Qredo quer revolucionar o setor de serviços de custódia cripto para instituições

19/06/2021 - 15:33
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Confira, em um artigo completo pelo analista Rasheed Saleuddin, da Messari, do que se trata o projeto Qredo, que deseja revolucionar o setor de custódia institucional no setor DeFi (Imagem: Crypto Times)

As instituições estão chegando. Fundos de hedge e outros investidores iniciais estão comprando bitcoin (BTC).

Tesouros de corporações, incluindo MicroStrategy (MSTR) e Tesla (TSLA; TSLA34), agora possuem bilhões de dólares em bitcoin em seus balanços.

Fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de cripto estão se multiplicando no Canadá, na Europa e na América do Sul. Grayscale gerencia mais de U$ 20 bilhões em bitcoin. E olha que essas são apenas as informações públicas.

Como fiduciárias, legalmente responsáveis pelos investimentos de seus clientes, as instituições devem demonstrar que asseguraram seus ativos sob gestão e têm controle para evitar negociações e saques não autorizados.

Em cripto, todo o controle emana da posse das chaves privadas relacionadas às posses em cripto. Quando uma chave privada é roubada, todos os ativos são comprometidos. Não existe uma forma de recuperá-los ou retorná-los a protocolos ou carteiras.

O uso e o cuidado de chaves privadas são repletos de risco, mesmo para usuários nativos de cripto. Como consequência, a gestão de chaves privadas continua sendo o principal motivo de preocupação para gestores de criptoativos.

Porém, grande parte das soluções de custódia são altamente centralizadas, apresentando benefícios (existe uma instituição que pode ser processada se algo der errado), mas também apresenta desvantagens no crescente risco de contraparte e nos custos.

Um dos maiores obstáculos da crescente negociação descentralizada de criptomoedas é a dificuldade, a centralização e os custos de conversão entre blockchains.

Embora seja simples converter bitcoin em ether (ETH) em uma corretora centralizada (CEX), é mais difícil fazer isso de forma descentralizada. Apesar de muitas tentativas promissoras, como THORChain e AnySwap, por enquanto, o problema continua sem solução em grande escala.

Quando um detentor está em uma plataforma — seja ela uma CEX, uma custodiante ou um blockchain —, não é tão fácil migrar os ativos. Quer vender ativos na Coinbase enquanto seus ativos estão na Binance? Sinto muito.

Qredo, um protocolo descentralizado de custódia, foi criado em meio a esse obstáculo e aborda inúmeros problemas para detentores de ativos ao oferecer:

1. dependência decrescente de contrapartes centralizadas ao descentralizar a delegação da gestão de criptoativos;

2. menos dependência de restrições/problemas de liquidações em blockchain com conversões atômicas de ativos interblockchains em seu próprio blockchain;

3. transações a baixo custo ao encorajar que mais ativos estejam disponíveis no blockchain.

A um nível elevado, Qredo é um protocolo descentralizado de custódia que permite que usuários transfiram qualquer ativo entre blockchains usando o próprio blockchain do Qredo baseado na Tendermint. É composto de:

– Qredo Vault / Cluster de Computação MultiParte (MPC) – gera, assegura e fornece acesso a ativos de primeira camada. Não há necessidade de criar chaves privadas;

– Watcher – atua como um roteador autônomo entre os Clusters, o blockchain Qredo e os nós de criptomoedas de primeira cada;

– Blockchain Qredo – um blockchain autônomo desenvolvido na Tendermint.

Arquitetura lógica do Qredo (Imagem: Qredo)

Qredo acredita que tem o potencial de criar um ecossistema completo de soluções de mercado de capitais, como negociação e empréstimo.

A liquidez será fornecida em parceria com algumas das principais fornecedoras de serviços cripto, incluindo investidores, a credora centralizada Celsius e a corretora de futuros e opções Deribit.

Parcerias com investidores institucionais e plataformas de negociação permitem uma maior flexibilidade na seleção de plataformas, garantindo a melhor execução.

No atual mundo de multichains e multicorretoras, a negociação em uma CEX primeiro exige a migração de ativos para aquela plataforma. Na solução descentralizada de custódia do Qredo, ativos podem aparecer instantaneamente em qualquer uma das corretoras participantes.

Conversões entre dois ativos na rede Qredo são de baixo custo, independente de em qual blockchain os verdadeiros ativos nativos estão.

Converter ETH para BTC ou LUNA se torna algo simples entre dois ativos no blockchain Qredo em vez de algo complicado que envolva transações com altas taxas de gás para endereços na rede nativa de primeira chamada.

Atualmente, essas conversões são feitas de ponto a ponto (P2P), mas uma corretora descentralizada (DEX) do Qredo está vindo aí.

Agora, Qredo está disponível com serviço de custódia e transacional para 15 tokens na primeira versão de sua rede principal.

Recentemente, arrecadou US$ 11 milhões para fornecer suporte a seu foco contínuo em fornecer “uma infraestrutura [completa] de gestão de criptoativos e um conjunto de produtos criados para liberar novas oportunidades para investidores institucionais”.

Rede de liquidações em segunda camada (Imagem: Qredo)

Parceria entre Qredo e HedgeGuard deseja solucionar
problemas de liquidez em DeFi

Tecnologia

Como Qredo é capaz de fornecer custódia descentralizada e transações de baixo custo? Utiliza seu próprio blockchain, desenvolvido na Tendermint, usando o conjunto de desenvolvimento de software (SDK) da Cosmos.

