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Mercado de trabalho resiliente nos EUA mantém pressão sobre o Federal Reserve

08 maio 2026, 12:34 - atualizado em 08 maio 2026, 12:34
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(Imagem: REUTERS/Brian Snyder/File Photo)

O mercado de trabalho dos Estados Unidos voltou a surpreender os mercados em abril e reacendeu o debate sobre os próximos passos do Federal Reserve.

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A economia americana abriu 115 mil vagas no mês, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo U.S. Bureau of Labor Statistics. O resultado veio acima das expectativas do mercado, que projetava a criação de 65 mil postos de trabalho.

Apesar de mostrar desaceleração em relação aos meses anteriores, o payroll reforçou a percepção de que o mercado de trabalho dos EUA continua resiliente, cenário que reduz o espaço para cortes de juros no curto prazo.

A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, enquanto o salário médio por hora avançou 0,2% no mês e 3,6% em 12 meses.

Além disso, os dados anteriores foram revisados. Março passou de 178 mil para 185 mil vagas criadas, enquanto fevereiro sofreu forte revisão negativa, saindo de fechamento de 133 mil para corte de 156 mil empregos.

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Mercado de trabalho resiliente mantém pressão sobre Fed

Na avaliação de Claudia Moreno, economista do C6 Bank, os números reforçam que o mercado de trabalho americano segue sólido, especialmente pelo desempenho do setor privado.

“Quem puxou esse resultado foi o setor privado, que em abril registrou 123 mil admissões”, afirmou.
A economista destacou ainda que a taxa de desemprego segue baixa para os padrões históricos dos EUA, mesmo em um contexto de redução gradual da participação da força de trabalho.

Segundo ela, menos pessoas procurando emprego reduz a necessidade de abertura de vagas para manter o desemprego estável, um movimento observado nos últimos meses.

O avanço dos salários também permanece no radar da autoridade monetária americana. “A média salarial continua subindo em ritmo forte. Esse avanço tende a sustentar o consumo das famílias e, ao mesmo tempo, elevar os custos das empresas, o que puxa a inflação para cima”, avaliou Moreno.

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Para o C6, a combinação entre mercado de trabalho resiliente, inflação ainda pressionada e riscos geopolíticos reduz significativamente as chances de corte de juros nos próximos meses.

A leitura da InvestSmart XP também aponta cautela para a política monetária americana e reforça o impacto da energia sobre a inflação.

Segundo Sara Paixão, analista de macroeconomia da casa, um mercado de trabalho ainda aquecido pode ajudar a espalhar os efeitos do recente choque nos preços de energia pela economia. “Uma das preocupações do Fed é justamente a possibilidade de efeitos persistentes de segunda ordem”, afirmou.

Mesmo após o dado forte, porém, a curva de juros americana operava em leve queda nesta sexta-feira, após atingir máximas de 12 meses recentemente.

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Um outro ponto de vista

Já Andressa Durão, economista do ASA adotou um tom mais moderado sobre o relatório. Para ela, o payroll mostra um mercado de trabalho resiliente e sem sinais de recessão, mas ainda distante de um cenário de forte pressão inflacionária.

A economista destacou que a média móvel trimestral do emprego privado desacelerou e chamou atenção para os dados da chamada Household Survey, pesquisa que acompanha o comportamento das famílias americanas.

Segundo o ASA, a estabilidade da taxa de desemprego refletiu uma nova redução da força de trabalho, enquanto o nível de emprego apresentou queda relevante.

Além disso, embora os salários tenham acelerado na comparação anual, o indicador veio abaixo das expectativas do mercado.

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“Para o Fed, o relatório mostra um mercado de trabalho ainda resiliente, sem sinais de recessão, mas também não suficientemente apertado para gerar riscos inflacionários relevantes”, afirmou Durão.
Ainda assim, a casa avalia que os riscos inflacionários ligados ao prolongamento do conflito no Oriente Médio aumentam a probabilidade de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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