Ibovespa acompanha NY e cai aos 190 mil pontos à espera de conversas entre EUA e Irã; dólar tem leve baixa a R$ 4,99
O Ibovespa (IBOV) estendeu as perdas das sessões anteriores em meio à incertezas sobre as negociações de paz no Oriente Médio. As decisões de política monetária previstas para a próxima semana também entraram no radar.
Nesta sexta-feira (24), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,33%, aos 190.745,02 pontos. Na semana, mais curta pelo feriado de Tiradentes, o Ibovespa acumulou desvalorização de 2,55%.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 4,9982, com perda de 0,11%. No acumulado da semana, a divisa acumulou valorização de 0,30% ante o real.
Por aqui, os investidores acompanharam o início da temporada de balanços do primeiro trimestre (1T26) com Usiminas (USIM5).
Os dados macroeconômicos também dividiram as atenções. Segundo o Banco Central, o déficit em transações correntes totalizou US$ 6,036 bilhões em março, com o déficit acumulado em 12 meses totalizando o equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB).
A expectativa em pesquisa da Reuters com especialistas era de um saldo negativo de US$ 5,489 bilhões no mês. No mesmo período do ano anterior houve déficit de US$ 2,930 bilhões.
Na avaliação do Itaú BBA, o déficit em conta corrente voltou a piorar na margem, refletindo a desaceleração do saldo comercial em março – “em que ainda não se observaram plenamente os efeitos positivos do aumento do preço de exportação de petróleo, mas que já estão presentes nos dados de abril”.
Altas e quedas do Ibovespa
A Usiminas (USIM5) abriu a temporada de resultados do 1T26 com números acima do esperado. A companhia reportou lucro líquido de R$ 896 milhões, alta de 166% na comparação anual, impulsionada pela melhora operacional, efeitos cambiais positivos e maior reconhecimento de créditos tributários com a valorização do real frente ao dólar.
Em reação, USIM5 figurou a segunda maior alta do Ibovespa com ganho de 5,55%, a R$ 7,61.
Já as ações da Hapvida (HAPV3) encabeçaram a ponta positiva do IBOV, com avanço de 5,94% (R$ 14,09), após a companhia informar que os acionistas controladores passaram a deter 55,4% do capital social da empresa. Se forem excluídas em ações em tesouraria, a participação agregada dos acionistas corresponde a 58,62%.
A ponta negativa do índice foi liderada por Brava Energia (BRAV3), com baixa de 5,75% (R$ 19,01). Ontem (23), a petroleira confirmou a aquisição de 26% do capital social pela Ecopetrol e o interesse da colombiana em realização uma oferta voluntária (OPA) para deter, em conjunto, 51% do capital votante da junior oil.
Entre os pesos-pesados, os bancos registraram o terceiro dia de perdas. O Índice Financeiro (IFNC) encerrou o pregão com queda de 0,23%.
Ainda entre os ‘gigantes’ do IBOV, a Vale (VALE3) encerrou o dia com queda de 0,12%, a R$ 85,87 na esteiro do desempenho do minério de ferro. Negociado em Dalian, na China, o contrato futuro mais negociado da commodity subiu 0,19%, encerrando a 786,5 yuans (US$ 115,20) a tonelada.
Já as ações de Petrobras (PETR3; PETR4) também cederam na esteira do desempenho do petróleo Brent – que fechou em tom negativo, a 99,13 o barril. PETR3 recuou 0,97%, a R$ 52,24, enquanto PETR4 teve baixa de 1,28%, a R$ 47,16.
Bancos, Petrobras e Vale juntos correspondem a 50% do IBOV.
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Exterior
Os índices de Wall Street fecharam o pregão sem direção única, com novos recordes de S&P 500 e Nasdaq, em meio à expectativa de uma nova rodada de negociações entre Washington e Teerã.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a jornalistas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja mandar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para negociações com Araqchi em Islamabad, e a dupla partirá ao Paquistão na manhã deste sábado (25).
Já n final da tarde, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciou novas sanções contra o Irã, incluindo o congelamento de US$ 344 milhões em criptomoedas.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,16%, aos 49.230,71 pontos;
- S&P 500: +0,80%, aos 7.165,08 pontos – no maior nível nominal histórico;
- Nasdaq: +1,63%, aos 24.836,599 pontos – no maior nível nominal histórico.
Na Europa, os principais índices fecharam em tom negativo. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 0,58%, aos 610,65 pontos.
Na Ásia, os índices encerraram majoritariamente em alta. O índice Nikkei, do Japão, teve ganho de 0,97%, aos 59.716,18 pontos e o índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,24%, aos 25.978,07 pontos.