Maior nível desde 2023: Inflação dos EUA acende alerta para Federal Reserve
A inflação dos Estados Unidos voltou ao centro das atenções do mercado nesta terça-feira (12), após a divulgação do CPI de abril mostrar uma dinâmica ainda desconfortável para o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Embora o índice cheio tenha vindo em linha com as expectativas na comparação mensal, a composição do dado reacendeu preocupações.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% em abril, desacelerando em relação à alta de 0,9% registrada em março. Em 12 meses, porém, a inflação acelerou para 3,8%, no maior nível desde maio de 2023. Já o núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, avançou 0,4% no mês e 2,8% no acumulado anual.
Economistas destacaram que o dado reforça um cenário de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, especialmente diante da resistência da inflação em serviços.
A economista Andressa Durão, do ASA, chamou atenção para o comportamento do chamado “supercore” de serviços, indicador acompanhado de perto pelo Federal Reserve por excluir os preços de aluguel.
“O supercore veio bem acima do esperado pela maioria das casas, sugerindo que a inflação no setor está bastante pressionada”, afirmou.
Segundo ela, a inflação cheia ainda reflete os efeitos da guerra entre Irã e EUA, principalmente sobre os preços de energia, mas já há sinais de contaminação em segmentos ligados a viagens e serviços.
Entre os componentes que mais pressionaram o índice aparecem hotéis, aluguel residencial e outros serviços pessoais.
Já Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, avaliou que o resultado mostra uma inflação mais espalhada pela economia americana, e não apenas concentrada no choque energético.
“O longo processo de desinflação segue encontrando obstáculos externos, o que pode levar o Fed a manter uma postura de cautela e vigilância”, disse.
Na avaliação dele, a persistência do núcleo acima da meta e a aceleração da taxa anual reforçam a tese de adiamento do início dos cortes de juros nos Estados Unidos.
O mercado vinha alimentando expectativas de flexibilização monetária ao longo do segundo semestre, mas os números mais recentes vêm esfriando parte dessas apostas. A leitura de abril fortalece a percepção de que o banco central americano deverá manter as condições restritivas por mais tempo para garantir a convergência da inflação à meta de 2%.
No mercado financeiro, a repercussão foi imediata. Os rendimentos dos Treasuries ganharam força, enquanto investidores recalibraram as projeções para a trajetória dos juros americanos. O movimento também adiciona pressão sobre ativos de risco e mercados emergentes, incluindo o Brasil, em um ambiente global ainda marcado por incertezas geopolíticas e inflação resiliente.