MBRF (MBRF3): BTG vê ‘mudança de direção’ para ciclos, mas com melhores margens no 1T26
O BTG Pactual revisou suas estimativas para o primeiro trimestre de 2026 da MBRF (MBRF3), apontando ajustes pontuais que elevam a expectativa de margens no período — sem alterar, contudo, a leitura mais estrutural para o setor. O frigorífico reporta seus resultados em 14 de maio.
Entre as principais mudanças, o banco destaca a elevação dos volumes projetados para carne bovina na América do Sul, agora em 280 mil toneladas, impulsionados pelo aumento da capacidade produtiva e pelo forte ritmo das exportações brasileiras.
Na BRF, a revisão incorpora volumes menores, porém compensados por preços médios mais altos e maior rentabilidade. A instituição passou a considerar que a companhia manterá um prêmio superior a 40% nos preços de exportação de frango em relação à média da Secex, sustentado pela reabertura de mercados relevantes como China e Europa, além de preços possivelmente mais firmes no Oriente Médio.
Com isso, o BTG elevou a projeção de margem Ebitda da BRF para 15,5% no 1T26, ante 14,8% anteriormente, mesmo diante de uma sazonalidade desfavorável.
Apesar da melhora pontual, o banco afirma que a “mensagem geral” permanece inalterada: os ciclos favoráveis que vinham sustentando resultados robustos da MBRF começam a mudar de direção. Os analistas seguem com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 26 para a ação.
No segmento de bovinos no Brasil, a alta nos preços do gado deve pressionar a rentabilidade de forma sequencial, ainda que de maneira menos intensa do que o previsto anteriormente, diante de volumes mais fortes.
Na BRF, a dinâmica entre proteínas também foi reavaliada. Antes, o banco esperava que a queda nas margens de suínos no mercado doméstico superasse os ganhos nas exportações de frango. Agora, vê um equilíbrio mais favorável, o que explica a revisão positiva das margens no curto prazo.
Ainda assim, o BTG reforça que, olhando adiante, a tendência é de normalização gradual das margens.
Nas novas projeções, a Marfrig deve reportar receita de R$ 25,3 bilhões (+9% na base anual) e EBITDA de R$ 501 milhões, com margem de 2,0%. Para a BRF, a estimativa é de receita de R$ 15,5 bilhões e EBITDA de R$ 2,4 bilhões, com margem de 15,5%.
No consolidado, a MBRF deve atingir receita de R$ 41 bilhões e EBITDA de R$ 2,9 bilhões no trimestre, o que implica margem de 7,1%, acima das estimativas anteriores do banco.