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Petrobras (PETR4) cai após lucro fraco e proventos abaixo do esperado

12 maio 2026, 11:17 - atualizado em 12 maio 2026, 11:17
Petrobras PETR4 dividendos
(Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Flickr)

As ações da Petrobras (PETR4) operavam em queda nesta segunda-feira (11), após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026, com investidores repercutindo um lucro mais fraco, proventos abaixo das expectativas e preocupações sobre a geração de caixa da estatal.

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Às 10h50, os papéis preferenciais recuavam 1,92%, a R$ 45,55.

A Petrobras reportou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no trimestre, queda de 72% na comparação anual, em um resultado marcado por efeitos contábeis e por uma dinâmica operacional considerada mais fraca pelo mercado no curto prazo.

O principal ponto de atenção para analistas foi o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado de US$ 11,7 bilhões, que veio abaixo das estimativas das principais casas de análise. O Itaú BBA destacou que o número ficou 6% abaixo de suas projeções e 9% abaixo do consenso do mercado. Já o BTG Pactual apontou uma frustração próxima de 10%.

Apesar da reação negativa das ações, a leitura predominante entre os analistas foi de que a fraqueza do trimestre não representa uma deterioração estrutural das operações da companhia, mas sim um descasamento temporário entre a alta do petróleo e o reconhecimento das receitas de exportação.

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Segundo o time do Itaú BBA, liderado por Monique Martins Greco, o avanço do Brent ao longo de março “não foi totalmente refletido no trimestre”, já que existe uma defasagem entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita na transferência de propriedade das cargas exportadas.

“Embora a frustração possa gerar pressão de curto prazo, a combinação de preços mais altos do petróleo e a realização das exportações em trânsito deve reverter esse efeito temporário, preparando um segundo trimestre mais forte”, escreveram os analistas.

O BTG Pactual seguiu a mesma linha. Para os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, o trimestre foi impactado por um atraso na captura dos preços mais elevados do petróleo exportado, o que impediu a Petrobras de refletir integralmente a alta do Brent no resultado operacional.

“Os resultados podem melhorar daqui para frente, com a Petrobras capturando integralmente os preços mais altos do petróleo e maiores volumes no 2T26”, disseram os analistas.

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Proventos da Petrobras abaixo das expectativas

Outro fator que pesou sobre o humor do mercado foi o anúncio de dividendos abaixo das expectativas. A estatal aprovou US$ 1,7 bilhão em juros sob capital próprio (JCP) cerca de R$ 8,8 bilhões, valor inferior às projeções de Itaú BBA e consenso do mercado, que giravam ao redor de US$ 2,3 bilhões a US$ 2,4 bilhões.

Segundo o Itaú BBA, a geração de caixa livre ficou em linha com as estimativas, mas com uma “qualidade discutivelmente inferior”, devido ao peso maior do capital de giro no trimestre.

O banco destacou que o capex da companhia alcançou US$ 4,5 bilhões e já representa 27% da projeção anual da Petrobras, acima da sazonalidade histórica para um primeiro trimestre.

Os analistas também apontaram que a estatal acelerou investimentos em projetos do pré-sal, especialmente em Búzios e Sépia, além do avanço da revitalização de Marlim, na Bacia de Campos.

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No BTG, a avaliação foi de que o fluxo de caixa livre também sofreu impacto negativo do capital de giro. A casa estima que houve um efeito de aproximadamente US$ 1,3 bilhão ligado ao aumento de estoques e fornecedores durante o período de exportações em andamento.

A dívida líquida da Petrobras voltou a subir no trimestre e alcançou US$ 62,1 bilhões, contra US$ 60,6 bilhões no fim de 2025. Ainda assim, a alavancagem permaneceu relativamente estável, em 1,43 vez dívida líquida/Ebitda, segundo o BTG.

Por outro lado, a produção seguiu robusta. O BTG destacou que a produção doméstica de petróleo atingiu 2,58 milhões de barris por dia, alta de 17% na comparação anual, enquanto o Itaú BBA ressaltou níveis recordes de produção no pré-sal.

Mesmo com a queda das ações no pregão, as casas mantiveram recomendação positiva para a estatal. O BTG reiterou recomendação de compra para os ADRs da Petrobras, com preço-alvo de US$ 25, enquanto o Itaú BBA manteve recomendação outperform para PETR4, com preço-alvo de R$ 64 ao fim de 2026. A XP também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 47.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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