Giro do Mercado

Copom deixa porta aberta para um novo corte na Selic em novembro, diz economista-chefe do Bmg

16 set 2026, 19:55
selic-juros-economia-fiscal inflação ipca copom
(Imagem: iStock/ Rmcarvalho)

Como esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano e, na avaliação do economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, o colegiado repertiu a estratégia de manter o comunicado mais enxuto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Tivemos a mesma mensagem da comunicação passada”, afirmou, durante o Giro Especial do Copom, programa do Money Times no YouTube.

Serrano destacou que trecho do comunicado em que o Copom afirma “que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante” deixa uma porta aberta para novos corte na Selic.

“O Copom deixa uma porta aberta para fazer o que for necessário, seja um novo corte nos juros ou não no próximo encontro”, avalia.

O cenário atual segue confirmando uma dinâmica de desaceleração da atividade econômica, o que mostra, na visão de Serrano, que a política monetária “está fazendo efeito”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Nos últimos tempos, tivemos elementos importantes que permitem ao Banco Central estender um pouco mais o ciclo de calibração da taxa de juros, especialmente diante da desaceleração da atividade econômica.”

Após a decisão, o Banco Bmg manteve o cenário de mais um corte na Selic na decisão de novembro e uma pausa na reunião seguinte, o que deixaria a taxa de juros em 13,50% ao ano em dezembro deste ano.

Pausa estratégica

Para Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, o Copom deve adotar uma ‘pausa estratégica’ nas decisões de dezembro deste ano e janeiro de 2027 para calibrar os impactos do El Niño e um possível ajuste nos preços dos combustíveis diante da cotação do barril do petróleo mais elevado.

“Temos uma questão importante de diferencial de preços domésticos em relação aos internacionais dos combustíveis. O governo tem controlado o impacto da alta do petróleo no mercado internacional sobre os preços domésticos e, com isso, estamos com uma defasagem enorme: mais de 100% no diesel e 40% na gasolina”, afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo ele, um eventual reajuste dos combustíveis poderia adicionar pressão à inflação. “Nesse ambiente, em que a economia pode estar tendo que absorver um choque bastante intenso, acho que talvez as expectativas possam reagir a isso.”

Sendo assim, a forma como a economia absorverá esse choque será determinante para a condução da política monetária.

“O que vai ser fundamental para o BC, para saber se ele será capaz ou não de estender o ciclo de calibração em dezembro ou em janeiro do ano que vem, é como vai ser o choque e como a economia vai conseguir absorvê-lo”, destacou Serrano.

“Se a inflação de serviços começar a piorar e as expectativas começarem a andar mais, porque elas vêm piorando gradualmente, o BC optaria por uma pausa estratégica. Então, ele vai falar que a gente vai interromper o processo para avaliar o cenário”, acrescentou o economista.

De olho no exterior

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nesta quarta-feira, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) elevou os juros em 25 pontos-base pela primeira vez desde julho de 2023, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

O Fomc também sinalizou uma nova alta nos juros dos EUA até dezembro deste ano e isso deve impactar no câmbio. Isso porque os juros norte-americanos mais altos refletem em um dólar mais forte e menor apetite dos investidores para mercados emergentes, como o Brasil.

“Do ponto de vista do fluxo de capitais, a gente pode ter um pouco de problema. O real pode não ficar tão comportado daqui para frente”, explicou Serrano. “Um Fed mais conservador na condução da política monetária também pode levar a um cenário de câmbio mais depreciado, com o real contra o dólar.”

Segundo ele, uma eventual desvalorização do real teria impactos sobre a inflação, especialmente por meio dos preços dos bens industriais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Temos um cenário em que não apenas o ambiente doméstico é complexo, mas também o internacional se mostra mais incerto para os próximos meses.”

Veja o Giro do Mercado Especial na íntegra:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
No Money Times, investidores, analistas, gestores e entusiastas do ambiente econômico brasileiro usufruem de textos objetivos e de qualidade que vão ao centro da informação, análise e debate. Buscamos levantar e antecipar discussões importantes para o investidor e dar respostas às questões do momento. Isso faz toda a diferença.
Twitter Facebook Linkedin Instagram YouTube Site
No Money Times, investidores, analistas, gestores e entusiastas do ambiente econômico brasileiro usufruem de textos objetivos e de qualidade que vão ao centro da informação, análise e debate. Buscamos levantar e antecipar discussões importantes para o investidor e dar respostas às questões do momento. Isso faz toda a diferença.
Twitter Facebook Linkedin Instagram YouTube Site

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar