BrasilAgro (AGRO3): por que o BTG reforçou a recomendação, mesmo após trimestre ‘fraco’
O BTG Pactual reforçou sua recomendação de compra para as ações da BrasilAgro (AGRO3) após os resultados do terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26).
Mesmo diante de um trimestre considerado “fraco” operacionalmente, o banco segue construtivo com a tese da companhia, citando principalmente o potencial de monetização de terras, investimentos em irrigação e a visão positiva para o longo prazo.
O BTG manteve o preço-alvo de R$ 25 para os próximos 12 meses, o que representa potencial de valorização de cerca de 29% sobre o fechamento recente da ação.
Segundo os analistas, o 3T26 teve leitura limitada para o restante do ano, já que o período costuma concentrar menos reconhecimento de receitas agrícolas. Isso porque a colheita do milho safrinha e do algodão ainda não havia começado, enquanto a safra de soja seguia em andamento.
No trimestre, as receitas agrícolas da companhia somaram R$ 163 milhões, queda de 28% na comparação anual, pressionadas principalmente por menores volumes vendidos de soja e algodão, além de preços mais baixos do algodão.
O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 29 milhões, desconsiderando impactos contábeis relacionados a ativos biológicos.
Ainda assim, o BTG avalia que o principal ponto da tese permanece intacto: a capacidade da companhia de gerar valor por meio da transformação e venda de terras agrícolas.
“Por meio da transformação de terras e irrigação, a BrasilAgro pode continuar destravando valor significativo à medida que o ciclo agrícola melhora e os preços das terras se recuperem”, escreveram os analistas.
Nesta semana, a BrasilAgro anunciou a venda de uma área total de 921 hectares (501,5 hectares úteis) da Fazenda Morotí, propriedade localizada no Paraguai.
O banco destaca ainda que as ações negociam a cerca de 0,6 vez o P/NAV, nível considerado atrativo diante do histórico da companhia em monetização de propriedades rurais.
Além do foco em terras, o BTG vê suporte adicional vindo de uma safra de cana-de-açúcar melhor que o esperado e de preços mais altos do petróleo Brent, que tendem a favorecer as commodities agrícolas.
Por outro lado, os analistas alertam para a pressão dos fertilizantes nitrogenados, especialmente diante da alta recente da ureia. A preocupação é que os custos mais elevados possam afetar parcialmente as margens da próxima safra.
A BrasilAgro também revisou seu guidance operacional para a safra atual, reduzindo em 13% a estimativa de produção da segunda safra de milho após atrasos no plantio da soja e excesso de chuvas durante a colheita em algumas regiões.