Mercado não gostou? Brava Energia (BRAV3) cai até 8% com possível negócio com a Ecopetrol
As ações da Brava Energia (BRAV3) lideram a ponta negativa do Ibovespa (IBOV) nesta sexta-feira (24) ainda em reação à notícia de compra de participação pela Ecopetrol e interesse da colombiana em adquirir controle da companhia brasileira.
Por volta de 11h20 (horário de Brasília), BRAV3 caía 3,92%, a R$ 19,38. Na primeira hora do pregão, a queda foi de 7,93% (R$ 18,57). Na véspera, as ações encerraram com baixa de 1,13%, a R$ 20,17.
Os papéis da Brava Energia também são os mais negociados da B3 pela segunda sessão consecutiva. No mesmo horário, BRAV3 registrava 20,1 mil negócios e giro financeiro de R$ 239,4 milhões. No pregão anterior, a empresa movimentou cerca de R$ 514,6 milhões na bolsa brasileira.
Ontem (23), a companhia confirmou que recebeu carta da Ecopetrol referente à aquisição de ações detidas por determinados acionistas e que a colombiana pretende realizar uma oferta pública (OPA).
Em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a junior oil afirmou que a Ecopetrol adquiriu 26% co capital social da companhia, operação que está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A colombiana ainda pretende lançar OPA voluntária ao preço de R$ 23 por ação para alcançar 51% de participação na petroleira brasileira.
Por que as ações caem?
Mesmo com o preço da OPA superior às cotações atuais, as ações da Brava Energia recuam.
Na visão do analista Regis Cardoso, da XP, o desempenho negativo dos papéis após o anúncio das transações da Ecopetrol precifica já o risco de execução, ou seja, a prossibilidade de a operação não ser concluída.
Além disso, ele também avalia que a queda nas cotações considera o valor do dinheiro no tempo até a realização da OPA a R$ 23/ação e, sobretudo, o valor de mercado da participação remanescente após a OPA.
Isso porque, uma vez concluída a OPA, os investidores remanescentes passarão a ser acionistas minoritários de uma companhia “cuja orientação estratégica pode mudar de forma relevante sob um novo controlador — em especial uma estatal colombiana, com interesse em ampliar produção e reservas”, afirmou Cardoso.
“Nesse contexto de incerteza, o mercado parece atribuir um valor mais baixo às ações em circulação da Brava após a OPA”, acrescentou o analista em relatório.
Ecopetrol no controle
O Citi afirmou que o interesse da Ecopetrol na Brava Energia não é “uma novidade”, já que vinham circulando rumores na imprensa há algum tempo. Sendo ssim, o espera que a OPA da Brava pela Ecopetrol deve acontecer em breve, possivelmente nas próximas semanas.
Para os analistas, o negócio traz alguns fatores positivos para a junior oil como a redução do custo de capital da companhia e ajustes na estrutura de capital “mais rápidos do que o esperado inicialmente”.
Na visão do Safra, a entrada da Ecopetrol como acionista controladora também pode fortalecer a posição financeira e estratégica da Brava ao longo do tempo.
“O perfil de crédito mais robusto da controladora pode se traduzir em menor custo da dívida e melhor acesso a capital, apoiando a capacidade de financiamento de investimentos futuros”, escreveram os analistas Conrado Vegner e Vinícius Andrade, em relatório.
Já o Bradesco BBI considera que a Ecopetrol não possui experiência suficiente na operação de ativos offshore e, geralmente, desenvolve esses ativos fora da Colômbia com parceiros experientes, como Shell em Gato do Mato e Occidental no xisto dos Estados Unidos.
“Isso poderia acelerar o processo de fusões e aquisições para ativos offshore no Brasil – a joia da coroa da Brava –, o que poderia ajustar a valor de mercado a avaliação implícita da empresa”, afirmaram os analistas Vicente Falanga e Ricardo França.
O BTG Pactual ainda destaca que um próximo passo importante a monitorar é a reação do presidente colombiado Gustavo Petro, já que sua postura firme contra o petróleo já inviabilizou transações transformacionais para a Ecopetrol – a exemplo da aquisição da CrownRock em 2024.
“Isso pode novamente surgir como uma fonte relevante de incerteza, especialmente com eleições na Colômbia no próximo mês”, chamaram a atenção os analistas Daniel Guardiola, Rodirgo Almeida, Alvaro Leyva e Gustavo Cunha.
O que fazer com as ações agora?
Os analistas, em geral, mantiveram as recomendações para as ações da Brava Energia (BRAV3), sendo majoritariamente de compra.
O Morgan Staley, porém, rebaixou a recomendação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 28 para R$ 23.
Confira as recomendações que o Money Times teve acesso:
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de valorização |
| Bradesco BBI/Ágora Investimentos | Compra | R$ 27,00 | 33,86% |
| BTG Pactual | Compra | R$ 23,00 | 14,03% |
| Citi | Compra | R$ 25,00 | 23,95% |
| Morgan Stanley | Neutra | R$ 23,00 | 14,03% |
| Safra | Compra | R$ 27,00 | 33,86% |
| XP | Compra | R$ 22,00 | 9,07% |