Seguros nas finanças descentralizadas (DeFi): como fornecer uma rede de proteção a usuários?

27/03/2021 - 11:00
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Mike Miglio, CEO da empresa especializada em cobertura descentralizada de risco Bridge Mutual, explora as formas que a indústria DeFi pode se proteger melhor em meio a altíssimas perdas de centenas de milhões de dólares (Imagem: Freepik/vectorjuice)

Conforme o preço do bitcoin (BTC), ether (ETH) e até dogecoin (DOGE) continua a disparar, é a força e a proposta de valor do possível mecanismo transformador chamado finanças descentralizadas (DeFi) que direciona a terceira grande onda cripto.

Desde a febre inicial das DeFi em 2020, o valor total bloqueado (TVL) multiplicou 13 vezes e chegou em US$ 13 bilhões. O trem DeFi não demonstra sinais de que irá parar, pois, em 2020, com o acréscimo de US$ 27 bilhões, o valor total do setor chegou a US$ 40 bilhões.

Porém, maiores recompensas têm maiores riscos. Corretoras podem ser invadidas, ladrões podem obter acesso ilegal, posses de cripto podem ser roubadas em um piscar de olhos e, embora contratos autônomos sejam imutáveis, isso não significa que não possam ser hackeados.

Em 2020, serviços DeFi perderam mais de US$ 150 milhões — grande parte devido a invasões em plataformas. Centenas de milhões foram lavados em protocolos DeFi.

Embora “agir rápido e destruir tudo” possa ser uma ótima filosofia para a inovação tecnológica e financeira, não necessariamente vale para investimentos ou a segurança desses investimento.

Então como alinhar melhor a grande recompensa financeira que DeFi apresentam com um perfil de risco mais estável?

Bom, com a rede de proteção financeira que funciona desde o século XIV: seguro.

O “velho truque” da proteção de seguros desenvolvida em DeFi não apenas protege contra as múltiplas camadas de vulnerabilidade e ataques baseados em invasões que cercam o setor DeFi e outros serviços, pode ser desenvolvido como sua própria camada de serviço DeFi que pode captar um valor de até trilhões de dólares.

Uma questão de confiança

A questão mais evidente nas finanças tradicionais é a percepção — mais especificamente, a percepção de segurança e estabilidade.

Você pode não obter um lucro de 800% em seu investimento em dogecoin — como aconteceu quando Elon Musk mencionou a criptomoeda —, mas você teria mais tranquilidade de que não perderia 100% desse pé-de-meia.

Dogecoin é uma criptomoeda que passou por um aumento de preço impressionante quando o bilionário Elon Musk a mencionou (Imagem: YouTube/ZimoNitrome)

Porém, uma vantagem que cripto possui em relação às finanças tradicionais é o avanço do tipo de inovação que pode desenvolver uma tranquilidade nova e melhor. E se pegássemos os princípios DeFi e os aplicássemos ao conceito dos seguros?

Existem alguns mecanismos que podem funcionar para as DeFi. Você começa com dois tipos de usuários.

O primeiro, já ciente do conceito de seguro, é o “detentor de apólices” que está assegurado e adquire a apólice.

O segundo grupo é onde a inovação acontece: “stakers”, que fornece liquidez e pode escolher, com base em uma análise de fatores de risco, quais categorias de apólice eles gostariam de fornecer com a liquidez.

Os stakers receberiam, como recompensa, uma parte dos prêmios pagos pelos detentores de apólices, bem como outros rendimentos gerados pelo reinvestimento automático nos fundos de cobertura da plataforma.

Usuários podem adquirir diferentes tipos de políticas com base na categoria dos ativos (contratos autônomos, corretoras, stablecoins etc.).

Geralmente, contratos autônomos são protegidos contra hacks, invasões e “puxadas de tapete” (quando a equipe fundadora rouba todos os fundos de sua própria economia de tokens por meio de um escape no código e desaparece).

Stablecoins são protegidas contra falhas de preço, pois seu principal objetivo é manter um ponto específico de preço. Apólices permitem reembolsos do valor máximo adquiridos pelo detentor.

A comunidade é responsável por determinar se um evento será passível de cobertura por uma apólice.

A fronteira final das DeFi

Parece que a nascente indústria de seguros DeFi ainda tem um longo caminho a percorrer para capturar o mercado de seguros, mas pode não demorar tanto assim.

Em seu próprio nicho de cobertura, que começou em junho de 2020, o mercado de cobertura já passou de uma capitalização de US$ 0 para US$ 290 milhões.

Sim, isso pode não parecer muito em comparação ao mercado tradicional de seguros, que possui cerca de US$ 5 trilhões mas, assim como todas as indústrias que foram impulsionadas pelas iterações tecnológicas nas últimas décadas, grande parte da estrutura pode ser facilmente convertida em DeFi.

O mercado de US$ 3,7 trilhões, atualmente coberto apenas por swaps inadimplentes, poderia ser digitizado e descentralizado a médio prazo.

Seguros são como uma proteção, assim como muitos outros instrumentos financeiros. Uma empresa coleta prêmios e essa empresa continua viável porque a quantia coletada de prêmios é maior do que reembolsos pagos.

Com outras ferramentas DeFi, parece um problema adequado para a sabedoria do público em vez de intermediários e grandes empresas, principalmente quando essas empresas praticamente odeiam seus clientes.

Embora não seja fácil, e não vá acontecer da noite para o dia, DeFi estão bem-posicionadas para abalar a indústria dos seguros.

Quando o fizer, não irá apenas desbloquear um valor de trilhões de dólares, mas será uma rede de proteção melhor, que há tempos é comprometida por uma estrutura imperfeita e fornecedores de má-fé.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 23/03/2021 - 11:10

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