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M. Dias Branco (MDIA3) decepciona BTG e Safra no 1T26; margens encolhem e pressão competitiva preocupa analistas

08 maio 2026, 12:40 - atualizado em 08 maio 2026, 12:58
m. dias branco mdia3
(Imagem: YouTube/M. Dias Branco)

A M. Dias Branco (MDIA3) voltou a frustrar o mercado no primeiro trimestre de 2026. Os resultados vieram abaixo das estimativas tanto do BTG Pactual quanto do Safra, em meio à pressão sobre preços, margens comprimidas e um cenário mais desafiador para os segmentos de biscoitos e massas no Brasil. Por volta de 12h07, as ações recuavam 11,85%.

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O Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado da companhia ficou entre R$ 180 milhões e R$ 184 milhões, dependendo dos ajustes considerados pelos bancos, muito abaixo das projeções. Para o BTG, o indicador veio 34% abaixo de sua estimativa, enquanto o Safra apontou resultado 26% inferior ao esperado e 28% abaixo do consenso de mercado.

A margem Ebitda recuou para cerca de 8%, retornando a um patamar de um dígito e reforçando as dúvidas sobre a capacidade da companhia de recuperar rentabilidade enquanto tenta ganhar participação de mercado.



Segundo o BTG, este foi o terceiro trimestre consecutivo de “miss” relevante no EBITDA.

“A tentativa da M. Dias Branco de recuperar volumes parece estar vindo a um custo maior a cada trimestre”, apontaram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

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A receita líquida ficou praticamente estável em relação ao ano passado, em cerca de R$ 2,2 bilhões, pressionada pela queda dos preços médios, apesar do avanço nos volumes vendidos.

Os volumes totalizaram 408 mil toneladas, alta de 3% na comparação anual e o maior nível desde o 1T20, segundo o BTG. Ainda assim, os preços médios caíram entre 3% e 5%, dependendo da base de comparação.

Para o Safra, o principal problema do trimestre foi justamente a deterioração dos preços.

“O efeito de mix pressionou preços e margem bruta, apesar do custo por quilo abaixo do esperado”, afirmou o banco.

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A companhia atribuiu a queda de preços ao maior peso de categorias como farinha, farelo e gordura vegetal industrial, impulsionadas pelo food service.

Mesmo assim, o mercado enxergou um movimento promocional mais agressivo da empresa, especialmente em biscoitos e massas.

Segundo dados da Nielsen citados pelos relatórios, o mercado brasileiro de biscoitos e crackers cresceu 3% em valor no trimestre, mas registrou queda de 4% nos volumes. Já o segmento de massas também apresentou retração de 4% em volume.

Apesar disso, a M. Dias conseguiu ganhar participação de mercado em biscoitos e crackers — entre 1,2 ponto percentual e 1,9 ponto percentual, dependendo da métrica utilizada — e manteve share estável em massas.

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O problema, segundo o BTG, é que a empresa agora tenta crescer dentro de categorias que parecem estruturalmente mais fracas.

“Talvez o elemento mais preocupante seja que os segmentos mais importantes para a MDB agora aparentam estar encolhendo”, destacou o banco.

Ao mesmo tempo, as despesas comerciais aumentaram de forma relevante. As despesas com vendas atingiram 20,5% da receita, o maior nível em cinco anos, enquanto as despesas totais de SG&A chegaram ao maior patamar histórico por tonelada vendida.

Os analistas também começam a questionar a viabilidade das antigas metas de margem EBITDA entre 15% e 20%.

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Custos devem piorar para MDIA3

Para o BTG, o cenário competitivo, as mudanças na cadeia de distribuição de alimentos e os novos hábitos de consumo tornaram esse objetivo cada vez menos plausível.

Além disso, o ambiente de custos pode voltar a piorar. Após um período de alívio com real mais forte e commodities mais baratas, trigo e óleo de palma começam novamente a subir, o que pode aumentar ainda mais a pressão sobre margens.

“Nossa estimativa de margem EBITDA de 12% para 2026 agora parece excessivamente otimista”, afirmou o BTG, indicando revisão nas projeções.

Apesar da pressão operacional, o balanço segue saudável. A companhia encerrou o trimestre com posição de caixa líquido de R$ 688 milhões e alavancagem negativa de 0,6 vez EBITDA, segundo o Safra.

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O fluxo de caixa livre, porém, caiu 66% na comparação anual, para R$ 63 milhões.

Tanto BTG quanto Safra mantiveram recomendação neutra para as ações. O BTG tem preço-alvo de R$ 25 para MDIA3, enquanto o Safra trabalha com R$ 29.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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