Eleições 2026

Mercado irracional, startup no Palácio do Planalto e Kim superministro: As propostas do ‘outsider’ Renan Santos

30 jun 2026, 7:30 - atualizado em 30 jun 2026, 8:11
Renan Santos (Missão), pré-candidato a presidente da República, durante entrevista (Divulgação/Market Makers)

Pré-candidato a presidente da República pelo Missão, o líder do Movimento Brasil Livre (MBL) Renan Santos deixa a humildade de lado e avalia que somente ele, entre mais de uma dezena de nomes, é capaz de contar com o apoio do mercado financeiro nas eleições 2026. Um discurso fiscalista com reforma profunda na máquina pública e o fato de ser o nome capaz de evitar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) bastam para, segundo ele, conquistar esse apoio rumo ao Palácio Planalto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Eu vou ficar muito surpreso se pessoas que tomam decisões econômicas não me apoiarem, porque seria uma irracionalidade”, disse Santos em entrevista exclusiva ao Money Times. “A única pessoa com discurso econômico fiscalista, de reforma de competitividade sobre o Brasil, e sem medo de ser feliz, sou eu”, completou o autointitulado “outsider” da política.

O pré-candidato completa sobre o porquê de o mercado financeiro apoiá-lo. “É uma questão lógica. Lula já está no segundo turno e o Flávio (Bolsonaro), se for, perde. Logo, como eu que estou em terceiro e em tendência de crescimento, sou aquele que pode substituir o Flávio e a única decisão possível que eles podem fazer para não ter o Lula é me apoiar”, afirmou.

Estar em terceiro, com diz Renan Santos, é relativo. As pesquisas eleitorais o colocam em um grupo de três candidatos que, numericamente, disputa os votos da direita que não quer Flávio Bolsonaro. Além do líder do MBL, estão os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais.

Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro obtiveram 42% e 34%, respectivamente, na pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (29), Renan Santos marcou 4%, Caiado, 5% e Zema, 3%. Somados, os três não chegam nem à metade da preferência do senador do PL.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas fato de um candidato de um partido criado no final de 2025 aparecer nas pesquisas entre os ex-governadores é uma meta vencida, segundo Renan Santos. A próxima é chegar aos 10% em agosto e, posteriormente, caminhar para superar Flávio Bolsonaro e enfrentar Lula no segundo turno.

A receita, segundo ele, é convencer os cerca de 30% do eleitorado que querem um nome alternativo aos dois líderes. “Existe uma massa de eleitores que várias pesquisas detectaram que não são nem Lula e nem são Bolsonaro. Erra quem acha que o Caiado ou o Zema, com todo respeito a eles, são parte desse bloco. Eles são o número dois e o número três do bolsonarismo”, afirmou.

As soluções criativas de Renan Santos

Para debater e convencer essa massa de quase um terço do eleitorado, Renan Santos disse que seguirá propondo “soluções criativas para tudo”, ao ponto de ser, segundo ele mesmo, o candidato mais copiado pelos adversários.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As “soluções criativas” do pré-candidato vão desde a recriação do Estado da Guanabara e até a criação de uma reserva pública em criptomoedas por parte do governo federal. O Palácio do Planalto seria transformado em uma grande startup, com mesas espalhadas pelos grandes salões onde ele, então presidente, debateria com seus ministros e auxiliares programas para o Brasil. Isso já ocorre, de acordo com Renan Santos, no MBL.

“O Planalto e será uma startup. Eu não vou ficar lá no gabinete do presidente, eu vou ficar lá com os caras, tocando essas coisas e, quando eu não estiver lá, quem vai estar? O Kim”, disse, se referindo ao deputado federal Kim Kataguiri (Missão).

Parceiro de Renan Santos desde o início do MBL, Kataguri integrou o movimento que levou para as ruas os protestos contra a corrupção, ajudou a derrubar Dilma Rousseff (PT) e a eleger Jair Bolsonaro. Foi eleito deputado federal em 2018 pelo Democratas, migrou para o Podemos, foi reeleito 2022 e passou pelo União Brasil até chegar ao Missão.

Após desistir de concorrer ao governo paulista, Kataguiri será candidato ao terceiro mandato na Câmara dos Deputados e, antes mesmo da campanha, foi escolhido para o cargo de “superministro” por Renan Santos, caso ele seja eleito presidente da República.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Kim vai ser uma espécie de superministro das reformas do Estado brasileiro. A gente quer congregar num só ministério o Ministério do Trabalho, o Ministério da Previdência, o Ministério do Planejamento e o Ministério das Cidades”, afirmou Renan Santos.

O deputado federal é um dos autores da chamada Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do equilíbrio fiscal, um “pacotaço” capaz de cortar R$ 3 trilhões em despesas do governo em 10 anos, cerca da metade desse valor nos quatro anos do mandato do próximo ou próxima presidente da República, que Renan Santos espera ser ele.

“Teremos uma nova reforma para a Previdência, com desindexação do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e da aposentadoria do salário mínimo, com as desvinculações de (gastos obrigatórios) na saúde e na educação”, afirmou o pré-candidato, O pacote ainda passa por mexer em boa parte das renúncias fiscais concedidas no Brasil e até mesmo na estabilidade do funcionalismo público, segundo ele.

Apoio político em ondas, no papel e sem ladrões

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para aprovar e aplicar medidas tão radicais, Renan Santos conta com o apoio natural do Congresso Nacional e imagina que deputados e senadores o apoiarão pelo poder herdado das urnas eletrônicas. De acordo com ele, o processo de arregimentar esse apoio político é lento, mas natural, e virá em ondas. A primeira será a conquista dos 10% das intenções de voto.

“Se eu virar um fenômeno eleitoral, (na segunda onda) muita gente de outros partidos vai começar a me apoiar, porque esses caras querem voto e vão querer ser base. A terceira onda é ganhar a eleição e precisamos fazer uma maioria tênue na Câmara dos Deputados e no Senado”, afirmou.

A “maioria tênue” para o pré-candidato é ter uma maioria suficiente para aprovar projetos de lei e “uma abertura para toda vez que precisar passar uma PEC, eu tenha meios de ação que envolvem uma composição de governo dentro de parâmetros claros”.

Segundo Renan Santos, o sistema político precisará ser reformado e os partidos terão de se comprometer formalmente com as mudanças caso queiram integrar seu eventual governo. Um compromisso terá de ser assinado pelos partidos, que terão de divulgar um documento oficial com uma resolução concordando com um número determinado de políticas públicas adotadas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Essas políticas foram as vencedoras na eleição e (os partidos) terão de se comprometer a votar com elas se quiserem participar dos ministérios”, disse. Outro ponto para integrar seu governo é “não ser ladrão” porque a lógica, na avaliação de Renan Santos, é que “mesmo eu ganhando a eleição, o brasileiro vai eleger um bando de ladrão”, completou.

A missão do pré-candidato do Missão junto ao Congresso passa por “redisciplinar” as emendas impositivas, instrumentos de maior poder dos parlamentares nas bases eleitorais. Para isso, Renan Santos espera contar com o apoio até mesmo do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Flávio Dino.

“O STF já está trabalhando para redisciplinar isso. Vamos só lembrar que eu, uma vez que ganhar eleição, vou ter a nomeação de três ministros do STF. O jogo vai mudar e espero contar com a colaboração da Câmara e do Senado para fazer no labor e não na dor”, afirmou ele citando o mesmo STF cujos adversários de direita prometem intervenção caso sejam eleitos.

“Se eu ganhei a eleição, significa que uma tese venceu a eleição e que o sistema vai se adaptar a essa tese”, concluiu.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar