Banco Master

Mendonça autorizou PF a monitorar celular de Jaques Wagner após suspeita de vazamento

31 jul 2026, 9:16
Senador Jaques Wagner foi monitorado pela Polícia Federal, aponta inquérito (Carlos Moura/Agência Senado)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a Polícia Federal (PF) a quebrar o sigilo telefônico do ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e monitorar os movimentos de seu telefone celular após suspeitar do vazamento de um pedido de operação da PF contra o petista, apresentado na Operação Compliance Zero. Procurada, a defesa de Wagner ainda não se manifestou.

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A investigação da PF apura pagamentos de propina do Banco Master para Jaques Wagner e aponta que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador usou o mesmo esquema da aquisição de imóveis de propina para o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Além disso, a PF identificou que o dono do Master, Daniel Vorcaro, marcou encontro com Wagner no Senado, disponibilizou avião “em hangar discreto” para o senador e citou em um diálogo que o senador seria um intermediário para mandar recado a Lula.

O ministro retirou o sigilo do processo que tratou da quebra do sigilo telefônico e monitoramento do celular de Wagner nesta quinta-feira, 30. Na decisão que autorizou o monitoramento da antena do celular de Wagner durante dez dias, Mendonça citou que recebeu um pedido de audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a PF protocolou o pedido de operação contra o petista.

“Impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso. Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto Ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa (09/06/2026), inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações formuladas”, escreveu na decisão.

Relatório das investigações da PF que embasou a operação policial Compliance Zero contra Jaques Wagner apontou a existência de 74 ligações entre o senador e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, também alvo das apurações. De acordo com os documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Wagner e Lima conversaram por cinco horas e trinta minutos nessas ligações.

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A PF observa que o senador e o banqueiro tinham “nítida preferência” por conversas telefônicas, em vez de mensagens. E que eles chegavam a se falar várias vezes no mesmo dia. Os diálogos compreendem o período de novembro de 2023 a maio de 2025.

Busca e apreensão

Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. Um dia depois da operação, Wagner tentou efetuar a venda de um terreno de R$ 15 milhões na região metropolitana de Salvador, mas a operação foi barrada pelo cartório por causa de uma ordem de bloqueio de bens.

A PF pediu o monitoramento da antena de seu celular por receio de que uma vigilância feita em campo pelos agentes despertasse a desconfiança de que a operação estava prestes a ser deflagrada. É comum esse trabalho de campo, por exemplo, para identificar endereços dos alvos antes de uma busca e apreensão.

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“Nesse cenário, diligências ostensivas de campo, vigilância presencial ou coleta aberta de informações junto a terceiros podem expor prematuramente a investigação, permitindo troca de aparelhos, destruição de provas digitais, evasão, ocultação de documentos ou coordenação de versões”, justificou André Mendonça.

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Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
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