IRB (IRBR3): Vitória no Senado coloca aumento de proventos no radar; ações sobem
O IRB (IRBR3) ganhou um potencial catalisador com a aprovação do Projeto de Lei (PL) 3.540/2026 pelo Senado, que agora segue para sanção presidencial. O JP Morgan espera aprovação do poder executivo e vê a resseguradora e outros nomes do setor com potencial para se beneficiar.
As ações da companhia estendem os ganhos da véspera no pregão desta sexta-feira (4). Por volta de 11h (horário de Brasília), o avanço era de 3,40%, a R$ 61,47. Acompanhe o tempo real.
A aprovação promove três mudanças importantes para a indústria local de resseguros: a remoção do limite de 30% para utilização de ativos fiscais diferidos (DTA); redução da alíquota da CSLL de 15% para 9%, a partir de 2027; e remoção da alíquota adicional de 10 pontos percentuais do IRPJ, reduzindo-a de 25% para 15%, a partir de 2030.
“Em outras palavras, a alíquota de imposto corporativo poderia cair de 40% para 24%, enquanto a remoção do limite para consumo de DTA também seria altamente positiva, considerando o saldo existente de aproximadamente R$ 2 bilhões do IRB”, dizem os analistas do banco gringo.
Com isso, o banco estima um potencial ganho de aproximadamente 22% no valor presente líquido (VPL) para o IRB decorrente dessas mudanças.
Para os analistas, isso deve gerar um ciclo positivo para o IRB, tendo em vista que impostos menores devem impulsionar uma revisão para cima dos resultados contábeis de cerca de 7% em 2027 e o consumo mais rápido de DTA deve elevar a solvência e ampliar o espaço para um aumento na distribuição de proventos.
A combinação dos dois fatores deve permitir que o IRB seja mais competitivo em preços e, eventualmente, retome o crescimento da receita.
O JP Morgan tem classificação overweight (equivalente à compra) para o IRB.
O BTG Pactual avalia a notícia como “muito positiva” para o setor e para o IRB, ao combinar uma redução estrutural da carga tributária, a monetização mais rápida dos créditos tributários acumulados e um ambiente competitivo mais equilibrado.
“Embora ainda precisemos refinar nossas estimativas, nossa avaliação preliminar sugere que o potencial de criação de valor para o IRB pode superar 20% de sua atual capitalização de mercado”, dizem os analistas do banco.
O BTG já contava com uma visão construtiva sobre a tese de investimento do IRB antes do desenvolvimento, com a recente aprovação reforçando o otimismo. O banco também recomenda compra para a resseguradora.
Impacto no setor
As resseguradoras domésticas vêm perdendo participação de mercado de forma consistente nos últimos anos, pondera o BTG Pactual, em parte devido à crescente tendência de grupos internacionais de seguros verticalmente integrados de ceder negócios para resseguradoras afiliadas localizadas no exterior.
Essa dinâmica foi reforçada por uma assimetria tributária relevante que, segundo o projeto, incentiva a transferência dos negócios para fora do Brasil.
“Ao reduzir a alíquota de impostos para as resseguradoras locais, o relator entende que o projeto corrige essa distorção competitiva, potencialmente permitindo que as empresas domésticas recuperem participação de mercado e, em última instância, aumentando a arrecadação tributária do governo”, dizem os analistas.
Além dos benefícios fiscais, a medida deve aprofundar o conhecimento técnico no Brasil e aumentar a poupança doméstica, ao manter uma parcela maior das reservas técnicas investida localmente.
Na visão do JP Morgan, seguradoras primárias, como a Porto, e bancos com grandes operações de seguros, como o Bradesco, também devem conseguir se beneficiar de uma potencial assimetria tributária ao longo do tempo, embora com impacto menos relevante em termos de VPL.
Os analistas afirmam que assimetria tributária entre entidades locais e players sediados em jurisdições com menor tributação exerce um papel relevante na dinâmica competitiva. O projeto, caso seja sancionado, representaria uma mudança estrutural no cenário competitivo em favor dos nomes locais.
Mais um catalisador para o IRB
O Senado também aprovou um novo marco legal para o seguro rural, iniciativa que pode destravar um dos maiores segmentos aos quais o IRB está exposto, destaca o BTG Pactual.
O seguro rural representou 16% dos prêmios ganhos dos últimos 12 meses no Brasil, embora os prêmios retidos tenham recuado 18%, em base anual, no primeiro semestre deste ano.
“O Projeto de Lei 2.951/2024 busca trazer maior previsibilidade e escala ao mercado por meio da obrigatoriedade dos gastos federais destinados à subvenção dos prêmios de seguro rural, protegendo esses recursos de contingenciamentos orçamentários. A proposta também estimula a adoção de seguros ao prever condições de crédito mais favoráveis para produtores segurados e permitir o uso das apólices como garantia”, dizem os analistas.
Além disso, o projeto moderniza o Fundo de Catástrofe do Seguro Rural e amplia sua capacidade de transferência de riscos. Essas medidas, na visão do banco, devem favorecer maior penetração do seguro e, consequentemente, gerar maior demanda por resseguros rurais.
O projeto segue para sanção presidencial.