Inflação

Maior nível desde 2023: Inflação dos EUA acende alerta para Federal Reserve

12 maio 2026, 11:30 - atualizado em 12 maio 2026, 11:30
Inflação Estados Unidos
Estados Unidos

A inflação dos Estados Unidos voltou ao centro das atenções do mercado nesta terça-feira (12), após a divulgação do CPI de abril mostrar uma dinâmica ainda desconfortável para o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

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Embora o índice cheio tenha vindo em linha com as expectativas na comparação mensal, a composição do dado reacendeu preocupações.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% em abril, desacelerando em relação à alta de 0,9% registrada em março. Em 12 meses, porém, a inflação acelerou para 3,8%, no maior nível desde maio de 2023. Já o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou 0,4% no mês e 2,8% no acumulado anual.

Economistas destacaram que o dado reforça um cenário de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, especialmente diante da resistência da inflação em serviços.

A economista Andressa Durão, do ASA, chamou atenção para o comportamento do chamado “supercore” de serviços, indicador acompanhado de perto pelo Federal Reserve por excluir os preços de aluguel.

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“O supercore veio bem acima do esperado pela maioria das casas, sugerindo que a inflação no setor está bastante pressionada”, afirmou.

Segundo ela, a inflação cheia ainda reflete os efeitos da guerra entre Irã e EUA, principalmente sobre os preços de energia, mas já há sinais de contaminação em segmentos ligados a viagens e serviços.
Entre os componentes que mais pressionaram o índice aparecem hotéis, aluguel residencial e outros serviços pessoais.

Já Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, avaliou que o resultado mostra uma inflação mais espalhada pela economia americana, e não apenas concentrada no choque energético.

“O longo processo de desinflação segue encontrando obstáculos externos, o que pode levar o Fed a manter uma postura de cautela e vigilância”, disse.

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Na avaliação dele, a persistência do núcleo acima da meta e a aceleração da taxa anual reforçam a tese de adiamento do início dos cortes de juros nos Estados Unidos.

O mercado vinha alimentando expectativas de flexibilização monetária ao longo do segundo semestre, mas os números mais recentes vêm esfriando parte dessas apostas. A leitura de abril fortalece a percepção de que o banco central americano deverá manter as condições restritivas por mais tempo para garantir a convergência da inflação à meta de 2%.

No mercado financeiro, a repercussão foi imediata. Os rendimentos dos Treasuries ganharam força, enquanto investidores recalibraram as projeções para a trajetória dos juros americanos. O movimento também adiciona pressão sobre ativos de risco e mercados emergentes, incluindo o Brasil, em um ambiente global ainda marcado por incertezas geopolíticas e inflação resiliente.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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