As companhias aéreas Azul e Gol informaram o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o acordo de codeshare anunciado recentemente e não esperam que obstáculos sejam impostos pela autoridade de defesa da concorrência no país, disse o presidente-executivo da Azul em entrevista à Reuters.
Acordos de codeshare não exigem autorização antitruste no Brasil, mas alguns profissionais que acompanham o setor expressaram preocupação com a concentração de mercado e sugeriram que o Cade deveria analisar o assunto.
“Fomos ao Cade para explicar tudo o que nós estamos fazendo e, se eles escolherem olhar, tudo bem”, disse o presidente-executivo da Azul, John Rodgerson. “Não tem rota em sobreposição, não temos coordenação de escala nem de precificação, então não vemos problema.”
Rodgerson observou que a Azul teve um acordo semelhante com a rival Latam em 2020, quando a pandemia atingiu o setor. Esse acordo terminou no ano seguinte, quando a Azul tentou, sem sucesso, uma combinação com a Latam.
O novo acordo de codeshare da Azul com a Gol ocorre depois que esta última entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro nos Estados Unidos, em meio a dificuldades com dívidas elevadas e atrasos nas entregas de aviões pela Boeing.
Mas Rodgerson disse que as empresas já estavam em negociações para algum tipo de acordo antes mesmo disso, dadas as suas malhas complementares. A Gol tem foco em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, enquanto a Azul possui uma rede mais dispersa.
“Operamos mais ou menos 100 cidades que a Gol não opera, e a partir de agora pode fluir muito mais fácil”, disse.
*Reuters