diante da pressão gerada por um aumento de despesas de execução obrigatória.

Incerteza geopolítica e juros nos EUA

O impasse nas negociações geopolíticas continuaram no radar.

Ontem (22), o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio disse que “houve algum progresso” nas conversas. “Há mais trabalho a ser feito”, acrescentou. “Ainda não chegamos lá. Espero que cheguemos lá.”

Do outro lado, porém, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que ainda não é possível dizer que um acordo com os EUA esteja próximo, ao afirmar a existência de “divergências profundas e extensas”.

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Com a manutenção do impasse para um cessar-fogo entre Washington e Teerã, os preços do petróleo continuaram com o barril do Brent próximo a US$ 110 – reforçando o temor de impactos inflacionários decorrentes dos preços de energia nas principais economias do mundo e aumenta a expectativa de juros elevados por mais tempo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os traders já veem chance de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em outubro deste ano.

Além disso, Kevin Warsh, ex-diretor da instituição e visto como um nome próximo de Trump, assumiu a presidência do BC mais importante do mundo nesta sexta-feira (22). Ainda assim, Powell deve permanecer no Fed até 2028 como membro do conselho.

Sobe e desce do Ibovespa

A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Usiminas (USIM5) com uma série de revisões positivas de bancos após os resultados do primeiro trimestre (1T26).

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No 1T26, a mineradora reportou lucro líquido de R$ 896 milhões, um avanço de 166% na comparação com o mesmo período em 2025.

Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o resultado teve um salto de 596% ante os R$ 129 milhões reportados no período.

Segundo a companhia, a evolução reflete a melhora do resultado operacional, efeitos cambiais líquidos positivos e um aumento nos créditos por tributos diferidos pela apreciação do real frente ao dólar no período.

Para o Safra, a supresa positiva foi em custos de produtos vendidos (COGS, na sigla em inglês), com cerca de 1% de ganho na margem Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) decorrente de efeitos da moeda “que podem não se repertir”.

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O banco também considera a queda mais rápida das importações de aço como um dos catalisadores recentes da ação, apoiando uma recuperação das vendas domésticas e permitindo aumentos de preços (HRC em alta de 9% no acumulado do ano).

Na avaliação do Itaú BBA, os benefícios fiscais retroativos de Juros sobre Capital Próprio (JCP) são um “tesouro escondido” que pode impulsionar o Fluxo de Caixa Livre (FCF) nos próximos meses.

Na semana anterior, o Brasdeco BBI já tinha atualizado as estimativas para USIM5, elevando o preço-alvo das ações para R$ 10.

Confira as maiores altas do Ibovespa entre 18 e 22 de maio:

CÓDIGONOMEVARIAÇÃO SEMANAL
USIM5Usiminas PNA13,49%
LREN3Lojas Renner ON11,22%
AZZA3Azzas 21548,77%
BRAV3Brava Energia ON5,83%
CSNA3CSN ON4,83%
RECV3PetroReconcavo ON3,62%
GGBR4Gerdau PN2,87%
PSSA3Porto ON2,61%
ABEV3Ambev ON2,61%
GOAU4Metalúrgica Gerdau ON2,56%
Fonte: B3

Já a ponta negativa do Ibovespa foi liderada Minerva (BEEF3). Na última quarta-feira (20), o Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações de R$ 9 para R$ 5,50 no fim de 2026 e ainda rebaixou a recomendação para neutra.

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Na avaliação do banco, a mudança reflete um ambiente operacional menos favorável, combinado com um cenário macroeconômico mais desafiador – com destaque para o câmbio –, além de menor visibilidade de gatilhos à frente.

Os analistas ainda mencionaram o risco da reversão do ciclo pecuário no Brasil, que tende a pressionar os custos ao longo do ano. Essa perspectiva ainda é agravada, na visão do Itaú BBA, pela maior volatilidade das despesas com frete e energia, em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Os papéis ainda foram pressionados pela suspensão das importações de carne bovina e derivados de três frigoríficos brasileiros pela China, o que acendeu um alerta para os investidores ainda que a Minerva não seja um dos alvos da medida.

Veja as maiores quedas da semana:

CÓDIGONOMEVARIAÇÃO SEMANAL
BEEF3Minerva ON-14,09%
RADL3RD Saúde ON-7,15%
SLCE3SLC Agrícola-6,52%
CMIN3CSN Mineração ON-5,08%
RAIL3Rumo ON-5,08%
MBRF3MBRF ON-4,71%
VAMO3Vamos ON-4,69%
COGN3Cogna ON-3,54%
VIVA3Vivara ON-3,27%
HAPV3Hapvida ON-3,21%
Fonte: B3

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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