Minerva (BEEF3) supera expectativas do Safra, que vê potencial de 114% para a ação
A Minerva Foods (BEEF3) entregou resultados acima das expectativas do Safra no primeiro trimestre de 2026 (1T26), impulsionada por volumes fortes na América do Sul, melhora da alavancagem operacional e expansão da receita em meio ao cenário favorável para exportações de carne bovina.
O banco destacou que o Ebitda da companhia somou R$ 1,118 bilhão no 1T26, alta de 16% na comparação anual e 10% acima das projeções da instituição financeira. O resultado também veio 9% acima do consenso de mercado.
Diante desse cenário, o Safra manteve recomendação de outperform (compra) para as ações da Minerva, negociadas a 3,6 vezes EV/Ebitda. O preço-alvo de R$ 8,50 do banco implica potencial de valorização de cerca de 114% para os papéis.
Segundo o Safra, o desempenho operacional foi sustentado principalmente pelo crescimento dos volumes no Uruguai (+37% na base anual), Argentina (+35%) e Brasil (+23%), compensando as quedas registradas no Paraguai e na Colômbia.
A receita líquida atingiu R$ 13,4 bilhões, avanço de 20% em relação ao mesmo período do ano passado e acima das estimativas do banco. Já a receita consolidada chegou a R$ 14,48 bilhões, beneficiada pela melhora dos preços médios em países da América do Sul — especialmente Paraguai e Colômbia.
Apesar da pressão dos custos do gado, a Minerva conseguiu preservar margens com ganhos de eficiência operacional e redução das despesas administrativas como proporção da receita. A margem Ebitda ficou em 8,3%, acima do esperado pelo Safra.
O banco também ressaltou a melhora da estrutura de capital da companhia. A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda caiu para 2,7 vezes, ante 3,7 vezes no primeiro trimestre de 2025.
Mesmo com fluxo de caixa livre negativo no trimestre, reflexo da sazonalidade e da maior necessidade de capital de giro, o Safra destacou que a geração acumulada em 12 meses segue robusta, com yield de fluxo de caixa livre de 31%.
Para os analistas, o principal ponto de atenção daqui para frente será a desaceleração da demanda chinesa após o preenchimento das cotas anuais de importação. Ainda assim, o banco avalia que a demanda global por carne bovina continua superior à capacidade atual de oferta da indústria, o que deve limitar riscos mais relevantes para o setor.