A primeira rede principal do Qredo é assegurada por 24 nós localizados em seis centros de dados TIER 4 (de tolerância a falhas) em seis centros financeiros.

Isso significa que, por enquanto, o blockchain está longe de ser completamente descentralizado, apesar de o plano ser a migração para a descentralização completa ao longo do tempo.

No futuro, validadores da segunda versão poderão realizar o staking e obter tokens de governança QREDO como “slashing” (punição para maus agentes)/incentivos.

Ao assegurar ativos custodiados em seu blockchain, Qredo decide não usar a tecnologia tradicional de multiassinaturas (“multisig”), exigindo a verificação de chaves privadas “M por N” para verificar cada transação.

Apesar de popular, as desvantagens desse método incluem (1) o tamanho de transação (e, assim, o custo) aumenta com o número necessário de signatários; e (2) a dependência de contratos autônomos, fazendo com que a arquitetura tenha risco a hacks.

Qredo usa um Esquema de Assinaturas com Limite (TSS), um tipo especial de Computação MultiPartes (MPC) que é, por sua vez, uma variação do Compartilhamento Secreto de Shamir (SSS): a divisão de chaves privadas em múltiplos “compartilhamentos de chave”, exigindo a aprovação “M por N” de detentores de chaves privadas para efetivar uma transação.

Quando assinaturas “M por N” são coletadas, uma assinatura privada aprova uma transação. MPC é usada por grande parte das custodiantes centralizadas mais populares, incluindo Fireblocks e Bakkt Warehouse, mas também por protocolos descentralizados, como THORchain.

Os compartilhamentos de chave de usuários — oferecendo direitos de governança e acesso contanto que o limite seja atingido — são armazenados nos nós MPC e protegidos por medidas de segurança, como a rotatividade de chaves.

Quando assegurados na Qredo, qualquer transação na rede Qredo é feita a baixo custo, e a custódia não é cobrada. O blockchain Qredo possui nativamente todo o BTC, ETH etc. e o blockchain permite a liquidação entre endereços do Qredo.

A interface do Qredo consiste de um aplicativo de internet que requer o login por meio de um aplicativo móvel (via PIN e biometria).

O administrador de uma carteira pode criar uma conta de organização e autorizar usuários, como gestores, negociadores e outros administradores.

Cada parte pode convidar outras carteiras a se unir à sua rede de confiança e podem visualizar ordens pendentes, atividades de conta, inventários e endereços de boa reputação (“whitelist”). Uma política separada de negociação e saque pode ser implementada para fornecer maior segurança.

Atualmente, transações são facilitadas pelo Liquidity Hub, um simples mural informativo onde endereços web (ou URLs) de ordens podem ser transmitidos a uma contraparte específica ou compartilhados com a lista de boa reputação completa e, quando aceitos, são executados imediatamente a um custo muito baixo.

Em 25 de maio de 2021, Qredo fornecia suporte a BTC, ETH e a 13 tokens padrão ERC-20, incluindo USDT e USDC.

Roteiro de desenvolvimento

Recentemente, Qredo finalizou uma rodada “seed” (para impulsionar seu crescimento) de US$ 11 milhões. Não é coincidência que os investidores iniciais do Qredo incluem alguns dos maiores investidores institucionais e muitas das maiores plataformas centralizadas de cripto.

O plano é que parceiros Qredo forneçam serviços de tomada e concessão de empréstimos e de negociação para substituir o atual mural informativo. Deribit, uma das maiores corretoras de futuros e opções, já está trabalhando em uma integração personalizada.

Uma formadora automatizada de mercado (AMM) para a DEX também está sendo desenvolvida. Usuários serão capazes de transacionar em qualquer plataforma usando Qredo de forma instantânea em vez de ter que transferir garantias antes da execução.

Outros investidores — CMS Holdings, Wintermute, Kronos e GSR — estarão dispostos a acrescentar liquidez ao crescente ecossistema.

O ecossistema planejado do Qredo (Imagem: Messari)

Qredo reconhece que seu blockchain está longe de ser completamente descentralizado, como é de costume em plataformas cripto que ainda estão em sua primeira versão.

Na segunda versão, Qredo planeja se aproximar da completa descentralização com um token nativo, validadores independentes e governança por uma organização autônoma descentralizada (DAO).

Qual é o futuro da custódia?

O objetivo do Qredo é fornecer aos investidores institucionais duas soluções em uma: uma solução custodial barata, segura e descentralizada e conversões entre blockchains a baixo custo e outros serviços de finanças descentralizadas (DeFi).

A primeira versão da plataforma já está funcionando e uma maior descentralização e acréscimos ao ecossistema estão previstos.

Para obter sucesso, Qredo precisará convencer instituições de que seu blockchain — um que não possui a segurança da Ethereum, diferente de futuras redes de segunda camada — não é apenas o lugar apropriado para criptoativos, como também o melhor blockchain para a melhor execução.

Os investidores recentes — plataformas ativas e conhecidas, bem como fornecedores de liquidez — oferecem dicas sobre o futuro do Qredo, mas o tempo dirá como será sua adesão.

Por que o conceito de “descentralização” é importante?

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 19/06/2021 - 15:37

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