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Qual é a diferença entre a criptomoeda da China e o bitcoin?

26/11/2020 - 16:16
Se DCEP tiver ampla adesão, pode ameaçar o bitcoin como o sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto que Satoshi Nakamoto desenvolveu? (Imagem: Crypto Times)

Um termo muito comum na indústria cripto é a sigla CBDC (“moedas digitais emitidas por banco centrais”), que são criptomoedas emitidas e controladas por governos, consideradas como complementos, e não substituições, às moedas nacionais (“fiduciárias”).

Isso porque muitos governos não confiam no bitcoin, pois é uma criptomoeda descentralizada, ou seja, foi programada para funcionar “sozinha”, sem uma autoridade que possa alterar suas funções quando for conveniente.

Criptoativos: utopia ou distopia?

Em 2019, o governo chinês começou a dar indícios de emitir sua própria criptomoeda, o yuan digital — também chamado de sistema DCEP (“Moeda Digital/Pagamento Eletrônico”).

Espera-se que a legalização das apostas esportivas seja muito significativa aos impostos

Ainda não existem muitos detalhes sobre o yuan digital, mas grandes cidades chinesas estão realizando testes-piloto.

Em outubro, para testar a viabilidade e tecnologia da DCEP, a cidade de Shenzhen realizou uma espécie de loteria, pedindo que usuários se cadastrassem no sistema para concorrer a US$ 1,5 milhões em yuans.

Segundo o Decrypt, essa “mega-sena” permitiu que o país analisasse mais de 6,7 mil casos de uso para o yuan digital, como pagamentos de contas, serviços de buffet, transportes, compras e serviços governamentais.

DCEP é uma das soluções tecnológicas e financeiras mais ambiciosas até hoje pois, devido à constante impressão de dólar americano, a maior moeda do mundo pode estar com os dias contados.

“Bitcoiners”, defensores do bitcoin, consideram CBDCs uma bênção, mas também uma maldição. Por um lado, pode impulsionar a adesão de moedas digitais como um todo mas, por outro, a natureza centralizada das CBDCs vai contra o “ethos” de criptomoedas como o bitcoin.

O bitcoin foi criado para dar autonomia financeira àqueles que sofrem com altas taxas bancárias. Já DCEP é completamente o oposto (Imagem: Freepik/macrovector)

Decrypt questiona: se DCEP tiver ampla adesão, pode ameaçar o bitcoin como o sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto que Satoshi Nakamoto desenvolveu? É bem improvável.

Tanto o bitcoin como a DCEP são moedas digitais mas, por serem emitidas por entidades completamente diferentes, têm “filosofias” divergentes:

– bitcoin: lançado por um criptógrafo anônimo para facilitar transações internacionais, sem o intermédio de entidades centralizadas;

– DCEP: sistema criado pelo banco central da China para digitalizar a circulação do dinheiro físico pelo país, garantindo que o governo tenha controle completo sobre o “caminho” feito por cada centavo do yuan digital.

Em relação aos casos de uso, DCEP será usado de acordo com a preferência do governo chinês, como a “mega-sena” da cidade de Shenzhen, cujos ganhadores poderiam gastar seus yuans apenas em comércios específicos.

Já o bitcoin, por outro lado, é governado por um mecanismo de consenso, que dita a sua funcionalidade.

Não pode ser simplesmente distribuído para milhões de usuários nem ser definido por uma parte central. Foi programado para ter apenas 21 milhões de unidades, que são emitidas por meio do processo de mineração.

Outro ponto é DCEP não ser realmente internacional.

Apesar de poder impulsionar a eficácia dos acordos internacionais com a China, pois o yuan digital permite que o país ultrapasse todos os sistemas financeiros existentes, pode impactar significativamente a estabilidade econômica chinesa se a emissão de yuans digitais for desenfreada, assim como a do dólar americano.

O bitcoin tem um fornecimento fixo e pré-programado (escassez), gerando transparência e segurança. Clique aqui para entender mais sobre a escassez do bitcoin.

E se o sistema DCEP for uma via de acesso para o bitcoin? Todo esse dinheiro digital não facilitaria a transferência de uma carteira para outra? Esse é o atrativo das stablecoins, moedas digitais pareadas a uma moeda nacional, como tether (USDT) e USD Coin (USDC), pareadas ao dólar digital.

Porém, a China sempre foi contra o bitcoin — “blockchain, e não bitcoin” —, então o sistema de transferências não seria tão descentralizado como o do bitcoin.

Quando você transfere bitcoins de sua carteira, seu nome não aparece no blockchain (como em uma transferência bancária), e sim um endereço alfanumérico, garantindo privacidade e segurança.

Porém, DCEP é supervisionada pelo governo chinês, então qualquer quantia enviada seria facilmente identificada pelas autoridades.

A China é conhecida por bloquear qualquer tipo de conteúdo relacionado a criptomoedas descentralizadas na internet, algo que só atiçou a curiosidade de usuários.

Além disso, a região é famosa por concentrar a maior parte de mineração de bitcoin, devido ao baixo custo pelo consumo de energia elétrica, muito necessária para a operação de grandes máquinas de mineração.

Decrypt conclui:

DCEP não poderia ter sido criada sem o bitcoin; a visão original de Satoshi Nakamoto inspirou muitas instituições a irem atrás de criptomoedas, de uma forma ou de outra.

Após muitos anos observando instituições privadas lançarem tokens, o governo chinês se tornou um pioneiro em CBDCs.

Porém, seu yuan digital e centralizado é algo completamente diferente do bitcoin e, provavelmente, ambos irão coexistir em vez de competirem diretamente entre si.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 26/11/2020 - 16:16

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